O desespero de uma tribo banalizada por uma twist mal executada, e que também não consegue encontrar o balanço certo entre união e estratégia.

Na fase tribal de Survivor, o jogo se desenrola de uma forma mais lenta e comedida, e aqueles jogadores que não contribuem em nada – seja em desafios ou no coletivo – são eliminados. De fato, essa previsibilidade vem sendo redesenhada ao longo dos anos, onde jogadores com uma sede maior de estratégia vem colocando o futuro a frente do que está acontecendo no momento. Nós, como espectadores, não podemos negar que é muito mais prazeroso de assistir jogadas pensadas do que jogadas previsíveis. Entretanto, existe uma regra que deve ser seguida, e essa regra foi o carro chefe da temporada 29 do reality original: um passo de cada vez.

É interessante notar que a vingança é realmente o que vem motivando muitos dos jogadores dessa temporada, porém pouco deles absorveram o que a excelente Natalie Anderson ensinou em SJDS. Em um jogo onde números são critério decisivo, às vezes, é importante deixar o orgulho de lado e saber trabalhar com aqueles que você mais deseja a cabeça sendo servida em uma bandeja, para que então (na hora certa) você possa atacar. Essa história e a execução da vingança pelas mãos da garota foi o suficiente para carimbar em seu currículo a vitória e mudar de vez o rumo do jogo, eliminando Jon na hora em que ele se sentia mais confortável no jogo.

Nos episódios dessa semana, a vingança de Kat contra Rohan deu certo para sua satisfação pessoal, mas logo em seguida colocou todo seu jogo a perder no episódio seguinte.

Em Blunders Never Cease, a edição já havia entregado bastante nos sneak peeks do episódio, e mesmo assim ainda fui surpreendido. Não com a eliminação em si, mas com o desenrolar dela.

Os desafios desse episódio exigiram um contato corporal entre os participantes e geraram até momentos meio que desconfortáveis para alguns, com umas passadas de mão aqui e ali, bem evidenciadas pela edição. Foi até engraçado, para não dizer estranho ver JLP narrando a prova e esses momentos. Em ambos os desafios, Sanaapu foi a vencedora, deixando Vavau sem recompensa e mandando-os direto para o conselho tribal.

Sendo assim, Rohan provou exatamente o contrário daquilo que queria, e foi sim um “dumb model”. Vamos contar o número de cagadas?

  1. Começando por entregar de mão beijada a Conner e Andrew sobre a vida na extinta Aganoa, contando das alianças e desavenças – a principal claro, entre ele e Kat. Kat ouvindo tudo foi a cereja do bolo, pois a raiva que sentia de Rohan foi só aumentando com o passar do episódio.
  2. Confirmar para Sue e Conner que tinha um ídolo de imunidade, e logo em seguida tentar justificar dizendo que não iria usá-lo. De burro ali só ele, pois continuou falando mal de Kat e com a garota mais uma vez ali do lado.
  3. Votar em Kat aleatoriamente, indo contra o combinando da sua aliança.
  4. Dar o ídolo de imunidade para Phoebe, selando assim a sua saída.

É Rohan, realmente não tinha como te defender, porém você é muito sortudo de ter Phoebe ao seu lado. A garota é estratégica, persuasiva, tem boa leitura do jogo, é bonita, tem excelentes confessionais e eu realmente não tenho mais adjetivos para descrevê-la. O plano de Phoebe poderia ter deixado as coisas um pouco mais justas para Aganoa, que era claro, que seria dizimada pela aliança majoritária. Se tivesse funcionado seria uma jogada brilhante: usar o ídolo do amigo em si, salvar a si mesma, o amigo e de quebra eliminar alguém da aliança rival. Apesar de entender o voto de Kat (pois realmente é difícil conviver com alguém que constantemente te maltrata), é aquilo que eu disse no começo da review, às vezes, em prol do jogo é necessário deixar o orgulho de lado.

Se Kat tivesse votado com Phoebe, não só poderia ter se salvado no episódio seguinte, mas também nos posteriores, além de garantir um lugar melhor do que na outra aliança. Rohan apesar de suas burrices, era ótimo nos desafios físicos, e Vavau sentiu o impacto de sua eliminação. Entendo o lado de Kat, mas deixou um instante de glória, custar para si o restante da temporada. E claro que Phoebe não ia deixar barato e já mandou a realidade para Kat, em mais um dos seus ótimos momentos.

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No episódio seguinte em A Super Villain Is Born, vemos dois alter egos de Russel Hantz surgindo e batalhando entre si, de um lado Phoebe encontrando um ídolo de imunidade sem nenhuma pista e Andrew mostrando para todos o quanto é frio e calculista.

