O fim de uma longa e dolorosa jornada.

A televisão é um reflexo da realidade, e nela, as relações familiares são quase tão complicadas quanto roubar diamantes. O espectador não espera de Banshee um contrato fiel com a realidade e é por isso que quando a série entrega esse tipo de narrativa, ela consegue se tornar tão intensa e interessante. Isso não quer dizer que a série tenha feito um episódio como um drama familiar faria, mas dentro de sua insanidade e urgência, conseguiu mostrar um lado mais psicológico de seus personagens, através de flashbacks que nos aproximam e nos fazem entender as atitudes tomadas por eles nessas duas temporadas.

Por outro lado, Banshee se torna um pouco previsível ao ter “super-heróis” como protagonistas. Será que alguém realmente imaginou um cenário onde Hood, Carrie ou Job morreriam no confronto com Mr. Rabbit? A grande questão (dos primeiros 45 minutos) do episódio se tornou os eventos em torno do plano para matar Mr. Rabbit. Mas já era (quase) claro que dessa vez, o personagem não conseguiria escapar. Ainda assim, existe aquela constante dúvida e talvez um pouco de falta de confiança na série, imaginando se seriam corajosos o suficiente para acabar com um antagonista tão importante. Banshee ainda apresenta um momento de anticlímax ao colocar a arma na mão de Mr. Rabbit, colocando também a culpa de sua morte quase exclusivamente nele mesmo. Essa decisão acaba com o mistério em torno de Carrie ser ou não capaz de matar o próprio pai. Mesmo uma série “sem vergonha” tomou cuidado para não cruzar uma linha sem volta, que seria capaz de transformar Carrie em uma personagem mal vista pelo público. Ver Mr. Rabbit – que sempre foi um feroz guerreiro – se matar, foi algo um pouco estranho e difícil. Talvez existissem maneiras melhores de finalizar alguém que causou tantos problemas ao longo de vidas inteiras.

Tratando dos flashbacks, seus propósitos eram tentar mostrar momentos que culminaram na morte de Mr. Rabbit, mesmo que alguns deles não sejam extremamente diretos. Como o treino de boxe entre Hood e Olek e o segundo ligando para a polícia, com intuito de informar sobre o assalto dos diamantes, mostrando sua lealdade cega ao grande líder. Muitas vezes, Banshee realmente “pintou” Mr. Rabbit como um líder de um culto, e essa realmente parecia ser sua função. Mesmo para um personagem um tanto quanto caricato, Mr. Rabbit foi bom (para a trama) enquanto durou, mas não fará falta, afinal, a vida segue em frente e ele estava atrasando muita gente.

Nos 15 minutos finais, a série olha para o futuro. Mostrando que o que está por vir é ainda mais excitante. Não fica extremamente claro se as mortes de Emmett, sua esposa e Alex Longshadow foram uma queima de personagens que não estavam funcionando ou se existirá repercussão diante desses novos fatos. O que não se pode negar é que a série ousa (pela primeira vez) ao encerrar um grande arco e ao dar início a novos rumos, aproximando Hood e Siobhan, Carrie e sua família, Rebecca e Kai Proctor, sem contar Deva e o contato com seu verdadeiro pai. A segunda temporada de Banshee foi acima de satisfatória e mantendo esse nível, continuará satisfazendo seus espectadores, ainda mais se manter sua grande qualidade de impressionar e surpreender, através da falta de medo de chocar.

Outras Observações:

O Cinemax “vendeu” esse episódio com uma frase bem interessante: “Quando uma família vai à guerra, não existem vitoriosos”.

Rebecca e Kai Proctor unidos pelo derramamento de sangue. Essa dupla promete.

Cena pós-créditos #1: Com o desfalque causado pelo fim do arco de Mr. Rabbit, e a morte de Alex Longshadow, existe espaço para um novo grande antagonista. Bem-vindo, Chayton.

Cena pós-créditos #2: A peça de xadrez que cai representa o fim da vida de Mr. Rabbit. RIP.

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