O empoderamento feminino na indústria do entretenimento, ou em qualquer área de trabalho, tem sido alvo de muitas discussões e cada vez mais conscientização, mas pouca gente lembra ou considera que esse discurso já era anunciado, de forma inovadora, lá em 2013 por uma série nacional da HBO que começou tímida e parecia trazer as mesmas estruturas já conhecidas do público do canal. Sexo e sofisticação.
O que surpreendeu foi uma premissa completamente fresca e nova para o mercado brasileiro acostumado em mascarar assuntos, como a prostituição. O Negócio, não apenas falava sobre a profissão mais antiga do mundo, mas também sobre como empreender nesse ramo. Uma verdadeira aula de marketing e business era ministrada todo domingo pelas três protagonistas. No conceito mais clássico do termo, “As Panteras” brasileiras chegaram com o pé na porta da hipocrisia e se tornaram um sucesso na América Latina.

Karin (Rafaela Mandelli), a prostituta mais cobiçada de São Paulo, cansada de ser liderada por cafetões, junta forças com Luna (Juliana Schalch) e Magali (Michelle Batista) para iniciar seu próprio negócio de acompanhantes de luxo, a Oceano Azul. Usando as mesmas ferramentas de uma startup e o know how do mercado, se tornando um selo de qualidade na alta classe.
Entre situações previsíveis, como o fato de elas manterem a profissão em segredo para a família e amigos e como essas mentiras atrapalham suas vidas, a série conseguiu manter um nível alto de diálogo, com textos imaginativos, cheios de descrição e lotados de referências literárias. A intenção de fazer a sem graça Mia (Aline Jones) participar efetivamente do grupo desde a temporada anterior, pouco adicionou à trama, já que seus anseios poderiam ser muito bem divididos entre Luna e Magali, que sofreram com tantas falhas de roteiro e falta de criatividade em suas tramas particulares com personagens secundários cansativos. Quem ainda consegue se sobressair é Ariel, personagem do ótimo Guilherme Weber, que imprime o cafetão mais atrapalhado e engraçado de São Paulo.

Menos emotiva e mais objetiva, a temporada final tenta focar em arrumar a casa, concluir os ganchos deixados pelos anos anteriores, apagar vários erros e focar na construção do maior sonho de Karin, o prédio empresarial voltado totalmente para prostituição. Inclusive, a personagem de Mandelli é quem ganha o melhor arco da série, que acaba sendo até denunciada e presa por revelar sua história em um livro, o que reforça ainda mais sua luta a favor da prostituição e sua posição como empreendedora no país.
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Do mais, O Negócio surpreende em não buscar finais felizes para suas personagens e, mesmo com vários erros de roteiro e diálogos tão técnicos e descritivos que na língua portuguesa soam como deboche, entrega o que sempre prometeu: humor, combate a intolerância e muito sexo.














