Uma ausência triste e inesperada.
A partir da sexta temporada, o American Idol passou a lançar semanalmente versões gravadas em estúdio das apresentações do programa. Mas onde elas estão este ano?
Ninguém sabe, ninguém viu.
Por mais que as performances ao vivo sejam o fator essencial para decidir quem merece os votos, as versões em estúdio ajudavam a mostrar mais de cada um como artista.
Imaginem o monte de gravações incríveis que podemos perder com a decisão de limar essas versões. Não consigo imaginar meu iTunes sem Always Be My Baby do David Cook ou You Give Love a Bad Name do Blake Lewis, por exemplo. O American Idol já até fez história ao lançar a versão da Haley Reinhart de Yoü and I antes mesmo da Lady Gaga.
Mais que isso. As versões em estúdio eram a única chance de termos guardadas gravações de participantes que gostamos mas nunca tiveram a chance de gravar um álbum depois do fim do reality. Se elas não existissem, até hoje não teríamos nenhum material de nomes como Joshua Ledet, Kree Harrison e Syesha Mercado.
Numa época em que o The Voice incorpora tão bem estas gravações às regras do programa, inclusive utilizando-as como método de votos, é um retrocesso o American Idol acabar com uma parte que não é essencial, mas é tão importante para tornar completa a experiência do público com o reality.
Se por um lado não temos mais as apresentações em estúdio, as “ao vivo” ainda existem e estão prontas para serem analisadas.
Dexter Roberts – Aw Naw
https://www.youtube.com/watch?v=qfmDtRdHOiQ
Dexter sempre entrega apresentações no mínimo consistentes e Aw Naw foi mais uma dessas. O problema é que, assim como todas as outras, foi absolutamente genérica. Se pegarmos todos os cantores country que já passaram pelo American Idol e batermos no liquidificador, temos o Dexter como resultado.
Acredito que provavelmente o próprio candidato não se conhece tão bem como artista. Assim como existe um monte de menina que sempre ouviu Whitney e por isso quer ser Whitney, Dexter é aquele cantor que cresceu banhado por influências country e que as seguiu sem criar uma identidade própria.
Malaya Watson – Runaway Baby
https://www.youtube.com/watch?v=cw4hyxDQCCE
Em teoria, Runaway Baby seria uma escolha muito boa para Malaya. A música do Bruno Mars era perfeita para que ela mostrasse sua voz e extravasasse sua energia no palco, de forma parecida com que Joshua Ledet fez há dois anos. Mas não teve nada – um verso sequer da canção – que tenha funcionado em sua voz.
Malaya deu muita sorte por essa apresentação ter vindo neste momento da competição. Se fosse semana passada, em que vários concorrentes foram eliminados de uma só vez, ela teria sido colocada no mesmo balaio da vergonha que Marrialle Sellars com seu Roar e teria ido direto para casa.
Kristen O’Connor – Beautiful Disaster
https://www.youtube.com/watch?v=XRTP4dzqY7E
Cantar músicas de antigos vencedores é um risco, pois comparações sempre são inevitáveis. Ainda mais se essa vencedora for Kelly Clarkson, que é uma das maiores artistas que o American Idol já produziu. E ainda mais se você for Kristen O’Connor, que não tem metade da voz ou do carisma da cantora original.
Pelo menos não podemos acusar Kristen de não ter uma boa consciência de si própria. Numa semana em que o tema é “This Is Me”, não existia escolha mais acertada para defini-la do que Beautiful Disaster.
Ben Briley – Folsom Prison Blues
https://www.youtube.com/watch?v=_xXyJeiBJn0
Existem apresentações em que todos os elementos se complementam para somar forças e deixar tudo ainda melhor. Folsom Prison Blues foi uma delas.
Se tivéssemos só o Ben cantando esta ótima versão “créu velocidade 100” da música, ainda assim seria uma boa performance. Mas todo o cuidado de staging, com a banda na contra-luz para que só aparecessem suas sombras e a granulação de cinema antigo no vídeo exibido ao fundo, fez com que o público imergisse na situação apresentada e aproveitasse ainda mais esta ótima apresentação.
