Um problema chamado Randy Jackson.

Ano passado, a saída de Randy Jackson da bancada de jurados foi comemorada pela maioria dos fãs de longa data do American Idol. Por mais que o produtor tenha uma inegável importância histórica para o show, sua participação pouco acrescentou nos últimos anos.

O que ninguém esperava é que, alguns meses depois, fossem anunciar a contratação do Randy como produtor musical do programa, em substituição ao Jimmy Iovine, que vinha realizando um ótimo trabalho.

Chegou a Rush Week e finalmente pudemos ver Randy em ação. Apesar de uma participação apática e pouco relevante, pouco tive a reclamar ali. Afinal, toda a estrutura montada para auxiliar os participantes era muito bacana. Parecia que, com o auxílio mais presente dos vocal coaches e com os muito bem-vindos conselhos de Adam Lambert e Chris Daughtry, a falta de Jimmy pouco iria ser sentida.

Mas toda essa estrutura sumiu após a Rush Week – pelo menos aos olhos do público. E enquanto Jimmy participava de toda a concepção criativa da apresentação desde o início, o que vemos de Randy Jackson é um mentor que aparece apenas na passagem de palco para dar algumas dicas finais.

Isso não é suficiente.

Esta temporada formou um Top 13 bem eclético e com bastante potencial. Mas está faltando alguém que mentore os cantores. Como não amar Harry Connick Jr. trazendo o problema a tona e dizendo que, se tivesse sido contratado como mentor, estaria às 5 horas da manhã no hotel para tirar tudo de melhor que os participantes podem entregar?

Enquanto Harry mostra o grau de importância que ele dá para o American Idol e a carreira daqueles cantores, Randy parece acomodado. Depois de tantos anos, talvez Randy sinta que não precisa provar mais nada para a FOX e o reality.

Quem perde com isso não são só os candidatos, mas também o público. Foi difícil assistir American Idol nesta semana. Difícil ver tanto talento sendo desperdiçado numa série de apresentações fracas. Infelizmente, este Top 12 foi uma semana indefensável.

Jena Irene – Suddenly I See

https://www.youtube.com/watch?v=QQaJ83wu5Dw

Talvez o fato de eu gostar tanto de Suddenly I See influa na minha percepção sobre a performance, mas realmente acredito que esta semana foi um grande avanço para a Jena em relação às anteriores. Ela estava aproveitando cada momento no palco e isso era perceptível. Eu consegui me empolgar junto com ela e foi gostoso poder assisti-la.

Porém, por mais que eu goste dessa música, não tem como não pensar que existiam milhares de escolhas melhores. Suddenly I See é pop em sua melhor forma, e não é nesse estilo que Jena brilha no palco. Suddenly I See não poderia proporcionar o grande momento que ela está devendo.

Jena deveria se inspirar na trajetória de candidatas como Haley Reinhart e Elise Testone, que conseguiram unir o pop e o rock com uma sonoridade voltada para o jazz. Aí sim Jena Irene vai alcançar todo o potencial que promete.

Alex Preston – I Don’t Want To Be

https://www.youtube.com/watch?v=3p4ghV0t90E

Admiro Alex ter saído da sua zona de conforto, mas o risco não se traduziu numa apresentação tão boa quanto as suas anteriores. I Don’t Want To Be pede uma voz forte e mais agressiva. Se Alex queria esta música, ela precisaria de um arranjo que se adaptasse a sua voz.

De nada adianta fazer um arranjo agressivo e utilizar uma guitarra elétrica se o que está sendo cantado transmite outro tipo de sensação. No final, ficou tudo confuso aos ouvidos.

Jessica Meuse – White Flag

https://www.youtube.com/watch?v=wcSYlN-opFw

O responsável pelo staging da Jessica precisa ser trocado. A revoada de borboletas da semana passada e o letreiro de motel desta semana, além de não fazerem sentido, distraem muito do que deveria ser o verdadeiro foco da performance: a cantora.

