
Já dizia o Tio Ben que “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. E se tinha uma série que estava com grandes responsabilidades nessa Fall Season de 2009, esta série atendia pelo nome de FlashForward. Afinal, a série trazia o brilhantismo do David Goyer, seu showrunner, tinha no elenco astros como Joseph Fiennes, grande investimento da ABC e a promessa, propagada em todo canto, de ser a substituta de Lost.
E tudo o que a série prometia ela cumpriu em seu piloto. Ação, aventura, romance, mistério, todos esses elementos estavam perfeitamente mesclados e fizeram o público se impressionar com o melhor piloto da temporada (arrisco dizer que foi o melhor piloto dos últimos 3 anos). Mas ali já aconteceu um defeito, que foi até bobo, e nós quase nem notamos. Mas esse defeito bobo veio a ser o primeiro prego no caixão da série: com a vontade de deixar-nos curiosos com o Blackout, a história dos personagens foi deixada de lado. Resultado? Personagens desinteressantes, que para mim não fazem falta. A falta de carisma dos personagens não me permite relacionar-se com eles. Não me importo se o Mark é alcoólatra, se a filha do Aaron morreu (ou não), se a Olivia vai abandonar o Mark, e não me importo com nada pessoal deles, só me importo com o Blackout e suas causas. Costumo dizer que se mudassem a investigação pra NY e se livrassem de todos os personagens, a mim não faria falta. E foi esse, a meu ver, o motivo das críticas devastadoras que a série passou a receber a partir do seu terceiro episódio. Afinal, começaram a focar os episódios nos dramas de “completos estranhos”.
Mas como eu disse, esse é um prego no caixão da série, e só é preciso cuidado, para que os outros não venham a ser pregados. A história é boa, tem muito potencial, o elenco é bom (cobrem mais dos brilhantes atores que vocês têm produtores!), a trilha é sensacional, e alguns personagens até que são interessantes (no momento só consigo pensar no Simon, do Dominic Monaghan, que é clichê, mas é muito bom). Mas ou os roteiristas são bem ruins ou são preguiçosos, porque eles têm uma bela obra em mãos, mas não sabem trabalhar nelas. Quando eles querem trabalhar, fazem bons episódios, como o 8 e o 10 (que foi roteirizado pelo David Goyer, claro).
Por fim tudo o que peço é isso: saibam trabalhar com o que vocês têm em mãos, porque potencial FlashForward tem, e muito. Mas o que foi apresentado até aqui foi muito abaixo das expectativas de uma série da grandeza que FF prometia, a princípio.











