Uma temporada que pode reacender a chama que as duas anteriores fizeram o favor de apagar.
Antes de mais nada, preciso começar falando que não, não sou meu amigo Diogo Pacheco, e acreditem queria muito que ele estivesse escrevendo a review aqui, até porque, assim como vocês, também sou fã de suas análises. Entretanto, por mais difícil pareça ser, tentarei dar doses semanais do meu ponto de vista e abrir um espaço para discussão aqui também.
Um ponto que ressalto é: meus conhecimentos das temporadas anteriores do reality na Austrália são limitados, porém, dando uma lida em notícias e fóruns por aí, percebi que ambas pecaram bastante, e não chegaram ao nível esperado, passando por duas emissoras de TV uma em 2002 e outra em 2006; sem grande sucesso, com um investimento pobre e uma audiência não muito satisfatória, estrearam fadadas ao cancelamento em ambos os canais. 10 anos depois, o Canal Ten resolveu ressuscitar a franquia e competentemente seguir à risca tudo que Survivor US ensinou, e com o dever de casa feito, o resultado não poderia ser outro. Sei que ainda é cedo para falar, mas os dois episódios me agradaram bastante.
Existem alguns problemas sim, isso é óbvio. Primeiro deles: número de participantes e dias: 24 participantes e 55 dias não me soa uma boa ideia, isso porque, ao meu ver isso só foi estipulado para que tivesse uma diferença gritante da franquia original, visto que, o resto parece ter sido copiado a risca. Segundo: edição dos participantes. Se querem ter um número extenso de participantes, o mínimo que podem fazer é apresenta-los de maneira correta, mas não foi isso que aconteceu, e não sei direito quem é quem naquele lugar (assim como não sabia quem eram as pessoas no Masterchef no início desta temporada). Uma coisa que deve estar clara quando se trata de realities, menos é mais. O ultimo problema falo mais a frente.
Por outro lado, os acertos superaram os erros. Edição muito boa (com exceção dos participantes), locação em Samoa (lugar bem familiar para os fãs da franquia), divisão das tribos, provas, abertura e o principal Jonathan LaPlagia (JLP) que parece ter sido um grande acerto, e mesmo que ainda não esteja 100% a vontade – afinal Jeff Probst também não era Jeff Probst no início – soube conduzir os episódios muito bem.
Juntando tudo que disse, e batendo num liquidificador gigante, temos a fórmula usada nesses dois episódios, que conseguiram destacar um dos pontos mais importantes do show: a estratégia. A estratégia no início do jogo deve ser algo sútil, já que a unidade da tribo é o mais importante no início. Portanto, é sempre bom estar com um olho no peixe e outro no gato, e nesses aspectos os dois eliminados pecaram bastante.
Fire Represents Your Life começou apelando para nostalgia, onde a entrada dos participantes em comboios e alguns confessionais lembraram muito as temporadas de Survivor US. Mesmo com confessionais amplos, ainda não consegui escolher alguém para torcer, porém de todos ali o que mais me agrada pelo perfil, que se parece um pouco com o meu, é Conner. Outra que me chamou atenção foi Phoebe já que mostrou que não é apenas um rostinho bonito e vai jogar pesado. Flick também foi interessante de assistir.
Já no primeiro desafio conseguimos observar o desdobramento das tribos, que em meu ranking está Sanaapu > Aganoa > Vavau. Sanaapu é bem unida e trabalhou bem garantindo fogo e suprimentos para os primeiros dias na ilha, em segundo Aganoa que foi esperta o suficiente para reconhecer que não conseguiria fogo, decidindo recolher todo suprimento que podia, já Vavau, me pareceu a tribo mais sem noção.
Não assisti as entrevistas de cada participante antes de entrarem no show, portanto minhas impressões são baseadas única e estritamente no que foi apresentado nesses primeiros episódios.
Tribo Azul – Sanaapu

Peter: velho bacana, mas a simpatia que ganhou de mim no primeiro episódio, se perdeu no segundo com o papo de desistir.
Sam: macho alfa da tribo, parece ser gente boa, mas o papinho de romance, bleh! Que saia com um blindside pela garota que tentar conquistar.
Conner: tem o perfil de jogador parecido com o meu, é fã do reality e pode usar sua simpatia e seu conhecimento ao seu favor. Com dois episódios já o vejo como o herói da temporada.
Matt: achei que ia ser estranho e mala, mas me parece um cara normal, não deve ter muito destaque, entretanto.
Brooke: tem cara que vai sentar o dia todo na praia, armar, falar mal dos outros, usar um charme para atingir seus objetivos e torço para que sua aliança com Flick renda alguma coisa. Pena que sua edição não foi muito boa 🙁
Bianca: entrou com muita sede ao pote, teve uma boa estratégia sobre mentir sobre sua profissão, teve uma leitura muito boa de jogo, mas cometeu pecados incorrigíveis, e muito cedo no jogo.
Kylie: achei chata, pode ser que renda alguma coisa, mas está com cara que não.
Flick: destaque da tribo, já firmou aliança, transfere confiança, e tem gente trabalhando a seu favor. Estou rezando para que sua dobradinha com Brooke vingue e que ela nos entregue bons momentos.
Tribo Amarela – Vavau

