Com grande velocidade, Agents of SHIELD apresenta mais da sua trama e centraliza seus personagens, mesmo aqueles que estão do outro lado do universo. Quando nos despedimos dos agentes no episódio passado, parte da história ainda estava envolvida em mistério. Window Of Opportunity não entrega todas as respostas, mas conseguiu nos passar o máximo de informações que um segundo capítulo de temporada poderia revelar. Com o foco no Sarge e sua equipe, o episódio não tentou explicar muito sobre os eventos que estamos acompanhando, mas deixou bem claro o que está motivando esse grupo de, até o momento, vilões.
Sempre gosto de acompanhar como séries que tem episódios reduzidos de uma temporada para a outra, lidam com a redução. Algumas literalmente correm contra o tempo, já outras fazem pouco durante o começo para inundar o telespectador nos momentos finais – estou olhando para vocês, finadas séries da Marvel Netflix. Agents, contudo, pegou o conceito de sua temporada e explicou, com pequenas falas e interações, o que compõe esse grupo de novos personagens. A todo momento recebemos informações que não são expositivas, mas que complementam o que precisamos saber.
Sarge e seu time lidam com a missão como uma espécie de trabalho. E é dentro das interações entre esse grupo que retiramos informações valiosas. O ‘fake’ Coulson diz que é possível saber muito sobre a moeda de um mundo, mostrando que eles já estiveram em outros. Da mesma maneira que um dos integrantes diz não ter respirado sua própria atmosfera em 10 anos, nos dando uma janela de tempo de operações destas pessoas, assim como uma estimativa de quantos planetas eles destruíram, informação essa dada pelo Dr. Benson. Colocar o que precisamos ouvir dentro de pequenas interações é o que fez de Agents uma produção tão bem estruturada. Os diálogos de explicações existem, mais presentes durante a primeira temporada, mas não são exaustivos e a cada turno, como outras produções do gênero usualmente abusam, por tratarem de elementos científicos ou fantásticos.
E por ser mais leve em informações, Window of Opportunity termina não sendo tão abarrotado em movimento. Poucos personagens realmente avançam para algum lugar, tudo é dedicado a explorar para onde estamos indo, do que efetivamente nos levar para lá. Por estarmos lidando com um personagem novo que está usando o rosto, voz e DNA de Phil Coulson, o roteiro fez questão de trabalhar com maior destaque o que realmente importa aqui, o Sarge. Claro, ainda estamos ansiosos para o encontro entre Fitz e Simmons (um padrão que se repete deste sempre), assim como as aventuras desta parte do time do outro lado do universo, mas o mistério central da temporada gira ao redor do Sarge, seu time e também o que os está motivando a, aparentemente, destruir outras terras.
O próprio conceito do multiverso sendo explorado como um “salto” entre realidades termina nos deixando mais investidos neste lado da história do que nas aventuras espaciais, que carregam apelo, mas por enquanto estão sendo seguradas apenas pela presença dos personagens que gostamos, muito mais do que pelo restante. Logo, o foco dado para Fitz e Enoch, mesmo sendo divertido, não faz muito por essa ramificação da trama. É apenas interessante, mas não oferece repostas, tão pouco direcionamento, já que ali não temos um grande vilão e a missão se resume a todo mundo se encontrar no final.
Claro que em se tratando de um personagem como Coulson as personagens mais afetadas por seu retorno, ou a presença de uma outra versão, são May e Daisy. Como Daisy está no espaço procurando Fitz (e sendo enganada pela Jemma), sobra para May carregar o peso emocional do reencontro, assim como os sentimentos que ela tem por ele, o amor de sua vida (desculpa Andrew), que ela diz ter visto morrer, mas que voltou de uma maneira bem mais sádica. É interessante ver como a série lida com essa ramificação emocional da personagem, que por muito tempo foi usada apenas como um tanque. Já tivemos uma noção do que May (Ming-Na Wen) é capaz e apesar de não termos conseguido testemunhar seu processo de luto, vê-la lidando com as emoções ao descobrir que aquele Coulson não é um LMD, mas sim uma pessoa com o DNA do Coulson que ela pensou ter visto morrer, é um avanço bem-vindo.
Também é por causa da May que temos as belas cenas de ação da série, dirigidas pelo já veterano de MAoS, Kevin Tancharoen. A cena do roubo da joalheria foi incrivelmente divertida e a luta dentro do caminhão, especial. É um daqueles momentos que nós, que acompanhamos o MCU religiosamente, podemos fantasiar entre um possível embate entre May e Viúva Negra (que Vormir guarde sua alma). A luta também é carregada de personalidade, uma coisa que por vezes é necessário dentro de uma série que mantém na ação parte do seu apelo. Temos movimentação no cenário de um cenário que se movimenta, deixando tudo bem mais dinâmico e bonito de ver.
Já a porção com o Fitz não serve para muita coisa, além de realmente nos mostrar o que ele está fazendo e como o personagem conseguiu sobreviver após ter sua nave cortada ao meio. É uma interessante jornada dentro do lado cósmico do MCU, mesmo que não ofereça nenhuma conexão com o que já vimos em, por exemplo, Guardiões da Galáxia – além da origem das lesmas. Sabemos que Fitz é inteligente, que Enoch é engraçado pelos motivos não usuais e que Jemma está a procura desta versão do amor da sua vida. É essencialmente o que precisamos ter conhecimento e o que o episódio reafirma, já que não serve para muita coisa além disso. O que Window Of Opportunity deixa bem claro, porém, é que Agents of S.H.I.E.L.D. hoje já não tem conexão nenhuma com os eventos do MCU, e nem precisa mais.
Easter eggs e outras informações
– Xandar é o nome do planeta apresentado em Guardiões da Galáxia 1, lugar onde vive a Tropa Nova e que foi dizimado por Thanos quando ele saiu em busca das joias do infinito. Logo, podemos assumir que a lesma xandariana veio de lá.
– P.E.G.S., que o time do Sarge estava procurando, existem e são conhecidos como cristais de piezoeletricidade, onde cristais como quartzo, após pressão mecânica, geram energia. Ou quando você aplica energia neste cristal, ele muda de forma.
> GAME OF THRONES O Fim! (Comentários do episódio 8×06)
– Window of Opportunity é o primeiro episódio de Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. em que Phil Coulson não aparece, em corpo, memória ou holograma.