Vale notar que Andrew tem uns confessionais muito bizarros, chega a dar medo a forma como ele se expressa se importando zero com as pessoas e para alguns aspectos do jogo em si. Ele fala com todas as letras que adora ir para os conselhos tribais, não contribui em nada nos desafios e fica rondando a tribo como um zumbi, se assegurando de que ninguém arme pelas suas costas.

Phoebe ao contrário é uma vilã carismática, ela arma suas jogadas em beneficio de si própria, mas mostrou que também se importa com os outros ao revelar a Kat e Kristie que havia encontrado um ídolo de imunidade, a custo do seu próprio jogo. Peça chave que poderia garantir a segurança das três, se não fosse o jogo dúbio da primeira. Quando Kat respondeu as perguntas de JLP deixava claro que estava com a Vavau, mas Phoebe não poderia correr o risco de acreditar nela mais uma vez. Além disso, Craig e Kate estavam em dúvida se votariam em Andrew. Portanto a decisão de eliminar Kat foi mais do que justa, mas sua falta será sentida, pois foi uma ótima participante, mesmo cometendo erros agora no final. RIP Kat.

Em Shift Key, mais uma vez Vavau é derrotada por sua rival, que passa invicta nesses três episódios. Fica difícil comentar sobre uma tribo que dia após dia vai vivendo à sombra e água fresca, mas com a alforria das galinhas, ficou provado que nem tudo são flores. Existe um trabalho sendo feito por trás das cortinas e esse é o de Jennah-Louise. Essa vem provando que sabe que está em uma posição extremamente ruim, mas tem chance de reverter isso. Foi muito sincero sua conversa com Kylie na recompensa do spa, e essa última é realmente uma competidora que vem me cativando episódio após episódio. Ela dizendo para Jennah não desistir foi uma das conversas mais sinceras que já vi, provando que ela consegue se conectar as pessoas além do jogo em um nível humano e pessoal.

Kylie é o número fora da curva, se El, Lee e Jennah se unirem a ela, e bolarem estratégias, fica fácil reverter a situação de todos. Um exemplo disso é, em caso de perda, sugerir a divisão dos votos e os quatro se manterem unidos votando em uma pessoa só, ou a busca por um ídolo de imunidade, entre outras coisas.

Flick e Nick secando o jogo de Matt também foi clássico de bons vilões, afinal de contas, em um jogo de sobrevivência libertar galinhas é um movimento extremamente estúpido, e pior ainda ver toda a tribo sendo persuadida para realizar o feito foi difícil de engolir. Se querem defender galinhas, aprendam com a Kim em Austrália.

Em Vavau, uma ponta de esperança surgiu no desafio dos cocos e eu fiquei impressionado com o desempenho de Sue. A velha realmente mostrou que tem lenha para queimar, até porque Craig já vem provando seu valor há muito tempo.

Outra pessoa que eu deixei o final foi Kate, que saiu do posto de avulsa e realmente entrou no jogo de verdade. Sua ioga motivadora para a tribo, seu desempenho excepcional nos desafios, o fato de pensar em várias direções tem feito seu jogo aparecer mais um pouco. Ela e Craig tem mantido uma relação interessante, ponderando os votos da maneira que querem. Enquanto Andrew, Conner e Sue prezam a estratégia de se manterem leais, Kate e Craig tendem a união tribal. É óbvio que se Vavau continuar perdendo os membros da aliança principal vão ter que começar a votar em si.

O blindside em Andrew foi lindo, pois presunção nunca é bem vista. Foi como Kate disse, ele não tinha nada além de lealdade para oferecer, e nessa parte do jogo a vitória tribal após várias derrotas em sequencia pesou na decisão. Sendo assim, o jogador que se denominava dono da temporada, foi eliminado por aqueles a qual ele sempre mirou. Craig, Phoebe, Kristie e Kate que já foram cogitados receberem votos dele, se rebelaram e fizeram do episódio 11 mais um excelente episódio de uma excelente temporada.

Com episódios que apresentaram um nível de qualidade semelhante a franquia original, com novos e ótimos personagens aparecendo, blindsides, desafios interessantes e ídolos da imunidade, Australian Survivor provou que realmente veio para ficar. Se a merge for 1/3 do que estamos vendo na fase tribal, mais coisas boas estão por vir.

PS: A preview do próximo episódio, fala sobre uma grande jogada e claro Phoebe deve estar envolvida. Com isso fica claro que Vavau perdeu mais uma vez, valeu edição! Acho que meu blindside em Nick vai ter que esperar ):

PS2: Porque uma imagem vale mais do que mil palavras:

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PS3: Porque um gif vale mais do que mil imagens:

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