Uma pausa na ação, mas não na diversão.
Exatamente o que vocês leram na frase anterior, o episódio desta semana de Agent Carter pode ter colocado a ação em pausa, mas a diversão e a qualidade, esses não tiraram folga. Completamente o oposto de tirar uma folga, The Blitzkrieg Button demonstrou exatamente o que uma série precisa fazer para se manter interessante, que é: Saber dosar bem suas tramas, elevar a tensão e conduzir a protagonista para um show de emoções, sem que tapas e socos sejam obrigatórios, apesar de ainda presentes.
Um episódio completo, é desta forma que me refiro ao quarto episódio da série. É essencial em determinados pontos dar uma folga na adrenalina e cenas de ação, apesar desses serem chamativos óbvios para uma série centralizada em um mundo que antecede a criação da maior agencia do mundo da Marvel, a S.H.I.E.L.D. Ainda estamos nos primórdios da criação e ter tal visão é fundamental para entender os motivos por trás do surgimento daquela que no futuro, será a responsável por lidar com ameaças além do comum e do ordinário. Lembrem-se, foi a S.H.I.E.L.D., fundada também pela nossa Peggy que se envolveu nos projetos que lidaram com Homem de Ferro, Hulk, Capitão América e Thor.
Por falar em Capitão América e Hulk, vocês que acompanham o MCU devem saber que o acidente que transformou Bruce Banner no gigante esmeralda foi por causa do mesmo sangue que apareceu em The Blitzkrieg Button (não aquele frasco, mas o mesmo sangue). O governo dos Estados Unidos sempre teve interesse em replicar a fórmula do super soldado, tentativa que potencializada pelos raios gama transformou um cientista na maior ameaça do mundo, quiçá do universo. Logo, para aqueles que pensaram que por estar situada no passado Agent Carter não teria conexões significativas com os filmes da Marvel, ledo engano, ela pode não estar intimamente ligada, mas tem uma conexão bem exemplificada.
Outro ponto que vale a pena comentar é o envolvimento dos russos. Bom, Vanko, o parceiro de Howard e responsável pela co-criação do reator Ark é russo e acabou tendo uma cisão com o patrono Stark. Os motivos podem estar se desenvolvendo aqui em AC. É bom ficar de olho, afinal, chegará o momento que descobriremos porque Vanko foi banido dos Estados Unidos como traidor, algo que vai repercutir em Homem de Ferro 2.
O que mais gosto em AC, porém, é que ela não te obriga a assistir nenhum dos filmes do MCU, a não ser Capitão América e mesmo assim, sem um peso muito grande. Tudo o que nós precisávamos saber sobre a relação de Peggy e Steve já foi demonstrado. O frasco com o sangue é só mais um ponto para levar a agente a uma quebra emocional, algo que valoriza e muito a personagem, não apenas como mulher/ interesse amoroso, mas como agente.
Apesar de não simpatizar nem um pouco com Jack Tompson (Chad Michael), sua fala foi extremamente apropriada para que possamos entender o comprometimento destes agentes com a causa. Os aparatos tecnológicos do Stark podem ser o combustível para as investigações da primeira temporada, mas eles estão apenas denotando tudo o que é mais importante em uma operação e o porquê esses homens lutam. A grande pergunta sempre é essa, o combustível para que pessoas arrisquem suas vidas.
Claro, estamos falando de ex-soldados, que precisam continuar lutando para ter um propósito. Assim, a presença do veterano, ou Sousa discorrendo sobre a culpa da sociedade por seu ferimento, são facilmente relacionáveis a própria força motriz de Peggy. Essas pessoas não tem mais qualquer outro tipo de conexão no mundo real, além de suas esposas e famílias (para alguns). O pós guerra é muito mais perigoso que a própria batalha. E é por isso que eu pontuo este como um episódio fundamental para a série e tão completo.

Já Howard, bom, apesar de ser volátil e bem parecido ao filho (ou seria o oposto?), Tony, ainda preciso ver mais deste cientista conquistador para conseguir me simpatizar totalmente com ele. Até agora, o mulherengo e dissimulado homem que quer ajudar a todos e a si mesmo não teve real impacto. Sim, são suas criações que geraram o pandemônio que nos encontramos agora e precisamos agradecer sua presença, sem ela não teríamos Peggy chutando bundas, ou dando socos, mas creio que para que eu me simpatize com o personagem eu precisarei de uma entrega maior. Não cobro isso de imediato, afinal, tenho esperanças de uma segunda temporada no próximo ano, mas não me incomodaria com um pouco mais de humanidade tangível para ele.
Ainda ficam algumas perguntas no ar, como por exemplo o que aconteceu de tão ruim na Rússia. Para quem acompanha Agents of S.H.I.E.L.D. ver a menção de um local devastado, com pessoas destroçadas, não passa batido. Para quem não acompanha e nem pretende, continue lendo por sua conta e risco, pretendo soltar alguns spoilers e informações pertinentes a série dos agentes do “futuro”. Bom, tivemos nossa conexão com os Inumanos, a presença dos alienígenas Kree na terra e soubemos como a loucura pode acabar sendo o produto da exposição a tais fatores. Se em MAoS conhecemos papai Skye, que de tão louco andou dizimando alguns agentes, não seria de estranhar que algo relacionado aos Kree tenha acontecido na Rússia. É só lembrar da primeira participação da Peggy em MAoS, com ela recolhendo o corpo do até então desconhecido alienígena azulão.
Para eternizar, Stan Lee, nosso amado bom velhinho da Marvel fez sua participação em Agente Carter. Apesar do Capitão América ser uma criação de Joe Simon e Jack Kirby, ter mais uma aparição do senhor Lee não é para ser esquecida. E é exatamente para isso que serve este parágrafo, para comentar sobre o cameo de um homem que conseguiu trazer as páginas vários dos personagens que hoje gosto tanto. Nunca se esqueçam, se hoje temos uma Marvel Studios, foi porque lá no passado tivemos um tal de Stan Lee, que mudou o próprio sobrenome para poder fazer aquilo que gostava. Hail Stan!
Concluindo então a review, mais um ótimo episódio para Agent Carter. Apesar de mais lento, a forma com que a série vem conduzindo sua trama foi extremamente satisfatória. Alguns sabem informações relevantes para compreender o que o chefe da S.S.R. representa, outros, que não acompanham o MCU e o desenrolar de Capitão América: Soldado Invernal, precisarão esperar mais um pouco para saber o que as capsulas de cianeto realmente significam. No mais, nos vemos na próxima semana, em que os Howling Commandos finalmente aparecerão, assim como um tal projeto Sala Vermelha, que terá conexão com outra personagem feminina forte e extremamente essencial para a Marvel.
Easter Eggs e outras informações
– Dottie já demonstrou a que veio, como esperado. E ela surge com um golpe bem parecido ao da Viúva Negra, significando que talvez, os Russos sejam os grandes vilões por trás de toda a trama da primeira temporada de AC. Isso, o próximo episódio nos dirá e comentarei na próxima review.
– Existe um vilão chamado Mink nos quadrinhos, apesar de não ter muita conexão com o Mink loiro platinado que surgiu em AC.
– Ernst Mueller foi um dos participantes da equipe Blitzkrieg, criada por Baron Strucker (que aparece no pós-créditos de Cap. América 2) para combater os Howling Commandos.
– Estamos na metade da temporada de Agent Carter, com um peso no coração chegamos mais próximos do final desta excelente série, o que me conforta o coração é saber que MAoS volta para não me deixar órfão.
– Já pode começar a campanha #AgenteCarterAno2 com mais uma temporada? Acho que sim.















