Seis temporadas e Agents of S.H.I.E.L.D. começa a ficar mais experimental do que nunca. Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. sempre foi uma série propensa a tomar riscos. Desde o final de sua primeira temporada, com a revelação de que o grupo nazista, Hydra, havia infiltrado a agência de espionagem, que nos deparamos com inúmeras possibilidades para a série, várias delas surpreendentes, como por exemplo, o Framework. Seis anos depois e Agents decidiu, com uma dupla de episódios bem diferentes, mostrar que tem algumas surpresas na manga, mesmo que uma delas não tenha realmente funcionado muito bem.

Ser experimental em seu sexto ano é uma escolha um pouco inusitada, mas bem adequada para Agents, dado o histórico da produção. Uma série que sempre flertou com diferentes aspectos da ficção cientifica, tê-la viajando para outros planetas, apresentando alienígenas e um cassino no espaço, não é nada surpreendente. E a produção está fazendo o possível para que não exista a sensação de surpresa, do desconhecido. Este é, afinal, o mundo que “recepcionou” os Chiaturi durante a invasão de Nova York, que apresentou Thor e outros “deuses alienígenas”, que trouxe Thanos e seu exército, além dos experimentos dos Kree, todos representados de uma forma ou de outra dentro do escopo menos reconhecido da série de TV. Ver nossos agentes reagindo com surpresa em uma aventura espacial seria nada aceitável, por isso fico feliz que o roteiro não esteja trabalhando esses aspectos como algo digno de nota. É o comum de MAoS.

Contudo, mesmo ao trabalhar com corriqueira normalidade com o desconhecido, o terceiro episódio da temporada, Fear And Loathing On The Planet Of Kitson, conseguiu brincar muito com os elementos do sci-fi espacial e terminou inserindo uma dose cavalar de comédia dentro deste mix. O resultado, apesar de interessante, terminou retirando muito da seriedade do que já estava em jogo. Existiu uma mudança de foco e direcionamento bem grande dentro deste capítulo da série. Não em termos de missão, já que ela permanece a mesma, mas em abordagem. Experimentando com uma comédia mais pastelão e visuais bem alternativos, Agents colocou Daisy e Jemma em uma viagem de ácido, apenas para mostrar que dentro desta sexta temporada, tudo é possível.

O episódio, que poderia ter trabalhado mais a tensão entre Daisy e Jemma, decidiu por colocá-las em uma atmosfera tão leve, que beirou o ridículo. Veja bem, não tenho nenhum problema com a comédia sem responsabilidades, é ótimo rir e a cena das duas viajando em ácido alienígena foi engraçada – além de ter oferecido um terreno novo para Chloe Bennet e Elizabeth Henstridge brincarem, após uma quinta temporada tão sombria, mas eu realmente preferia um pouco mais de desenvolvimento entre as duas, já que sentimentalmente ambas não estão tão amigas assim – Jemma chegou ao ponto de ameaçar a Daisy no episódio, para logo depois mergulhar no buraco do coelho após uma conversa com a lagarta do Mundo das Maravilhas.

Contudo a parte do cassino, em especial o avanço sentimental do Enoch, um personagem que não parecia ter muito para oferecer no passado, compensou pelos desvios engraçados, mas desnecessários. É a típica história do robô com sentimentos que você já deve ter acompanhado em algum desenho da Disney/Pixar, que ainda está inocentemente aprendendo como a humanidade pode ser má e enganosa, mesmo entre amigos. Não é nenhuma reinvenção da roda, mas em um capítulo que prezou por diversão sem propósitos este pode ser considerado o maior avanço e de mais relevância. Também ajuda que os caçadores sejam outros Chronicoms, menos passivos e amigáveis que o Enoch. É uma oportunidade de entender mais dessa raça de criaturas, enquanto nossos personagens favoritos embarcam em uma aventura espacial mais “pesada”.

E se a tentativa de ser mais engraçada e sem peso funcionou para o terceiro episódio, Code Yellow, o quarto, derrapou muito e quase não conseguiu ficar de pé. Com o retorno do Deke, após uma despedida misteriosa em The End, da temporada passada, vemos novamente Agents alongando seus músculos do estranho, mas dessa vez de forma menos interessante. Do começo no novo Framework, para a cena com a Daisy virtual e a eventual “encarada” na câmera digna de The Office, é seguro dizer que a renovação surpresa deixou os roteiristas da série com uma missão de tornar tudo muito mais leve, ao ponto de deixar a produção irreconhecível em determinados momentos.

Entendo perfeitamente a necessidade de criar um pouco mais de leveza, especialmente após a temporada anterior, que matou o Coulson e Fitz, transformou o Talbot em um vilão e cortou os braços da Yo Yo – além do retorno do Doutor com a Daisy sendo torturada, mas Code Yellow beirou o ridículo. Então mesmo que Sequoia, interpretada por Maurissa Tancharoen (showrunner da série), tenha sido legal, todo o resto ao redor do Deke foi uma grande barra forçada. Sim, tivemos algumas informações relevantes, como o fato de que o time do Sarge estão caçando “zumbis” criados por parasitas alados alienígenas e que a leitura de energia do Deke (que assim como o Fitz, não pertence a este tempo) despertou o interesse do grupo, mas é bom deixar claro que a comédia desproposital precisa ser limitada e até o momento já tivemos doses bem grandes deste “veneno”.

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Mas mesmo essa revelação terminou um pouco apressada e com importância reduzida, já que o foco do episódio foi o Deke. Apressada também foi a morte do Keller, que mal tivemos tempo de conhecer para formar uma conexão e consequente preocupação por sua morte. Sim, o personagem parecia interessante e seu relacionamento com Yo Yo algo que eu queria ter acompanhado por mais tempo, mas a redução de episódio de Agents talvez esteja forçando uma pisada firme no acelerador, uma que não está tão satisfatória assim. No território da ação conseguimos ótimas cenas, além do Mack, finalmente, liberando um pouco do seu lado mais agressivo. Contudo, em termos gerais, Agents precisa logo definir o curso de sua história, porque eu consigo perdoar uma piada, se ela for boa. Deke correndo por aí como um homem que ainda não amadureceu (e apenas ficou mais infantil, já é mais difícil de desculpar.

REVISÃO GERAL
Nota:
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