Agents of S.H.I.E.L.D. cria tensão em The Devil Complex, um dos melhores episódios da série.
Orçamento é um problema apenas quando seu time de roteiristas não é criativo o suficiente. Após o fim da quarta temporada, uma que abusou de carros em chamas, explosões e efeitos visuais bem trabalhados, Agents, em sua infeliz baixa audiência, recebeu uma nova chance, mas com um severo corte nos custos de produção. O quinto ano começou, os efeitos continuaram robustos, porém o clima de uma produção já não tão abastada começou a apontar. Poucas cenas externas, muita repetição de cenários e cenas de ação mais simples demonstraram que a série já não estava mais andando com as mesmas pernas de dois anos atrás. Contudo, assim como fez em 4722 Hours, na terceira temporada, Agents of S.H.I.E.L.D. provou que o menos é mais quando seu roteiro é forte o bastante.
Desde a primeira temporada, quando Ward prendeu Jemma e Fitz em um container e os arremessou no oceano, Leopold Fitz não é a mesma pessoa. Após sofrer danos físicos causados pela falta de oxigênio, Fitz lutou para reestabelecer a si mesmo, assim como vencer os limites impostos pelo “acidente”. E por boa parte do segundo ano acompanhamos o personagem procurando por sua estabilidade. Em The Devil Complex temos novamente um Fitz fragilizado e assombrado pela imagem do ‘Doutor’, a manifestação de seus impulsos mais sombrios. E como vimos em Shadows, episódio em que é revelado que a Jemma que Fitz conversava era uma manifestação de sua mente, o twist deste décimo quarto capítulo foi totalmente estarrecedor.
E tudo começa com Iain de Caestecker e maneira que o ator construiu Fitz através destes cinco anos, inicialmente de maneira inocente, depois quebrado e lentamente com uma nova faceta, até a chegada do Doutor. O trabalho do ator dentro da série e em especial nesta e na temporada passada tem sido, sem sombra de dúvidas, um dos pontos altos de Agents, uma série conhecida por ter diversos no caixa. Dentro do episódio, desde a primeira aparição do Doutor como uma manifestação da dimensão do medo, a maneira que Fitz reagiu apenas cimentou a maravilhosa interpretação de Iain. A crescente de medo até a revelação de que na verdade não existiu nenhuma manifestação e tudo não passava de uma parte da personalidade do Fitz que continuava com ele desde a saída do Framework, criou um momento de tensão especial para o episódio.
Quem também merece e muito louvores quanto ao desempenho dentro do episódio é Elizabeth Henstridge. Jemma sempre foi uma peça chave para a série. Desde o começo, por mais inexperiente que uma nova agente pudesse ser, foi Jemma a escolhida por Coulson para infiltrar a Hydra durante a segunda temporada, assim como a personagem que precisou superar um planeta alienígena e todo o período de serviço ao déspota kree, Kasius. Dentro do episódio, porém, temos uma face mais branda e carregada de pesar e tristeza. Desde o momento que Fitz revela que o Doutor está ali, até o momento que ela percebe que tudo não passava de uma reação do próprio marido, a atriz conseguiu convergir as emoções essenciais para transformar um episódio já excelente, em memorável. E em sua forma mais sádica, a série abre o episódio com o casal discutindo trivialidades, enquanto ela sonha com sua lua de mel. Parabéns roteiristas, vocês se superam a cada facada no coração.
Também tivemos outros momentos de tristeza e choque, que surgiram graças a Chloe Bennet e a “tortura” e violação causada por Fitz. A fala “eu nunca vou te perdoar” nunca teve tanto peso. O que vemos, naquele momento, é uma violência gigantesca, de uma mulher que foi amarrada e teve seu corpo violado pelo melhor amigo. É incrivelmente triste, apesar de compreender que aquela atitude do Fitz era a única maneira possível de manipular o gravitonium e selar a dimensão do medo. Contudo, acredito que Daisy terminaria ajudando, mesmo indo contra seu desejo e também de encontro com seu medo de ser responsável pela destruição do planeta – o que não deve acontecer por causa da dimensão, já que o Farol permaneceu intacto no futuro.

