Após o fim da Fase 3 com “Homem-Aranha: Longe de Casa” (Sim, Ultimato não é o fim da Fase 3) e 1 ano e meio sem novos conteúdos devido aos vários adiamentos, o MCU finalmente faz seu retorno, de maneira inovadora e extremamente ousada!
“WandaVision” é o projeto que inicia a Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel após o apoteótico fim da Fase 3, e é também a primeira série do MCU a fazer sua estreia no Disney+, ou seja, a responsabilidade não poderia ser maior. Uma das críticas sempre feitas acerca dos filmes da Marvel (apesar das recepções sempre positivas) é de que o Estúdio não se arrisca em seus projetos, usando sempre uma mesma fórmula. Eu não concordo muito com esta afirmação, acredito que existem claras diferenças de fórmula entre filmes como “Pantera Negra” e “Guardiões da Galáxia” por exemplo, mas é inegável que as estruturas dos longas são sempre similares, e este é o maior trunfo deste começo de “Wandavision”, seu formato inovador, completamente diferente de tudo já feito em produções baseadas em quadrinhos.
O rumo que a série deve seguir não é um mistério, nós sabemos que o final desta história deve resgatar o famoso Clímax de terceiro ato de um filme de Herói (os próprios Trailers indicam isto), mas dar o pontapé inicial desta nova fase, sem lutas, efeitos visuais e “Set Pieces grandiosas” é muito corajoso. Entendo completamente a antecipação pelo um final epopeico prometido, mas acho que este é o momento de focar na diversão e apenas curtir algumas semanas na bem humorada e estranha Westview! Estes dois episódios são realmente a introdução desta história que só deve ficar mais esquisita com o passar do tempo. No piloto, que referencia as comédias da Década de ’50 como “The Dick Van Dyke Show” e “I Love Lucy”, vemos o início desta jornada bizarra de Wanda e Visão vivendo uma vida “normal” no subúrbio, ao mesmo tempo em que algo muito errado está obviamente acontecendo.

Os episódios não só tem a exata estrutura de uma Sitcom Clássica, com uma história de 20 e poucos minutos, com começo, meio e fim, mas os próprios Plots dos episódios, um jantar entre um funcionário e seu chefe, em que vários problemas acontecem, no caso do piloto, também é um clássico! E quantas séries você já assistiu em que um personagem não sabe, ou é mantido em segredo da audiência, qual é o seu trabalho? O tipo de humor mais bobo e simplório usado aqui também é uma perfeita emulação da comédia de outrora, só que sem deixar de ser divertido. Os capítulos são apresentados em preto e branco e no formato 4:3 (que já tem um charme próprio), e o piloto foi filmado, inclusive, com platéia! Também são usados “técnicas visuais” da época, como quando Wanda faz os utensílios da cozinha e os alimentos levitarem, visivelmente com o auxílio de cabos. É realmente incrível como todos estes elementos são usados de maneira orgânica. Em momento algum parece que a série está forçando as referências, até porque a maioria da audiência já tem familiaridade com aquilo, mesmo que não diretamente com aquelas séries. Outra coisa que me chamou atenção foi a forma como a direção escolhe mostrar quando algo estranho está acontecendo. Sitcoms são sempre filmadas em Sets, com câmeras mais distantes que capturam todo o ambiente e pouquíssimos Close-Ups. O diretor Matt Shakman usa este elemento para contar a história! Quando a estranheza domina o jantar, nota-se que a maneira como p episódio é filmado muda, passando para uma câmera mais intimista e “moderna”, lembrando como os filmes são filmados, por exemplo. Genial! Isso sem falar nas propagandas, que não só replicam perfeitamente as da época, mas trazem Easter-Eggs muito interessantes!
