Uma das maiores qualidades de Person of Interest é o controle que os roteiristas possuem sobre a obra. Nada é introduzido à toa, e há uma grande habilidade em tratar coisas que realmente agregam à mitologia da série e coisas que talvez não influenciem tanto na mesma. A obra possui sim uma fórmula, mas isso de maneira nenhuma é ruim quando as coisas são bem-feitas. No decorrer de cada temporada, temos os casos semanais, alguns bem atrelados à trama principal, sendo que em alguns episódios chaves, as coisas relevantes são brilhantemente exploradas. Alguns episódios, porém, fogem completamente dessa dinâmica, entregando momentos originais e cativantes, que agregam tanto para o desenvolvimento da trama, quanto para a versatilidade da narrativa. “QSO” foi um desses episódios, onde vimos um grande desenvolvimento da história, acompanhado de uma abordagem diferenciada, dentro do que a série costuma entregar.
É sempre bom vermos Root ganhar destaque. Os episódios protagonizados pela hacker, costumam estar acima da média exatamente por estarem diretamente ligados às questões mais importantes da série. Neste primeiro episódio de terça-feira, vimos como funciona em prática as missões executadas por Mrs Groves, que como sabemos, é uma peça diferenciada dentro da equipe. As mudanças de identidade, dão uma liberdade muito maior à personagem, explorando formas de agir diferentes das quais estamos habituados a ver.
Vê-la trocar de identidade a cada vez que estava prestes a ser identificada por Samaritan, nos entregou não apenas momentos de tensão, mas também algumas boas tiradas cômicas. Me surpreende apenas que Root esteja tão emocionalmente ligada à Shaw, a ponto de até mesmo de se aborrecer com a Machine, entidade que sempre contou com o total apoio da hacker. Também foi interessante ver mais do modo de operar de Samaritan, e a utilização de recursos da mesma. A captura das falas de root, análise e constatação de que é uma atitude suspeita, nos ilustra melhor a forma de agir de Samaritan. Também nos mostra que a Inteligência Artificial tem como uma de suas maiores prioridades continuar nas sombras. A forma de dar ordens através de interferências no sinal de rádio, e a forma que elimina qualquer um que ameace revelar qualquer coisa que seja sobre a sua existência, demonstram que a última coisa que quer é ser exposta.
No fim, Machine cedeu à pressão de root e a ajudou a entregar uma mensagem à Shaw, mostrando que seu relacionamento com Mrs. Groves é mais estreito que com os outros membros do time. Quem não gostou muito dos resultados foi Harold, que começa a perceber que realmente há de se temer a liberdade dada à Machine, uma vez que ela está priorizando o sucesso das missões às vidas humanas perdidas no processo. Resta saber a inteligência artificial pretende com os mísseis de Dvina.
Falando em Shaw, seu plot também ganhou grande atenção em “QSO”. E aqui também fica mais evidente o controle dos roteiristas, conforme comentei no início do texto. Os acontecimentos explorados no episódio, praticamente justificam o 5×04 (6,741). Pensamos que tal episódio não havia contribuído significativamente para a trama, mas agora ficou claro que não é bem por aí. Eu cheguei a comentar na última review, que as simulações continuariam, até um momento em que nos questionaríamos se os acontecimentos seriam reais ou apenas mais uma simulação. E foi exatamente o que aconteceu aqui. O recurso jamais daria certo se não fosse o impacto causado por “6,741”. Nós ficamos no escuro, mas nada comparado à Shaw, que vive uma situação de pura paranoia. E fazer uso disso para fazê-la de fato ajudar Samaritan sem trair os companheiros, foi muito bem pensado. Ou será que estamos diante de mais uma simulação e entendemos errado? Pelo menos a mensagem de Root foi entregue com sucesso, e Sameen agora sabe que seus amigos ainda não desistiram dela.
Por fim temos Fusco. A série optou por uma passagem de tempo onde não ficamos sabendo sobre como o detetive escapou do desabamento. Acredito ter sido feito dessa forma por conta do curto tempo que falta para a conclusão da temporada. Mas uma coisa é certa: Fusco chegou ao limite da tolerância sobre ser mantido no escuro. Dessa forma o personagem não só se afasta do team machine, como se coloca ainda mais em perigo. E de uma forma que deixará ainda mais complicado para seus companheiros, que agora terão mais dificuldades em ajudá-lo em caso de perigo. Mas não podemos culpá-lo certo?! Acredito que agora seja inevitável contar a verdade o nosso ranzinza favorito.
“QSO” surge como um dos episódios mais fortes da temporada, contribuindo bastante para o desenvolvimento da série, e entregando excelentes cenas de ação, humor e tensão. Finch ficou mais na retaguarda, e Reese serviu mais como um suporte eficaz à missão de Root. Dessa forma, o episódio explorou principalmente suas personagens femininas, que mostraram mais uma vez que dão conta do recado com muita naturalidade. Acredito que o ritmo da temporada vai seguir acelerado daqui pra frente.
Notas de Interesse:
– Sarah Shahi e Amy Acker estão roubando os holofotes nessa temporada, hein?! As duas estão muito entregues às personagens!
– Por melhores que fossem as intenções do Team Machine, mancada tentar tirar Fusco de cena. Por mais que nos preocupemos com o personagem, fico feliz que ele tenha recusado.
– Alguém mais se surpreendeu com a recepcionista sendo uma agente do Samaritan? E Max era um personagem interessante, pena ter morrido tão cedo.
– Falando em Samaritan, que macabra aquela cena em que a IA tenta convencer Root a se entregar em troca da localização de Sameen.
– Eu escrevi esse texto sem ainda ter assistido o 5×08, mas vou apressar pra fazer a review o mais rápido possível!
















