Desistindo de uma má ideia e voltando pra casa.
Será que é possível colocar esse trem descarrilhado novamente nos trilhos? O segundo episódio da terceira temporada parece encerrar um arco que não fez bem pra serie e se isso estiver mesmo acontecendo, vejo uma luz de esperança brilhar no fim do túnel.
Luz que fez questão de não abandonar Zanine e Magali, que conseguiram entregar uma solução ainda mais açucarada para a história que começou na season premiere. Foi tudo clichê e previsível? Claro! Mas foi tão bem feito que não tem como não abrir um sorriso quando eles decidem ficar juntos. Acredito ainda que eles poderiam ter estendido esse plot por mais tempo, porque tenho medo das próximas problematizações que o roteiro está preparando pra eles.
Acredito que todo mundo deve ter o direito de ser o que quiser e encontrar dignidade nas suas verdades, mas essa apropriação do bem social que a prostituição traz nunca foi o foco central da série e esse discurso é tão complicado. Só eu acho chato e hipócrita o discurso de que dinheiro não traz felicidade? Porque a serie investiu muito tempo e esforço em provar isso e mostrar que a prostituição é realmente a melhor e mais honesta decisão.
Acredito que ninguém assiste O Negócio para refletir sobre o papel social da prostituição no mundo, até porque o roteiro não alcança tal grau de reflexão, mas se vamos tratar desse assunto, carecemos de um pouco mais de estudo e desenvolvimento.
Novamente espelhando as atitudes de Karin, acompanhamos a saga de Ariel de não conseguir comprar nada, tinha tudo pra ser engraçado e divertido, mas não foi. Tudo ali girava em torno da necessidade de provar como ser rico é ruim e não completa ninguém.
É até um bom tema, mas foi trabalhado de um jeito tão pobre e expositivo que dificultou a compreensão real. Frases bregas e inverosímeis como: “Eu não preciso de pessoas, preciso de coisas!” ou “Eu não preciso de você, não preciso de ninguém.” foram repetidas tantas vezes durante o episódio que chegaram até a exaustão.
Nessa ( se já posso chamar assim) fraca temporada, parece que a direção perdeu a mão e as atuações estão muito piores. Aline Jones que chega para interpretar Mia consegue ser mais canastrona do que o Cigano Igor. Seu primeiro grande momento é um discurso tão mal entregue que parece uma pessoa fingindo atuar mal. Intrometida e sem nenhum contexto, ela dá opinião onde não foi chamada e briga pelo orgulho de algo que ela nunca viveu. Quase aplaudi a tia Sônia quando ela gritou: “Chega de falar coisas sem sentido!”, aparentemente compartilhamos do mesmo sentimento de vergonha alheia.
Com pesar, damos adeus a Oceano Azul, uma lástima. Mas se for necessário, aceitamos o sacrifício em prol de uma boa história a ser contada. O início da temporada não foi feliz em tentar migrar a história para outro contexto e acho acertada a decisão de retornar ao que era certo. Não gosto de ficar falando mal dessa série, me divertia com ela, então espero mesmo, que esse tenha sido apenas um desvio no percurso. Como Ariel prometeu no final, será que estamos mesmo voltando pra casa?
Frase da semana:
Querida, você ouviu o som de algum ziper se abrindo? Então por que você está abrindo a boca?
– Ariel para Greta