C.J. Harris – Radio
https://www.youtube.com/watch?v=f1IuKBjpuc4
Quando, ao final da temporada, olharmos toda a trajetória do C.J., Radio provavelmente mal será lembrada. A música não apresenta nenhum dos elementos necessários para fazer uma apresentação marcante. Mas ainda assim, considero ela bem-vinda e necessária.
C.J. vinha até agora de uma série de performances melancólicas, e por isso ele precisava mostrar que também é capaz de fazer algo leve, descontraído e com o único intuito de proporcionar um bom momento a quem está assistindo. E nessa tarefa ele foi muito bem sucedido.
MK Nobilette – Satisfaction
https://www.youtube.com/watch?v=YZ-AsogtesM
Depois do grande momento que teve na semana passada, MK precisava mostrar que aquele não havia sido um golpe de sorte e que ela é uma concorrente capaz de manter uma trajetória consistente. Mas não foi dessa vez que conseguiu.
Satisfaction não foi ruim, mas em sua falta de relevância, representa um retrocesso. Eu sigo esperando algo que traga a mesma surpresa e carga de emoção que All of Me.
Majesty Rose – Tightrope
https://www.youtube.com/watch?v=asvVOwfvIM8
Tightrope é uma canção melodicamente muito simples e, por isso, um risco para quem decidisse cantá-la. Mas Majesty chegou, assumiu o risco e fez a melhor apresentação da semana. Como não se contagiar com toda a energia que ela levou para aquele palco? Como não apreciar cada nota e cada passinho de dança?
No início da temporada, eu via Majesty como uma versão mais jovem da Corinne Bailey Rae. Mas a cantora vem mostrando tantas novas camadas a cada semana que é impossível não se empolgar e criar grandes expectativas com tudo que ainda vem pela frente. Hoje, com muitos méritos, Majesty é dona da minha torcida.
Jena Irene – The Scientist
https://www.youtube.com/watch?v=dad9zEuLrvs
Gostei muito dos primeiros versos da Jena em The Scientist. Ali, tive esperanças de que ela finalmente entregaria a grande apresentação que está devendo. Porém, ao gritar o refrão, ela levou embora toda a delicadeza que a música pede.
Jena é uma grande promessa que está demorando tempo demais a se cumprir. Ela precisa tomar cuidado para não perder o momento e acabar eliminada antes de mostrar do que é capaz de verdade.
Alex Preston – A Beautiful Mess
https://www.youtube.com/watch?v=96_n2SLGugs
Com a presença da caravana do X Factor na plateia torcendo por ele (inclusive Jillian, que não larga o osso dos realities), Alex entregou mais uma apresentação em que mostra que, muitas vezes, menos é mais.
Por isso, discordo totalmente do Harry Connick Jr. ao criticar a introspecção da performance. Alex é aquele tipo de artista que, a sua própria maneira, consegue fazer o público imergir para dentro de seu mundo. E a cada semana gosto mais de conhecer o mundo de Alex Preston.
Jessica Meuse – The Crow & The Butterfly
https://www.youtube.com/watch?v=VU819DoNQdA
Assim como Jena, Jessica era mais um potencial do que de fato um resultado concreto. Não mais.
Fico extremamente feliz em vê-la fazendo uma escolha tão boa. Ao emprestar sua voz a The Crow & The Butterfly, Jessica mostrou que a Stevie Nicks adormecida dentro dela ainda vive e trouxe uma originalidade à canção que me fez lamentar ainda mais o fato de não termos versões em estúdio esse ano.
Jessica ainda precisa trabalhar sua postura no palco e concordo com o Harry quando ele disse que as borboletas mais distraíram do que ajudaram, mas estes foram detalhes pequenos em meio da beleza que foi essa apresentação.
Emily Piriz – Glitter In The Air
https://www.youtube.com/watch?v=cdy7SQ0TOCU
Por mais que todo o discurso do Keith Urban sobre o yin e yang tenha parecido confuso, ele me ajudou a entender exatamente o porque de eu não ter conseguido apreciar mais a apresentação da Emily.
Enquanto a P!nk, com seu visual e sua interpretação, traz um contraponto que dá novas camadas ao que está sendo dito, Emily entrega apenas uma performance superficial, ainda que bem cantada.
Sem contar que, depois da apresentação no Grammy de 2010, fica difícil alguém cantar essa música e causar algum impacto.