E por falar em futuro, o episódio também fez questão de mostrar a inevitabilidade dos fatos, assim como desmoronou parte da minha confiança em um futuro que não está nada estabelecido. Enquanto trata Yo Yo como uma mensageira de um futuro que irá acontecer, assim como Deke e o momento em que ele revela e conforta Jemma, sua avó, é preciso compreender que para que o mundo não seja destruído no final da temporada, tudo o que vimos e temos segurança deverá mudar, também. Nada do que vimos acontecer está garantido como uma certeza. FitzSimmons e sua filha podem realmente nunca acontecer, porque para que esta linha exista, o planeta precisa ser destruído. É uma constatação que poderá oferecer um fim agridoce para nossos agentes, um que já estamos bem acostumados.
Não se engane, apesar de ter gostado muito de The Devil Complex, eu ainda não estou completamente convencido do potencial da atual quinta temporada. Sim, mesmo uma temporada mediana de Agents of S.H.I.E.L.D. ainda estamos falando de uma temporada incrível, mas eu sinto alguns pontos de fadiga dentro da formula da série. O primeiro indicador é a maldita Hydra voltando mais uma vez, de novo, pela enésima vez. A surpresa que deveria ter vindo com ares de renovação, não surtiu efeito. Contudo a figura misteriosa conseguiu atiçar um pouco a minha curiosidade, apesar de ter quase certeza de que aquele é um Kree infiltrado, afinal o frasco é exatamente igual ao apresentado durante o arco do futuro, pelo Kasius.
The Devil Complex é um episódio incrível de Agents, um que conseguiu domar a tensão e criar um momento surpreendente, chocante e aterrorizante. Com um time de atores e atrizes competentes e um roteiro afiado, a série elevou a qualidade da temporada com um único episódio. Mesmo que este capitulo não mude completamente a visão a respeito deste arco e tão pouco apague a enrolação que o primeiro foi, a existência desta nova abordagem mais íntima está funcionando muito bem. Infelizmente alguns fantasmas decidiram voltar, saídos da minha dimensão do medo particular, mas ainda temos um espaço grande de terreno para cobrir até que este ano termine – e possivelmente mais um arco pela frente. Torço para que a Hydra, assim como essa ‘liga’ de vilões funcione e que MAoS consiga trabalhar melhor sua trama, evitando assim ser engolida por uma dimensão do apego, que até hoje não conseguiu se desprender da Hydra.
Easter eggs e outras informações
– Ok, eu não entendi muito bem o motivo para o uso de ideogramas japoneses (?) no final do episódio, mas me lembrei de Firefly e como a série futurista do Joss Whedon usou a língua oriental para criar a língua do futuro da humanidade, algo que pode conectar aquele homem tomado pelas sombras como um arauto do futuro destruído que já vimos.
– O frasco com o líquido preto (Odium) que a Coronel recebe é bem similar ao usado pelo Kasius durante o arco do futuro. Ele garante força e também “loucura” para quem o toma. Poderá este elemento ser o responsável pela destruição do planeta? Imaginem Daisy com Odium ingerido.
– Ótimo retorno do Astronauta que assombrou a Jemma durante a terceira temporada, em 4722 Hours.
– Ok, a trama com o Coulson, o Crusher ‘Creel’, Ivanov e May não precisava ter existido neste episódio.
– E a Yo Yo está a 3 episódios sentada em uma cama com falas zero. Vamos agilizar isso aí, Agents. E por favor, parem com esse Mack sofredor.
– Vingadores 3 estreia no dia 26 de Abril, no dia 20 temos a exibição do episódio 5.18 de MAoS e no dia 27 o episódio 5.19. Será que teremos algum crossover? Não custa nada sonhar.