Porém, o maior problema da Jessica é sua postura no palco. White Flag ficou linda na sua voz e não parei de pensar o quanto essa performance daria uma ótima versão em estúdio se elas ainda existissem. Mas sou obrigado a concordar com o Harry quando ele comenta da postura blasé com que ela se mantém.

White Flag tem a letra desesperadora de alguém que está perdendo um grande amor. E a interpretação da Jessica me mostrava uma mulher tranquila, quase que dizendo “Eu vou afundar com esse navio, mas e daí?”.

Dexter Roberts – Lucky Man

https://www.youtube.com/watch?v=3tH9rBnixsE

Quando Dexter faz uma das melhores apresentações da semana, é porque existe algo realmente errado acontecendo com o American Idol. Lucky Man não mostrou o diferencial que ele precisa e nem criou um grande momento na competição, mas foi absolutamente correta do início ao fim. E numa semana em que quase tudo deu errado, isso já é muito.

Emily Piriz – Let’s Get Loud

https://www.youtube.com/watch?v=MGcqIhS3HBQ

Ano passado, o grande desafio era cantar uma música da Mariah Carey na frente da Mariah Carey. Talvez Emily achou que estivesse seguindo pelo mesmo caminho ao cantar Let’s Get Loud, da Jennifer Lopez, para a própria.

Cantar melhor que JLo não era um desafio difícil, mas a candidata falhou ao tentar reproduzir o ponto forte da jurada: sua ginga latina. Emily errou feio sem estar numa posição que permitiria erros.

Caleb Johnson – Working Man

https://www.youtube.com/watch?v=kzZlrLnbWrI

A Jessica não é a única prejudicada pelo staging do American Idol. Tentaram mostrar uma integração do Caleb com a banda, mas fica difícil embarcar na proposta da performance quando a banda está fora do palco e trajada com roupas que nada tem a ver com o estilo do cantor.

Semana passada colocaram os músicos para dividir o palco com Ben e assim deveria ter sido feito com Caleb nesta semana. Um bateirista, um baixista e um guitarrista para interagir diretamente com ele já seriam mais do que suficiente para que o público conseguisse acreditar que se trata realmente de uma performance de rock, e não apenas de um show de calouros.

Mas os problemas não ficaram só por conta da produção. Caleb percebeu que agradou jurados e parte do público com um estilo e agora faz exatamente a mesma apresentação toda semana. Todos já sabem exatamente o que esperar cada vez que Caleb sobe no palco e ele não faz esforço para surpreender.

É possível variar sem perder a identidade do hard rock. Por que não cantar uma música lenta como Beth ou Home Sweet Home? Ou então, ainda melhor, pegar algo que não tenha nada a ver e transformar para que se encaixe dentro do seu estilo?

MK Nobilette – Drops Of Jupiter

https://www.youtube.com/watch?v=AK_omX8kawo

MK tem uma voz que ficaria linda em estúdio. Se as gravações ainda estivessem sendo lançadas, com certeza eu torceria para MK continuar por um tempo maior na competição só para que eu tivesse ainda mais músicas dela. Mas ao vivo não está funcionando.

Durante a Rush Week, quando MK cantou All Of Me, ela abriu seu coração e tornou o público parte de sua história. Agora, porém, parece que o nervosismo criou uma barreira que sempre impede que ela dê o seu melhor. Mesmo quando ela consegue fazer uma escolha musical tão boa quanto Drops Of Jupiter.

MK precisa livrar-se do fantasma de All Of Me, reconectar-se com o público e criar um novo grande momento para ter uma chance de sobreviver no American Idol.

C.J. Harris – Waiting On The World To Change

https://www.youtube.com/watch?v=ilujRkQjCtQ

O timbre do C.J. é um dos que mais me agradam de todo o Top 13, mas eu estou sentindo falta de ver esse potencial traduzido em grandes apresentações.

