Mais uma semana e mais uma vez “American Gods” apresenta um episódio filler. Na segunda temporada tivemos a guinada da mudança de comando, assim como nessa, mas não houve tanto tempo perdido em colocar a narrativa no caminho idealizado pelo showrunner da vez. Charles Eglee vai tomando mais tempo para definir a sua direção criativa e com isso a série vai perdendo mais e mais tempo (e força) para colocar os personagens em seus devidos lugares.

Lakeside vai se confirmando como a típica cidade do interior americano que aparenta ser muito mais do que é. Afinal, estamos falando de algo baseado numa obra de Neil Gaiman, então camadas são esperadas, mas o clima apresentando nesse episódio foi enfadonho. Sabemos das origens nórdicas, sabemos da índole e da segurança apresentadas pelos moradores do local. Até a aposta do carro no lago foi replicada aqui, mas o clima de estranheza que permeia essas camadas não foram aplicados.

Venhamos e convenhamos, a história base nunca foi repleta de batalhas épicas e sim dos relacionamentos construídos pelos seus personagens. Desde o começo sabemos que a narrativa vai seguir as ambições, medos e angústias dos deuses e humanos envolvidos no conflito. A série de televisão ao mudar o meio da narrativa acabou vendendo algo repleto de ação, mas como pretende retratar o mais fielmente possível a obra de origem, acabou frustrando os espectadores que esperavam (e ainda continuam esperando) um embate épico entre as duas forças divinas opostas.

Ao invés disso somos apresentados a momentos que isoladamente possuem impacto, mas que no contexto geral não apresentam nada demais. Claro, houveram avanços (significativos até), mas que dentro do clima escolhido para essa season não são tão sentidos assim. O funeral repleto de deidades eslavicas colocou mais alguns pontos no papel que Shadow desempenhará no futuro, mas tudo foi eclipsado pelo clima de comédia regado na vodca e troca de tapas. A origem verdadeira da cidade, com um interessante contexto de destruição e assimilação cultural (que espero eu seja melhor retratado no futuro), foi jogado de maneira confusa (até pros padrões crípticos da série).

No entanto, entre erros houveram alguns acertos. O plot de Bilquis promete caminhar para uma busca de suas origens e isso pode respingar na origem do próprio Shadow Moon o que fica claro naquelas visões do corredor de supermercado astral. Outro acerto foi, mesmo em meio a confusão da apresentação do plot, dar espaço para que as divindades nativo americanas comecem a florescer com mais força na trama, numa outra ligação com o filho de Marguerite Olsen (Lela Loren), devido a todas as dicas imagéticas envolvidas em sua morte e lembranças.

Ainda colocando ordem na casa, “American Gods” vai tentando, assim como quem assiste, colocar as peças na ordem correta para que tudo funcione. Mas ao demandar muito tempo para isso, vai perdendo o interesse de sua revelação final.

Pequeno Panteão

– Tyr (Interpretado por Denis O’Hare)

Origem: nórdica

Tyr é o deus aesir do combate, da luz, do céu e dos juramentos. Filho do gigante Hymir, foi precursor de Odin no papel de deus da guerra. Após a ascensão de Odin ao papel de rei dos deuses nórdicos, passou a ser considerado filho do mesmo, devido a sua coragem e heroísmo em batalha. Perdeu a mão direita ao colocá-la na boca de Fenrir, único modo de deixar o lobo monstruoso quieto para ser preso. Seu símbolo é uma lança, que representa a justiça para os nórdicos.

Anotações de Ibis 1: Aparentemente Mousa Kraish também abandonou o barco, já que o plot do término com  Salim (Omid Abtahi) foi a coisa mais jogada na trama que eu vi até agora.

REVISÃO GERAL
Nota:
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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.
american-gods-3x02-serious-moonlight“American Gods” vai tentando, assim como quem assiste, colocar as peças na ordem correta para que tudo funcione.