Um alemão, um italiano, uma japonesa e um problema chamado Sterling Archer.
Após dois episódios em que vimos a bebê AJ ser um elemento central na trama de Archer, The Archer Sanction (TAS) tomou um rumo diferente e esse foi, talvez o maior trunfo do episódio. Por mais que todos gostemos de Lana e Sterling tendo uma filha juntos, isso não quer dizer que nossa vontade é de ver uma sátira de espionagem se tornar uma dramédia familiar. Assim, TAS foi fundamental para a sexta temporada por expor o equilíbrio encontrado pelos roteiristas na inserção de AJ, mantendo a fórmula e a lógica de Archer, com suas missões e canalhices de escritório. Esse equilíbrio, aliás, foi o grande responsável pela leveza e o humor dominantes nesse terceiro capítulo, que dividiu sua trama em três eixos: Lana, Sterling e Gillette na missão, Cyril, Cheryl, Pam e Krieger numa festa de aniversário no escritório e Mallory sumida pelos recantos da cidade com a bebê.
Sim, de fato, voltamos às origens de Archer. A prova disso? A cold open com Sterling descartando moralidades quanto a assassinatos a ser cumprida, revelando que não lembrava quem era o alvo e que tinha negligenciado o dossiê da missão, mantendo somente uma informação crucial em sua mente: o alvo era de nacionalidade de um dos países componentes do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. MELDELS, como eu ri com a avalanche de imprudências cometidas por ele em tão pouco tempo e, principalmente, com o momento em que aparecem um alemão, um italiano e uma japonesa na cabine administrada por um estadunidense. Vale ressaltar que tecnicamente esse suplot foi deslumbrante. As paisagens frias, a escalada na neve, os acidentes e a avalanche final ajudaram a trazer uma atmosfera dos clássicos suspenses que tratam o tema do isolamento; atmosfera essa que foi ressaltada pela coincidência das mortes, que colocavam suspeitas sobre o americano.
No entanto, o que tornou esse subplot ótimo foram os detalhes: Lana e Gillette loucos de tesão pelo americano; o diálogo sobre quem dormiria no meio na cabana com os três nus; Sterling julgando que a Irlanda teria sido componente do Eixo na SGM; e, CLARO, CLARO que não poderia ser esquecida a mensagem de voz época que Mallory deixou para o filho. Eu já ri tanto nos últimos cinco anos com essa piada das mensagens de voz, mas a de TAS foi a melhor, porque já estamos tão acostumados em ver o agente sacaneando os outros e a mãe, que nem foi cogitada a ideia de que ela usaria as falhas corriqueiras do filho em missões para fazer a escrotice máxima.
No escritório da ISIS, Cyril, Cheryl, Pam e Krieger celebravam um aniversário em uma piscina que estava sendo habitada por um ser resultante das experiências laboratoriais do cientista alemão. O auge do suplot, porém, emergiu quando todos vão à casa de Mallory em busca dela e de AJ. O QUE FORAM AQUELAS CRISES DE VÔMITO, MELJAH???!!! Era tudo tão nojento, mas tão engraçado por dar uma noção do quanto eles teriam bebido e se drogado na festa no escritório. No fim das contas, não tinha sido o álcool, mas o envenenamento por inseticidas que tinha causado tudo. E eis que surge Mama Archer com AJ em seu carrinho de bebê com a maior expressão blasé saindo hotel e julgando seus funcionários.
Archer segue montando uma temporada “de volta às origens” e permanece bem sucedida em seu esforço.
















