Ficou difícil defender. Essa é a única afirmação possível a se fazer sobre esse miolo de temporada de “American Gods”. Entre pequenos momentos de genialidade e grandes partes de puro tédio, é nesse segundo elemento em que a balança pesou em mais uma semana de exibição.
Uma nação construída pela guerra e pelo dinheiro. A introdução desse episódio mais uma vez constrói uma crítica ácida sobre a sociedade americana, mostrando que o nascimento do país se deu sempre em algum alicerce cultuado ferrenhamente pelo seu povo, mas igualmente rechaçado na tentativa de construção da imagem de baluartes da liberdade mundial. O problema é que tudo acabou descambando num triângulo amoroso divino insosso, que nem o elaborado teatro de sombras conseguiu salvar. Toda a tensão e imbróglio desenvolvido entre Odin e Demeter foi facilmente encerrada. Se visualmente foi tocante e poética, narrativamente foi fraca e desinteressante.

Desinteressante também foi essa transformação do Technical Boy. Tal qual um Pinóquio tecnológico, o deus conhecido pelo seu humor seco e misantropia, vai se tornando cada vez mais humano após seu encontro com Bilquis. Poderia ser uma chance para construir um background interessante para o surgimento dos Novos Deuses, mas acabou sendo uma caricatura dramática, com direito a artefato secreto. De elementos que podem ser salvos, somente a ligação de Mr World (desta vez na pele de Danny Trejo) para um misterioso aliado, trocando informações contraproducentes, indicando algo que algo além da guerra entre os deuses está em curso.

Em Lakeside, Shadow continua sua vida em cor de rosa (ou melhor dizendo, rosa millennial) flertando com Marguerite e dançando “Poison” no máximo volume de seu boombox, enquanto paga um shirtless deslocado, já que o clima da cidade fica cada vez mais frio. Nem o surgimento de Laura conseguiu atrapalhar essa vibe “gratiluz” do personagem. Enquanto isso a população vai acumulando pressão após o sumiço da garota, o que pode desencadear algo que mexerá profundamente com o cotidiano pacato do local. Porque entre ociosidade e medo, é só questão de tempo até que alguém cometa um ato impensado em nome da segurança.
Entre retornos do passado e despedidas do presente, “American Gods” mais uma vez se embanana no meio de campo e perde o controle de sua trama, entregando algo muito aquém do que a série já entregou.





