Sam Woolf – Unwell
https://www.youtube.com/watch?v=PbRKvCKtLFs
Talvez o maior motivo para eu ter gostado tanto dessa apresentação é que esse é o tipo de música que inunda o meu iTunes e que faz com que eu pare numa estação de rádio.
Sam não é o tipo de participante que vai impressionar com grandes vocais ou com interpretações arrojadas, mas sei que ele é aquele candidato que, ao fim do programa, vai gravar exatamente o que gosto de ouvir.
Caleb Johnson – Pressure and Time
https://www.youtube.com/watch?v=iMGQc_dnvE8
O rock ‘n’ roll sempre foi um estilo ligado a transgressões, a quebra de regras e experimentações. Por isso me incomoda tanto ver Caleb Johnson ser levado a sério como “roqueiro”. Ao emular trejeitos de grandes vocalistas que ajudaram a construir o rock, Caleb se torna apenas uma caricatura do estilo que reverencia.
Agradeço ao Harry Connick Jr. por evitar o primeiro standing ovation geral da temporada para uma apresentação que está longe – mas muito longe – de merecer isso.
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No Results Show tivemos apresentação em grupo de Counting Stars e Radioactive, opiniões irrelevantes do Randy Jackson, apresentação do Jake Bugg, curiosidades em 20 segundos sobre os jurados, etc etc. Mas quem liga para tudo isso quando Candice Glover está de volta ao palco do Idol para cantar seus dois primeiros singles?
https://www.youtube.com/watch?v=tm9w2doubWY
Depois de toda a lambança que a gravadora fez no lançamento do álbum dela (com diversos atrasos e envio de arquivos errados aos compradores), fico satisfeito em ouvir um CD tão bom e consistente como resultado. Ela provavelmente não alcançará um resultado em vendas tão bom quanto antigas vencedoras, mas Candice pode ao menos orgulhar-se por cumprir a missão de entregar aos seus fãs um álbum espetacular da primeira à última faixa.
Voltando ao episódio, achei bacana ver o programa focando um pouco mais nos bastidores. Ao acompanhar cenas dos participantes na van e no jantar logo após o show, podemos conhecê-los melhor e fortalecer torcidas com base também na personalidade de cada um.
No bottom 3, fiquei surpreso e desapontado com a presença de MK Nobilette. Malaya Watson e Kristen O’Connor fizeram por merecer estar entre as menos votadas, mas MK, ainda que não tenha sido sua melhor semana, deveria estar salva. Felizmente, ela foi a primeira a ser mandada de volta para o sofá e, entre as duas que restaram, Ryan anunciou que era Kristen que corria o risco de deixar a competição.
Ufa.
A cantora repetiu Turning Tables enquanto os jurados fingiam debater algo. Após a canção, eu não sei se o Harry quis apenas aliviar a situação ou se havia mesmo algum jurado (ou jurada, pois sei bem quem faria esse tipo de coisa) disposto a cometer a insanidade de usar o único save da temporada em Kristen. Mas a sensatez prevaleceu e Kristen O’Connor foi a primeira eliminada do Top 13.
Justo. Justíssimo.
Ranking de apresentações do Top 13:
1º – Tightrope – Majesty Rose
2º – The Crow & The Butterfly – Jessica Meuse
3º – Unwell – Sam Woolf
4º – Folsom Prison Blues – Ben Briley
5º – A Beautiful Mess – Alex Preston
6º – Radio – C.J. Harris
7º – Glitter In The Air – Emily Piriz
8º – Satisfaction – MK Nobilette
9º – Pressure and Time – Caleb Johnson
10º – The Scientist – Jena Irene
11º – Aw Naw – Dexter Roberts
12º – Beautiful Disaster – Kristen O’Connor
13º – Runaway Baby – Malaya Watson
Torcida para o Top 12:
1º – Majesty Rose
2º – Alex Preston
3º – Sam Woolf
4º – Jessica Meuse
5º – Ben Briley
6º – C.J. Harris
7º – MK Nobilette
8º – Emily Piriz
9º – Malaya Watson
10º – Jena Irene
11º – Caleb Johnson
12º – Dexter Roberts













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