Arrow entrega à Slade Wilson o destaque que lhe foi negado por várias temporadas com Deathstroke Returns.

Não há que se discutir que o Exterminador foi o melhor vilão que surgiu em Arrow (talvez até mesmo no Arrowverse), e muito da boa história que foi criada para o personagem enquanto aterrorizava Star City girou em torno do passado que o ex-combatente dividiu com Oliver na nefasta Lian Yu. Provavelmente a série não conseguirá outro feito igual, de trazer um vilão que divide tantas histórias e experiências com o herói e com tantas lacunas para preencher, e talvez por isso mesmo tenha resolvido poupar o personagem no fim de seu reinado de vilanias e o colocado numa geladeira para ser reutilizado em um momento posterior. Havia ainda muita água para correr debaixo dessa ponte.

Deathstroke Returns foi escrito para nós relembrarmos todo o potencial, presença e agressividade que já tínhamos esquecido que Slade Wilson nutria após o mesmo ter recebido um tratamento porco por três longos anos, coisa que até o próprio Manu Bennett reclamou depois de sua participação esquecível na terceira temporada.

No entanto, ver Oliver e Slade como parceiros de missão causa certa estranheza e não havia muito que o roteiro poderia fazer para nos convencer que a relação mostrada aqui é completamente natural e saudável. A narrativa dos filhos foi a melhor encontrada para unir os antigos amigos, afinal, um filho não deve pagar os pecados do pai, mas se o intuito era convencer de que Oliver, mesmo com todas as dúvidas, botou uma pedra no passado, o episódio falhou miseravelmente. Sob efeito de Mirakuru ou não, Slade fez da vida de Oliver um verdadeiro inferno e assassinou sua mãe bem à sua frente. Não são coisas que são fáceis de apagar e os roteiristas poderiam ter feito algo melhor nesse aspecto e não terem passado panos quentes na situação, forçando um companheirismo que não mais existe. A cena em que Slade dopa Oliver para este não seguir para o covil dos bandidos e quebrar a promessa feita para o filho foi um tanto quanto forçada e falhou em vender um novo Slade que agora se preocupa com as relações familiares do prefeito.

Mas se deixarmos o passado de lado podemos muito bem usufruir do que Deathstroke Returns se propõe a contar, nos fazendo emergir completamente dentro da mente de Slade Wilson, um homem marcado, amargurado e focado na única missão que agora importa: resgatar o filho e se redimir.

E quando a diplomacia de Oliver Queen falha (aliás, poucas vezes vi uma série subutilizar tanto seu protagonista como vi essa semana em Arrow), o que resta para Slade é resolver as coisas do modo como sempre resolveu, nos trazendo a melhor sequência de combate da temporada até aqui, sendo esta empolgante, visceral e sangrenta do tipo que a série tinha se desacostumado a fazer e que só um anti-herói como o Exterminador poderia executar.

Em suas seis temporadas, Arrow entregou diversos grupos criminosos, facções, máfias, terroristas e mercenários, algumas vezes com um personagem conhecido envolvido no lado errado da história, para assim proporcionar todo o drama de conflitos morais, familiares e redenção. Não parece que será diferente desta vez, com o filho de Slade chefiando a quadrilha que supostamente o havia sequestrado e com muita raiva e mágoa acumulada durante os anos por conta do pai ausente e assassino. No entanto, muita coisa precisa ser explicada para comprarmos a ideia do garoto que, aparentemente, era mais pacífico que Willian, mas que agora lidera um pessoal nenhum pouco amigável.

A sensação que fica, ao fazermos uma análise profunda de Deathstroke Returns, é que Arrow está se preparando para se despedir de um de seus mais emblemáticos personagens, algo que não teve coragem para fazer lá na segunda temporada. Não há mais muitos caminhos para Slade seguir após o desfecho de seu confronto com o filho, e a decisão de se fazer dois episódios especiais focados no personagem (quando se podia fazer apenas um) deixa tudo ainda mais cristalino.