Semana passada defendi que Radio foi necessária para que ele se livrasse do estigma só cantar músicas lentas. Mas Waiting On The World To Change eu não consigo defender. A canção do John Mayer é ótima, mas não ajudou C.J. a mostrar nada de relevante.

Sam Woolf – Just One

https://www.youtube.com/watch?v=eUH-jAQLZi4

Por mais que eu goste do Sam atrás do violão cantando músicas nesse estilo, não posso deixar passar em branco que, assim como o Caleb, ele está toda semana apresentando exatamente a mesma coisa.

Eu gosto. Eu curto esse estilo. Eu quero agora um álbum do Sam. Mas eu também sei que o que ele está fazendo é pouco para vencer o American Idol.

Malaya Watson – Take Me To The King

https://www.youtube.com/watch?v=a41F9R5VKvM

Estar no American Idol não é fácil. São muitas semanas de live shows e muitos temas diferentes. Nesse tempo, é cobrado que o candidato não faça a mesma coisa em toda semana. Mas também é cobrado que ele apresente um estilo único. É uma linha muito tênue que poucos têm inteligência para manejar bem.

Talvez David Cook tenha sido um dos que melhor conseguiram variar mantendo-se dentro de um mesmo gênero. Ele cantava de Michael Jackson à Mariah Carey sem perder a sua identidade como artista. Eram apresentações totalmente diferentes, mas todas com o seu estilo característico.

Não posso acusar Malaya de estar repetindo a si própria em toda semana, mas também não dá para aplaudi-la pela variedade. Cada semana é um estilo tão diferente do outro que fica difícil entender qual é sua proposta como artista.

Na Rush Week, sua melhor semana até agora, ela mostrou o potencial para o soul que existe na sua voz. No Top 13 ela quis extravasar energia e surgiu a bagunça que foi Runaway Baby. Agora, depois de tudo isso, ela surge com um novo visual e ataca de diva gospel. Afinal, para onde Malaya quer ir? Como público, o que eu posso esperar de um futuro álbum dela?

Se eu pudesse dar uma dica para Malaya, seria para que ela se inspirasse na trajetória do Taylor Hicks. O vencedor da 5ª temporada é aquele que tem o estilo que mais se aproxima daquele em que Malaya se sai melhor. Taylor conseguiu aliar uma personalidade divertida a ótimas performances dentro do blues e do soul. Eu não vejo caminho melhor do que esse para Malaya Watson.

Ben Briley – Turning Home

https://www.youtube.com/watch?v=ndJnTrThrHQ

Não entendi a chuva de críticas que Ben recebeu dos jurados por Turning Home. Keith disse que ele ficou tão preocupado com a técnica que esqueceu de contar a história. Discordo. Harry disse que não conseguiu se conectar. Discordo. Jennifer disse qualquer coisa e nem ligo.

Turning Home, ainda que não tenha sido tão boa quanto Folsom Prison Blues, não pode ser considerada – nem de longe – um ponto baixo na trajetória do Ben. Esse tipo de música é ideal para um futuro single dele, e é exatamente isso que espero que os candidatos me mostrem.

Para mim, Ben foi o vencedor da semana.

Majesty Rose – Fix You

https://www.youtube.com/watch?v=DPVvEj7FlAY

Titanic é um dos maiores espetáculos da história do cinema. Para realizar o filme, o diretor não poupou esforços em deixar tudo épico e grandioso. Agora, imaginem se o James Cameron, ao invés de 3 horas, só tivesse o tempo de um curta-metragem para contar uma história como essa.

Ao dar ares épicos à Fix You, senti como se Majesty estivesse tentando espremer um Titanic em dois minutos.

Nos reality shows, os participantes precisam reduzir músicas de 3, 4 ou até mesmo 5 minutos para que caibam num tempo mais curto de apresentação. Ao fazer importantes mudanças na canção que escolheu, Majesty precisava ter se dado conta de que não havia tempo para o público absorver o clímax criado para o refrão.

