Agents of S.H.I.E.L.D. se reinventa, mais uma vez, em What If, um dos melhores episódios da série.
O que você é sem os seus erros? Quem você é em um mundo utópico e aparentemente perfeito? Quão delimitado você é por seu maior arrependimento? Estas são apenas algumas perguntas que a atual fase de Agents of S.H.I.E.L.D. fez em seu episódio de retorno. E enquanto nos aventuramos pelo show criativo criado pelo time de roteiristas da produção, precisaremos aprender o que é ser um vilão e um mocinho, em um lugar em que a Hydra é a campeã e nada é o que parece.
E preciso começar comentando a respeito da qualidade de What If… Um dos melhores episódios de uma série que já tem tantos melhores episódios em seu currículo. O décimo sexto capítulo do quarto ano, tomara que não o último, da filha mais velha da Marvel TV, é um show em termos de estrutura e narrativa. Ouso dizer que este nível de perfeição em uma série com temática de ficção cientifica só foi visto antes em Fringe, outra que cimentou sua presença na cultura de séries como um marco do bom trabalho e desenvolvimento em uma produção televisiva.
What If… abre exatamente do ponto de chegada de Self Control, outro excelente episódio da série. Ouso dizer que assistidos em sequência eles desenvolvem o melhor da premissa de uma série ambientada em um mundo de super-heróis. O mundo criado por Radcliffe é inteiramente desenhado ao redor da May, a primeira habitante do Framework. Ao remover de sua vida o seu grande arrependimento, a morte da garota inumana em Bahrain, todo um novo mundo foi desenhado. Sem este arrependimento a garota terminou como responsável pela morte de outras crianças, adaptando inclusive a premissa de Guerra Civil nas histórias em quadrinhos, que apesar de manter a mesma filosofia do filme, tem início através de um evento bem diferente.
Sem o trauma do assassinato de uma e agora com o peso da morte de tantas outras crianças a Hydra conseguiu o que não havia sido possível em Soldado Invernal, colocar o seu plano de dominação. Talvez neste mundo o Capitão América realmente tenha morrido pelas mãos de Bucky Barnes, mas a “realidade” é que este organismo vivo gerado pelas mentes de Fitz e Radcliffe desenvolveu seu curso natural, modificando e moldando o ambiente em um universo em que a vilã Nazista conhecida como Hydra conseguiu dominar o mundo como sempre quis.
O episódio também é um reflexo bem forte da atual situação política dos Estados Unidos e de vários outros países ao redor do mundo, incluindo o Brasil. A sensação de cerceamento da liberdade causada pelo governo, da propaganda que coloca no Estado o domínio da vida privada, são ações que lentamente estão se tornando cada vez mais realidade aqui no mundo real. Muros são construídos usando como justificativa a proteção da nacionalidade e direitos conquistados arduamente pela população são deixados de lado e discutidos sem qualquer preocupação, também escondidos pela desculpa do impulsionamento da economia e do protecionismo. Mas como o framework provou, até mesmo um ambiente calculado e montado com “ilusões” matemáticas também é capaz de se rebelar contra o sistema, porque esta é parte da nossa programação primordial, o questionamento.

Também é por causa da tática de remover o grande arrependimento da vida que conhecemos um novo Fitz, o torturador da Hydra. Foi dito durante a segunda fase da série, LMD, que o pai de Leopold nunca foi um homem bom e causou feridas em seu filho ao abandoná-lo. Neste ponto acredito que não é a ausência de Jemma que o transformou, mas a presença do pai e também o jogo de manipulação criado por Aida, a diretora da Hydra, que criaram este “vilão”. A LMD precisa de Fitz, já que ele foi o grande responsável por desenvolver esta realidade, mas muito mais do que um jogo de necessidades, ela também vê em Fitz a imagem de Radcliffe a oportunidade de ter com ele algo real, mesmo que dentro de um mundo virtual. É o que ela sempre quis, emoções e sensações humanas.
Do mesmo lado também temos a brilhante revelação de que Ward é um traidor, de novo, mas dessa vez jogando do lado do time oprimido pela Hydra. Não sei exatamente o que se propõe ao colocá-lo como traidor, além da ironia, mas por enquanto é bom ficar um pouco desconfiado do agente. E apesar de entender que por muito tempo reclamaram da presença do personagem, assim como do ator, é muito bom vê-lo novamente, já que MAoS pecou pela falta de peso em cima das relações de seus personagens fora do espectro familiar e do relacionamento amoroso. Fora que é ótimo ver Brett e Chloe interagindo mais uma vez, com uma dinâmica totalmente nova para ambos. Estamos condicionados a detestar o Ward, não sei como ficaremos com a proposta de precisar amá-lo, mas esta jogada é muito inteligente e apenas reforça a capacidade do time por trás da série.
Enquanto para Skye (Daysi – socorro) a transição é difícil pelo choque com o surreal, para Simmons é complexo porque seu avatar naquele mundo havia sido morto pela Hydra em um golpe que purgou a academia da S.H.I.E.L.D. Todo o caminho traçado pela personagem serviu para nos apresentar para um lado menos opressor, mas igualmente composto por oprimidos. Desde seu encontro com Coulson, que agora é um professor e que defende a Hydra, até seu momento com Ward, cada segundo com Jemma foi uma preciosidade. Por favor, deem um Emmy para Elizabeth porque se tem alguém que merece esse prêmio é a atriz, que vem surpreendendo desde 4722 hours.
What if… termina igualmente chocante, com Coulson se lembrando do nome da Daysi enquanto o novo plano da Lady Hydra se desenvolve. Apenas começamos a exploração deste novo mundo, em uma temática que bebe da fonte das histórias em quadrinhos e nos oferece o melhor que Agents of S.H.I.E.L.D tem para oferecer. E eu estou muito ansioso para ver este mundo se desdobrar e incendiar.
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Easter eggs e outras informações
– Por causa dos recortes de jornais do Coulson foi possível descobrir alguns fatos interessantes deste novo mundo.
– Felix Blake, aquele ex-agente da SHIELD que terminou aliado aos Watchdogs, recebeu um prêmio por sua política de Humanos Primeiro.
– Sunil Bakshi também foi premiado.
– Cal, pai da Daisy, foi preso por atividades subversivas. Nas observações do Coulson é possível ler: Qual é o nome dele? Como um doutor pôde fazer isso?
– Tem um anuncio de um quarteto de cordas e com a anotação: Violoncelista eu fui?
– Terremoto prejudica a infraestrutura de Los Angeles – Anotação: Ocorrência normal?
– Também temos uma desenho de uma mulher, aparentemente Daisy, com rabiscos na língua Kree que tanto vimos na segunda temporada.
– “Batalha do Século! Creel derrota Peters!”. Creel é o Homem Absorvente. Já Peters eu não tenho ideia. Graças a um easter egg de Demolidor descobrimos que Crusher Creel é um lutador e o framework acabou de confirmar.
– Katya Belyakov matou 272 crianças. Em Guerra Civil as casualidades foram 612.
– What If… é uma menção a uma linha de revistas em quadrinhos em que personagens e eventos recebiam o tratamento “E se…”. Entre elas temos “E se Jessica Jones tivesse se tornado uma Vingadora?”. “E se o Homem Aranha tivesse se juntado ao Quarteto Fantástico?”.















