A ideia de traição vem sendo retratada desde o primeiro episódio dessa temporada, às vezes de maneira explícita, como a tentativa de Norma internar o filho, e de vez em quando implícita, como a nova televisão na sala. Esse sentimento foi o propulsor das principais atitudes de Norman dentro de Pineview, porém em nenhum momento pudemos ver uma reação impulsionada por tal sentimento contra a pessoa responsável por tudo isso, até agora.

Antes de analisar o episódio dessa semana, devemos relembrar o marcante flashback em “The Vault”. Previamente à existência de surtos, apagões e consequentes assassinatos, Norman e Norma criaram uma “inquebrável” ligação no decorrer de uma vida de submissão e sofrimento. A mão estendida de um menino, que ainda possui a inocência no reflexo dos seus olhos, para sua mãe, cujo corpo encontra-se sendo vilipendiado, completando o álbum de cicatrizes que sofreu, mas com um sorriso sempre escondeu, expõe como mãe e filho encontram força um no outro.

Norman foi o primeiro homem a respeitar e apoiar Norma. Foi o primeiro a levantar a mão para defendê-la, enquanto todas as outras mãos masculinas levantavam para subjuga-la. Ele não foi o primeiro em quem ela acreditou ser possível confiar e apoiar, mas foi o único que realmente foi seu porto seguro.

Dessa forma, Norma sempre o tratou mais como um parceiro do que como um filho. A ideia de serem os dois contra o mundo foi mencionada por ela algumas vezes nas primeiras temporadas, reforçando sempre que a ligação entre eles nunca seria abalada por um terceiro. Norma permitiu que Norman fosse muito mais do que seu filho e abriu mão de sua privacidade demasiadas vezes a fim de não vê-lo triste. Consequentemente, após quase 20 anos de convivência, a ideia de incesto tem seu significado remodelado e passa a remeter totalmente a relação psicológica. Mãe e filho não estão apenas juntos fisicamente. Norma transpassa todo o limite de privacidade e vive dentro da cabeça do filho. Ela sabe tudo que ele faz, dita o que é certo e errado e ainda o impede de lembrar certos acontecimentos. Embora Norman saiba que não é normal e que sua mãe não pode ser a responsável pelos assassinatos, ela continua em sua cabeça. Ela continua aparecendo e cada vez mais real, até mesmo visitando-o no jardim do local que promete tratar sua doença.

Por conseguinte, por mais louco que seja, é possível entender a revolta de Norman e todo seu discurso em relação ao amor entre os dois. Para ele, toda sua vida, desde pequeno foi devotada a ela. Enquanto víamos Norma impedindo o filho de ficar com algumas mulheres devido o medo de seus surtos, ele apenas conseguia enxergar uma mãe que não aceita que um coração tenha espaço para mais de uma pessoa.

Assim, mudanças que aparentam ser pequenas, como uma cortina nova, são processadas na mente de Norman como um indício de que ele está sendo trocado. Se sua mãe o pediu para ir para Pineview com a única justificativa de ele ser um perigo para si próprio e para outros devido os apagões, qual é o motivo de existirem mudanças agora que ele está praticamente curado. Por que eles precisam de Romero? O que há de errado com as antigas cortinas, com o porão e a sala sem TV? Se os dois sempre estiveram juntos, dedicaram a vida ao outro e ele sempre abdicou de certos desejos por ela, qual o objetivo de existir uma terceira pessoa naquela casa?

Ao analisar o panorama como telespectador ou qualquer outro personagem que não seja o Norman, considerar o casamento de sua mãe como traição beira o absurdo. Entretanto, de acordo com o que ele vivenciou, com o que ele lembra e acredita ter feito, é na verdade bem racional. É uma simples questão de “por que o outro pode se eu não posso?”.

Contudo, por mais humano que seja olhar o lado do Norman, é impossível pedir uma reação diferente a Norma da que foi vista na cena do jantar. Depois de ter sido brinquedo sexual de diversos homens e ter vivido sempre com medo e vergonha por seu passado, ela finalmente encontrou uma pessoa que a entende; um homem que está do seu lado, que a respeita e não foge todas as loucuras que sua família continua a apresentar. Xerife Romero, ou como dito no episódio, Alex, não é mais apenas um funcionário público da cidade que pode ajudar ou prejudicar a família Bates. Ele se tornou um personagem importante e que deve ser chamado por seu nome. Seu brilhante desenvolvimento desde a 1ª temporada o transformou de policial mau da série a um dos personagens mais queridos. E, além disso, sua relação com Norma foi o segundo melhor relacionamento desenvolvido nas quatro temporadas, perdendo apenas para o vínculo de maternidade que guia a série.

Dessa maneira, chegamos a um momento em que Norman possui dois caminhos, aceitar a nova relação de sua mãe ou acabar com o amor entre os dois, para impedir que o outro se concretize. Norma não voltará atrás e Alex com certeza continuará ao seu lado, assim, talvez estejamos perto de assistir a maior e pior loucura acontecer no Motel. Afinal, não é de hoje o pensamento “se ela não é minha, não é de ninguém.”.

Diversas mudanças aconteceram nesse episódio e é impossível afirmar o que não mudará ainda. A única realidade que podemos nos apegar e ter certeza absoluta de que permanecerá a mesma é que em Bates Motel a psicose continuará e cada vez maior.

Outros comentários:

– Freddie Higmore escreveu o episódio dessa semana e mostrou que não é talentoso apenas na frente das câmeras. Já peço por mais!

– Ainda incrédulo que voltarão realmente com Rebecca e que Romero continuará preso ao plot Bob Paris. Só me resta ter esperanças que não diminuam a qualidade incrível que essa temporada está apresentando por conta disso.

– Dylan e Emma não tiveram uma grande participação nesse episódio mesmo tendo um maior air time, então não há muito que comentar, apenas prever. Acredito que os dois não viajarão e que isso ocorrerá devido à descoberta do que aconteceu com a mãe da Emma. Os dois possuem uma grande relação com Norman e suas mortes poderiam encaixar no final dessa temporada.

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