Poderia ter sido um grande momento para a Majesty, mas a sensação é de que ficou faltando um minutinho a mais para que ela encerrasse tão bem quanto começou.

Uma novidade desnecessária desta temporada foi mostrar, ainda no episódio de apresentações, como andava a votação on-line. Não me incomoda abrirem a votação antes do show começar porque, diferente do The Voice Brasil, o povo americano continua tendo tempo para votar mesmo após o show. Mas não é necessário dar spoilers dos resultados para o público.

Quando anunciaram os votos do primeiro grupo, Dexter aparecia em 1º, Jessica em 2º, Caleb em 3º, Jena em 4º, Alex em 5º e Emily em 6º lugar. Dexter foi um dos únicos a fazer uma boa apresentação e, ainda que surpreendente, era possível entender sua liderança. Mas ver o Alex só com o quinto lugar me fez pensar que talvez ele não seja tão bem votado quanto eu pensava.

No segundo grupo, a surpresa foi ainda maior. Eu nunca imaginaria C.J. em primeiro e Majesty em último lugar. Por mais que Majesty tivesse acabado de se apresentar, se ela fosse mesmo uma das favoritas ao título, seus fãs já estariam votando nela desde o início do programa independente da apresentação.

E se os episódios de quarta-feira andam decepcionando pela baixa qualidade das apresentações, não podemos dizer o mesmo dos de quinta. Depois de Candice Glover mostrar na semana passada porque todos devem entrar agora no iTunes e comprar o seu novo cd, esta semana foi a vez de Phillip Phillips arrebentar tudo no palco do Idol e mostrar porque, merecidamente, é um dos vencedores com a carreira mais sólida.

https://www.youtube.com/watch?v=qWT0UDP3YmI

Phillip é uma aula viva de criatividade e presença de palco para os candidatos desta temporada. E todo o Results Show foi praticamente uma homenagem a ele, já que o episódio abriu com um vídeo os participantes cantando Home.

Na hora de revelar o bottom 3, nenhuma surpresa. MK Nobilette continuou entre as menos votadas e desta vez foi acompanhada de Jena Irene e Emily Piriz.

Ryan anunciou que Emily havia sido a menos votada e, por mais que eu enxergasse certo potencial nela, preciso reconhecer que a votação foi justíssima. Emily jogou suas chances pelo ralo na escolha musical desta semana. E nem uma Jennifer Lopez louca para usar o único save da temporada em qualquer um conseguiu salvá-la.

Da última temporada para esta, o American Idol conseguiu fazer uma ótima (e importante) reforma na bancada de jurados. JLo é o elo fraco do trio, mas suas insanidades conseguem ser abafadas pela competência do Harry e do Keith. O que mais me preocupa é um Randy Jackson sozinho como mentor dos participantes. É ali que a próxima reforma precisa acontecer. E com urgência. 

Ranking de apresentações do Top 12:

1º – Turning Home – Ben Briley
2º – Lucky Man – Dexter Roberts
3º – Suddenly I See – Jena Irene
4º – White Flag – Jessica Meuse
5º – Fix You – Majesty Rose
6º – Take Me To The King – Malaya Watson
7º – Just One – Sam Woolf
8º – I Don’t Want To Be – Alex Preston
9º – Drops Of Jupiter – MK Nobilette
10º – Working Man – Caleb Johnson
11º – Waiting On The World To Change – C.J. Harris
12º – Let’s Get Loud – Emily Piriz

Torcida para o Top 11:

1º – Majesty Rose
2º – Alex Preston
3º – Sam Woolf
4º – Jessica Meuse
5º – Ben Briley
6º – Jena Irene
7º – MK Nobilette
8º – Malaya Watson
9º – C.J. Harris
10º – Caleb Johnson
11º – Dexter Roberts

Artigo anteriorGrey’s Anatomy 10×14: You’ve Got to Hide Your Love Away
Próximo artigoVeronica Mars 3×20: The Bitch is Back [Series Finale]