Kate: ?
Andrew: chato, mas inteligente. Deve ir longe.
Tegan: ??
Craig: enxergo nele um Reed, deve render um pouco, mas deve destilar veneno mesmo se for para o júri.
Jennah-Louise: não sei o que ela fez para me cativar, mas me cativou.
Barry: ficou deitado, falou pouco, basicamente não fez nada, próximo.
Sue: trabalhadora, bem energética para sua idade, carrega um nome de peso, espero que faça jus.
Nick: o destaque da tribo, mas muito chato. Sabe muito bem a teoria de tudo, mas na prática peca em vários aspectos… merece um blindside.
É eu tentei, mas não deu para gostar dessa tribo.
Tribo Vermelha – Aganoa

Kat: Já gostei, manda em todo mundo, anda bem arrumada (mesmo estando numa ilha), tem um bom social, e pode render. Torço.
Lee: Tom ou Terry?
(Psico) Kristie: muito doida, acha que todo mundo tá conspirando contra ela, deu uma de Abi com a bolsa perdida, entrou em modo paranoia ao extremo e entregou bons momentos. Espero que faça como Aubry que teve um momento assim de início, mas se mostrou uma excelente jogadora com o decorrer da temporada, para isso ela deve se controlar um pouco. Torço também.
El: sensata, sabe intermediar muito bem todos os lados da tribo.
Phoebe: me pareceu bem estratégica, tem a aliança das garotas a seu favor e com certeza pode render futuramente, ou logo agora dando um blindside em Evan, que já mirou nela.
Evan: caricato, acha que é o rei da atuação, mas está no bottom e lá deve permanecer.
Des(necessário): velho chato, com umas ideias nada a ver, não entendi nada que ele falou, graças aos bons deuses foi o primeiro eliminado.
Rohan: cota rostinho bonito, modelo, deve ter o air-time necessário para não ser esquecido.
Deu para ver então qual foi o maior problema desses episódios? Com 24 participantes, poucos me agradaram, e até aqueles que tiveram uma boa edição deixaram a desejar. É realmente difícil criar empatia quando se tem um grupo tão extenso de participantes, mas isso não significa que não possamos ser surpreendidos, afinal eles terão que se desdobrar mais para vencer, a si mesmos e as adversidades, pois se com 39 dias o cansaço físico e emocional já era intenso, imaginem com 55 dias.
Os dois conselhos tribais colocaram duas duplas ao abatedouro. No primeiro episódio, na tribo Aganoa, Kat vs Des era um embate previsível, e ao meu ver a tribo optou pela escolha correta, Des era um velho chato, não fazia nada, só reclamava, e quando finalmente mostrou o seu conhecimento já era tarde demais. Eu agradeço por sua eliminação, afinal entender o sotaque australiano já é meio complicado, e Des não colaborava nem um pouco.
Em A Shot In The Arm, Bianca vs Peter era um embate inesperado, visto que Peter era escolha certa para eliminação, pela sua idade e desejo de deixar o programa, fazendo assim com que a tribo ficasse mais forte e unificada. Foi um erro mirar em Bianca tão cedo no jogo, mas foi um erro ainda maior por parte dela tentar um blindside também. Sanaapu estava em uma crescente, começou bem, e só foi para o conselho tribal por pouco, pois trabalhou bem durante todo o desafio. Sendo assim, eliminando Peter a chance de ganharem os próximos desafios era grande, se Bianca tivesse optado por esperar, e ir plantando a semente de que Brooke e Flick eram um duo perigoso, é como eu disse, no início do jogo – a estratégia deve estar presente de forma sútil – uma swap poderia favorece-la, mas apesar de uma leitura muito boa de jogo, confiou na pessoa errada, e Conner basicamente entregou o ouro nas mãos de Flick. Essa é bastante esperta, e logo deu um jeito de podar as asas de Bianca evitando que seu jogo fosse por água abaixo de início, deixando assim, Peter e Kylie no bottom.
Nos próximos episódios, o ídolo de imunidade será inserido, o que deve deixar as coisas ainda mais interessantes e mexer um pouco com a dinâmica do jogo. Se por um lado alguns erros estiveram presentes na première, é certeza que aprenderam com as temporadas anteriores e estão tentando ao máximo deixar o programa “em casa” baseando-se na versão original. A escolha dos participantes pecou um pouco, assim como a quantidade, mas isso são coisas que se aprimoram com o tempo. JLP fez o possível para se aproximar de Jeff como apresentador, inclusive copiando muito dos seus bordões, que eu e você sabemos de cor, mas acho que ainda falta mais desenvoltura nos conselhos tribais. Somando erros e acertos, acredito que o saldo é positivo, e darei uma chance para essa temporada, afinal quando o Survivor US começar ter o meu reality favorito quatro vezes na semana é quase um presente.
Ainda é cedo para montar um ranking, vamos deixar esse flood de participantes passar um pouco, e uma dinâmica maior começar a rolar, até porque nem torcida eu tenho ainda. Até a próxima.
PS1: Vavau é tão irrelevante, não me agradei 100% com ninguém, isso é inédito.
PS2: Alguém sabe se o nome dos episódios assim como Survivor US vem das falas de algum participante? Achei em algum fórum esses nomes, então não tenho certeza.
PS3: Desafios muito bem estruturados, com uma dinâmica muito parecida com a da franquia original, que continuem assim.
PS4: Se quiserem dar uma lida no background de cada participante e sobre a história do Australian Survivor, aqui tem um link bem interessante.
PS5: Parece que a resposta do público foi positiva em relação ao show, e ele foi um dos três assuntos mais comentados no twitter mundialmente na estreia, e o primeiro na Austrália. Sendo assim, o Canal Ten estendeu a apresentação do programa para três dias na semana, então teremos Survivor, domingos, segundas e terças. Overdose de Survivor, respira ae!
















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