O texto de hoje vai ser um pouco diferente, porque é coisa demais pra se falar. Num descuido completamente inocente, deixei passar 3 episódios de Animals. Aliás, esse é um dos problemas de acompanhar essa e várias outras séries que eu cubro aqui no Série Maníacos: a audiência é tão baixinha que demora pra você conseguir ter acesso aos episódios através dos ‘meios alternativos’ e você acaba esquecendo que tem episódios pra assistir. E pô, botando a série em dia só percebi o quanto gosto dela, apesar das suas falhas.

E as falhas ficaram bem claras nesses três episódios. Fiquei bastante triste quando soube que a série reutilizaria alguns dos personagens apresentados anteriormente, porque fui estúpido o bastante para acreditar que ela teria a coragem de renovar-se sempre, sem ter de recorrer a qualquer piada. Foi bacana ver os pombos Phil e Mike novamente? Óbvio que foi, mas não valeu a pena e não teria prejudicado a série não o ter feito. Poderiam ter substituído os ratos por outros animais e o mesmo vale pros pombos. Pelo menos a gente teve o episódio das moscas pra compensar por isso tudo.

O quinto episódio traz a história de…

Phil, o Rato Esclavagista

Phil não consegue chegar perto da ratinha que ele gosta sem ter uma erecção, então Mike faz um par de calças para ele a partir do lixo. Só que a coisa pega e logo todo mundo idolatra o Phil pela sua suposta genialidade. Sendo Animals, não é muito difícil adivinhar onde isso vai dar: Phil funda uma fábrica e, além de escravizar o próprio amigo, abusa também do trabalho infantil para continuar produzindo as suas peças e impressionar a população de ratos de Nova Iorque. Foi, de longe, uma das tramas mais malucas que Animals já trouxe e se desenrolou brilhantemente, pois deu mais atenção ao absurdo da situação do que à uma tentativa de sátira.

Observações desconexas:

– A história das traças que se drogam com néon foi excepcional. Teve até direito a uma gag com a sequência nos Star Gate de 2001: Uma Odisseia no Espaço e me lembrou do quanto esse filme é importante pra mim. A parte em que o Patrick vê os amigos como humanos neo-hippies também foi ridiculamente divertida.

– O jantar em casais dos peixes foi hilário pra cacete e me deixou rindo como um imbecil. Toda vez que eles esqueciam da discussão e começavam a comer, eu dava uma gargalhada mais alta do que a anterior.

Pombo pai, pombo filho

O segundo episódio focado nos pombos Phil e Mike foi um dos mais chatos da série. Blá-blá-blá, volta o pai do Phil, que o abandonou quando ele era criança. Blá-blá-blá, Mike quer ensinar ao filho que ser um escoteiro e aprender a fazer nós é tão legal quanto carregar um canivete. Foi entediante pra caramba. Teve sim bons momentos, mas isso não é novidade pra Animals. Foi tão desnecessário repetir os personagens que eu passei o episódio todo embirrado. E, no fim, não acrescentou nada, porque ninguém tem envolvimento emocional com esses bichos, a intenção é serem divertidos. A gente investe na série pelas risadas, não para refletir sobre relações paternais.

Observações desconexas:

– As duas amigas tartarugas que brigam entre elas para ver quem fica com o charmoso sapo de plástico do aquário foram incríveis. Uma historinha tão curta, mas tão incrivelmente mais engraçada do que toda a porcaria envolvendo os pombos.

– O drama do ex-policial infiltrado na organização criminosa do Prefeito é tão intenso que não tem como não ser hilário. Os flashbacks dele, carregados de sofrimento e miséria, me tiraram mais risadas do que qualquer outra cena protagonizada por humanos em Animals até agora. Aliás, a storyline do Prefeito estava me intrigando no começo, mas agora ficou claro que ela só existe pra forçar o toque HBO na coisa toda (nudez e violência).

Flyhood

O melhor dos três episódios, sem dúvidas. Flyhood foi, talvez, o melhor episódio de Animals até agora. Ele fez tudo que me faz gostar dessa série: jogou com as particularidades da vida dos animais (neste caso, o curto tempo de vida das moscas), trouxe personagens que deveriam ser impossíveis de se relacionar porque são de espécies tão diferentes da nossa, mas que acabam sendo carismáticos pra caramba e trouxe piadas espertas e que não parecem ter sido geradas por um comitê.

O episódio acompanha a curta e ao mesmo tempo longa vida das moscas Phil e Mike, que são amigas desde infância. Elas crescem ao longo do episódio e o relógio com o qual elas se cruzam tantas vezes consegue te fazer encontrar a piada em situações que a série constrói com um tom bem dramático.

E, pasmem, apesar do episódio ser bem sentimental, a coisa funcionou perfeitamente. A amizade das duas moscas foi adorável e foi fantástico ver o quão ousada é essa série no que toca à sua estrutura. Você nunca sabe do que esperar de um episódio, pois ela está sempre fazendo inovações estilísticas. Quando você menos espera, boom, ela enfia imagens em live-action no final do episódio. Quando você menos espera, boom, ela te traz um episódio cheio de coração e com um humor que foge das piadas com o absurdo.

Animals continua… excelente. Se tem uma coisa que me agrada numa comédia, é quando ela parece ser uma série diferente a cada semana, sem nunca te fazer sentir que as coisas não se encaixam. E nos seus sete episódios até agora, Animals só me fez sentir isso uma vez, com o novo episódio dos pombos, que falha justamente por assumir que a gente quer ver a mesma coisa mais de uma vez.

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