No segundo capítulo, o Plot volta a ser reconhecível: Aquela famosa história da mulher que precisa impressionar a “líder” das mães do bairro, que tem todas as conexões e influências. Eu não consigo contar quantas Sitcoms já usaram um plot parecido com este. As referências agora são dos Anos ’60, e começam com a abertura do episódio, uma clara homenagem a série “A Feiticeira”, que usava cartoons dos personagens no começo de todos os episódios. Voltando a falar da história em si, o casal, com o objetivo de impressionar Dottie, bola uma apresentação de Mágica, que vai se complicando pelo estado “alterado” de Visão. Isso também acaba sendo um aceno as formas como as produções de antigamente precisavam “mascarar” elementos que não eram aceitos na televisão daquela época. Visão está claramente embriagado durante o episódio, mas o roteiro usa um chiclete no lugar da bebida, o que instantaneamente torna a piada “Family Friendly”. É algo pequeno, mas mostra como os roteiristas da série realmente conhecem as características dos seriados que referenciam.

Outro ponto forte é o carisma e a química de Paul Bettany e Elizabeth Olsen, que trazem leveza a estes personagens que sempre foram retratados de maneira séria nos filmes em que participaram. Ambos conseguem emular os trejeitos e entregar a comédia física das épocas referenciadas perfeitamente. É incrível poder ver estes dois ótimos atores tendo possibilidades de atuação completamente novas com estes personagens. O elenco secundário também não perde em nada. Kathryn Hahn (Parks & Recreation) vive Agnes, a vizinha do lado direito (a minha direita, não a sua direita) extremamente forçada e divertida, responsável pelos diálogos levemente machistas que não deixam de ser outro retrato da época.
E em meio a esse mar de humor e referências, a série começa a plantar as pistas de uma vindoura reviravolta. Já foi confirmado que a atriz Teyonah Parris (Geraldine) é Monica Rambeau, heroína das HQ’s que apareceu no MCU em “Capitã Marvel” como criança, e deve ser usada aqui como uma Agente da S.W.O.R.D. Falando nisso, a voz que Wanda ouve no rádio também já foi confirmada como a de Jimmy Woo (Randall Park), um personagem que já fez sua estreia no MCU em “Homem Formiga e a Vespa”, e que também deve ser revelado como um agente da S.W.O.R.D, visto que o logotipo da Agência aparece em uma tela no fim do episódio, no Helicóptero de brinquedo vermelho que chama a atenção de Wanda, e em alguns outros lugares. Mas vamos deixar esse papo para quando a série realmente apresentar a organização. Antes do fim do segundo episódio, temos o momento mais misterioso até então, quando o casal se depara com um homem saindo de um bueiro com uma roupa de Apicultor, novamente com o logo da organização mencionada acima. O mais interessante aqui é que Wanda parece entender o que está acontecendo, quando ela vê o tal homem e dá um “Rewind”, voltando a falsa normalidade. Isso dá a entender que Wanda é a causadora disso tudo, mas esta possibilidade também parece improvável quando se lembra que a heroína parecia bem e conformada com a morte de Visão no fim de “Vingadores: Ultimato”, o que seria a causa mais provável e teorizada. A teoria que vem sendo mais falada é a de que Mephisto (basicamente o Diabo da Marvel) pode ser o causador de tudo, o que pode ser bem provável visto que já é confirmado que a Feiticeira Escarlate terá um grande papel em “Doutor Estranho: No Multiverso da Loucura”, filme que pode muito bem ter Mephisto como vilão principal. Tudo se encaixaria…
Após o “Rewind”, o episódio termina com uma cena muito interessante. É revelada a gravidez de Wanda, o que pode indicar uma “Potencialização desta família perfeita”, talvez uma forma de proteção criada por Wanda a algum trauma. O cenário e os personagens mudam e ganham cores, indicando a passagem da série para a década de ’70, que será retratada no próximo episódio. No fim, “WandaVision” abre a Fase 4 do MCU de maneira ousada, bem humorada, e com mistérios e referências a rodo, deixando o espectador ansioso pelo que vem a seguir.















