Esses três últimos episódios de Animals me empolgaram a partir do momento em que vi os títulos. Eu amo esquilos (até tenho um tatuado) e estava curioso para ver como fariam um season finale focado num animal tão peculiar e inusitado quanto um peru. Já dá pra adiantar que os três últimos episódios foram excelentes e que, para mim, qualificaram essa série como uma das comédias mais bacanas do ano.
Seguimos diversas histórias nos três episódios. Squirrels voltou com a tática de dividir os episódios em várias partes e trazer personagens novamente, mas surpreendentemente, funcionou muitíssimo bem. As histórias principais dos episódios seguiram:
– Os irmãos esquilo Phil e Mike. O mais velho, Mike, recebe a responsabilidade de cuidar do seu irmão quando a mãe sai durante uma noite. Um relâmpago destrói a árvore em que eles vivem e começa aí a sua jornada para escapar do lugar. No meio da aventura eles conhecem uma das vizinhas, a jovem April, provavelmente a personagem mais adorável que já passou por Animals.
– O peru Gregory, que parte numa missão de vingança contra os humanos (em especial o prefeito) depois de testemunhar o assassinato da sua esposa, Sarah. Foi uma ideia genial finalizarem a temporada com uma história de vingança e o mais inesperado aconteceu: conseguiram criar um impacto emocional numa história sobre um peru jurando vingança contra a espécie humana. O sotaque de Sarah foi uma das coisas mais ridículas que eu já ouvi, mas a série conseguiu fazer com que eu me sentisse mal por soltar gargalhadas.
Mas pra muita gente o brilho de Animals são as histórias secundárias. Não posso dizer que sou uma dessas pessoas porque é raro os protagonistas de um episódio da série não me conquistarem, mas também vejo uma qualidade única nessas pequenas crônicas. Nesses três últimos episódios não consigo me lembrar de uma única delas que não tenha sido legal:
– Uma cobra e um rato se encontram num aquário. A cobra tem medo que o rato a ache desorganizada pelo aquáro estar uma bagunça. A sequência é completamente hilária, principalmente pelos ‘s’ na pronúncia da cobra e pela expressão desenhada nos animais. É difícil explicar, mas foi tão desconfortável e bobo que ficou impossível não rir.
– Dois cachorros numa petshop começam a discutir porque um deles cruzou o caminho do outro. É uma brincadeira óbvia com estereótipos de negros nos guetos americanos. São cachorros literalmente dizendo ‘nigger’ e eu não consegui me controlar: ri como nunca ri em Animals.
– A vida de miséria das formigas operárias num formigueiro e a sua relação com a sua rainha onipotente. Uma das operárias e a rainha estiveram juntas na escola e isso faz com que a rainha tente fazer parte da plebe para sair do tédio. É uma história bem engraçada e mesmo quando a série tenta enfiar algo meio água com açúcar no meio pra fingir que há alguma lição de moral, a coisa é ridicularizada.
– Os pequenos ratos Phil e Mike enganam os pais para saírem dos esgotos para ver de perto o Dia dos Demônios Voadores. A conexão com a trama principal do peru Gregory é fabulosa e os personagens são muito divertidos.
O que é revoltante é pensar em quantos mini/sub-plots hilários poderíamos ter tido se não tivéssemos a storyline do prefeito. Não vou ser desonesto e dizer que o final não foi excepcional, mas o caminho até lá foi bem instável. Ver um peru atirando num político corrupto para vingar a morte da sua mulher foi espetacular, mas não o bastante para compensar o que poderíamos ter tido em troca. Espero que no próximo ano a série não tenha qualquer tipo de storyline humana.
Também é bacana ver como a série mudou a minha opinião nesses episódios mais recentes. Eu antes odiava a ideia de ver personagens já usados retornando, mas abri um sorriso enorme quando pensei que o Phil fosse o Phil Jr., filho do primeiro Phil de Animals. Acabou não sendo, mas teria sido algo divertido porque tornaria a estrutura externa da série tão fora da caixa quanto a estrutura dos próprios episódios.
Falando em fora da caixa, adoro essa pegada meio surrealista da série. A apresentação que o John Lovitz faz do segundo episódio dos esquilos foi algo que eu realmente não esperava, mesmo depois daquele final psicodélico dos cachorros lá atrás. É isso que torna essa série tão única: os caras por trás dela parecem bolar essas histórias enquanto fumam erva. Animals é fantástica quando brinca com a narrativa humorística. Isso que é comédia, os caras conseguem fazer uma piada só da distância entre o John Lovitz e o Kurt Ville.
Não consigo olhar para os episódios dos esquilos e achá-los a minha história favorita de Animals (junto de Flies). O diálogo de Phil com o Velho Ben na segunda parte foi um dos melhores de toda a série de tão pequeno, despretensioso e brilhantemente engraçado. Phil achando que vai ficar com o chapéu do bombeiro no final também foi fantástico e fez o meu dia. Acho que Squirrels conseguiu encontrar um equilíbrio perfeito entre o ácido e o agridoce.
Foi uma ótima conclusão para uma ótima temporada. Não gostei muito do gancho, mas isso é um problema pessoal que tenho com a televisão americana. Acho que a maior parte das séries não entende o conceito e insistem em perpetuá-lo ainda assim (o gancho terrível de The Walking Dead é o exemplo mais afiado). Por outro lado, o cliffhanger de Animals foi satírico e pareceu ter precisamente esta intenção: brincar com esse trope superestimado.
Agora é torcer para que a série ganhe uma segunda temporada e que ela seja tão estranha e mágica quanto esta primeira. Cara, que série bacana.