Em uma história completamente paralela à missão de Oliver e Slade, e que conseguiu ter tanto destaque quanto à trama principal, tivemos o Team Arrow enfrentando velhos problemas em Star City. Para começar, devemos bater palmas para o tratamento que o roteiro tem dispensado para a detetive Samanda Watson, que consegue ser impecavelmente astuta, inabalável, certeira e desconcertante, além de ser uma boa mudança de ares ver a equipe enfrentando uma ameaça perigosa que não envolva armas e planos mirabolantes. Watson é tudo o que a polícia deveria ser na vida real, incorruptível e focada em chegar às conclusões corretas e alcançar os culpados, e é por isso mesmo que não consigo ver com maus olhos a personagem. Desejo que ela continue fechando o cerco e ainda dê muito trabalho para a equipe, por ser justamente uma história que estava faltando para uma série que trata de vigilantes mascarados urbanos. Méritos também para a atriz Sydelle Noel que vem fazendo um eficiente trabalho.

Arrow 6x05: Deathstroke Returns
Arrow 6×05: Deathstroke Returns

E falando em vigilantes, temos o retorno do Vigilante, entregando uma história que pode ter frustrado no início, mas que abre boas possibilidades de roteiro não para ele, e sim para Dinah, que pouco vem tendo espaço na série e precisava de algo maior que não fosse ficar combatendo a Sereia Negra e dividindo falas com Diggle.

A revelação do mascarado como sendo o ex-parceiro (e agora meta-humano) da Canário foi um belo banho de água fria para quem (como eu) estava esperando que fosse o mundo inteiro menos alguém que apareceu durante alguns minutos, na temporada passada, e por meio de flashbacks. Frustrante, mas levemente instigante. O arco tem tudo para funcionar se continuarem tratando o Vigilante como um extremista que precisa ser parado, não importando quem seja, no entanto, o perigo de perdermos vários episódios em mais um processo de redenção, e, pior ainda, de interesse amoroso e de nova adição para o time é maior. A série já está um tanto quanto inflada nestes quesitos.

Com mais um episódio que tirou Oliver do foco, assim como a maioria dessa temporada, Deathstroke Returns funciona justamente por ter como sustento personagens secundários empolgantes ou com grandes promessas para trazerem boas linhas narrativas daqui em diante.

Flechadas:

– A série se inspirou no cânone de Slade dos quadrinhos para criar a narrativa de seu filho. No lado de lá, o Exterminador também tem seu filho sequestrado por um mercenário de nome Chacal (nome pelo qual é conhecido o grupo desse episódio). Na ocasião, Joseph Wilson teve a garganta cortada e acabou perdendo as cordas vocais. No futuro, o garoto se tornou o herói Jericó.

– Slade também tem outro filho, Grant Wilson, mais conhecido como o vilão Devastador. No Arrowverse, Grant apareceu como sendo um novo Exterminador de uma Star City futurística, no episódio Star City 2046, de Legends Of Tomorrow.

– Kane Wolfman, novo nome adotado por Joe, é referência ao sobrenome da mãe do personagem, Adeline Kane, e ao criador de Slade e sua família, Marv Wolfman.

– Nos quadrinhos, a identidade do Vigilante é Adrian Chase, que não foi adaptado na série por razões óbvias. A criação de Vincent Sodel e todo o envolvimento do Vigilante com a Canário é original do show.

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– Desde a aposentadoria de Oliver, já podemos considerar a Canário Negro como a melhor coisa daquele time. Juliana Harkavy ofusca os demais com muita facilidade.

– Watson parece não ligar muito para Curtis, e quem liga?

REVISÃO GERAL
Nota:
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arrow-6x05-deathstroke-returnsDeathstroke Returns não traz detalhes sobre a trama da temporada, mas agrada em trazer um episódio focado no instável Slade Wilson.