Faltando apenas mais um episódio para fechar a temporada, Vinyl continua a demonstrar alguns problemas de ritmo, causados em sua maioria por falta de foco. A série está com muitas tramas em aberto para trabalhar em apenas dez episódios, e os mesmos acabam ficando arrastados em alguns momentos. Esses dois capítulos conseguiram ilustrar bem um pouco da inconsistência da série. “E.A.B.” foi  um ótimo episódio, leve e fluido. Já “Rock and Roll Queen” teve problemas de narrativa, principalmente por abordar tramas não muito interessantes.

O oitavo episódio de Vinyl fluiu tão bem simplesmente porque o roteiro focou na música e no núcleo da American Century. O episódio prezou pela simplicidade e funcionou perfeitamente bem. E A B, foram os três acordes (Mi, Lá, Si) que Lester Grimes utilizou para fazer o Medley com alguns clássicos (além de sua autoral). E é a mesma simplicidade que move a maioria das bandas punks, conhecidas por serem bandas de apenas três acordes. O punk inclusive é o exemplo perfeito pra nos mostrar que uma sequência tão simples, pode resultar em algo tão cativante, e é exatamente o que pode ser dito de “E.A.B.”.

Lester foi um dos destaques do episódio, e a cena em que dá uma aula para os rapazes da Nasty Bits, já está entre as minhas favoritas da temporada. Me identifico muito com o que foi dito. A criação de música está atribulada a diversos fatores. Não são apenas acordes… Tudo influencia. A pegada, a maneira de cantar, o ritmo… As possibilidades são enormes, e a analogia com o corpo humano foi muito bem pensada. É interessante ver um músico tão experiente como Lester cada vez mais envolvido com a simplória Nasty.

A banda também conseguiu um grande destaque nesses dois episódios. Em “E.A.B.” vimos a American Century finalmente trabalhar com a banda em busca do sucesso. Eles estão prestes a abrir para o New York Dolls, então a pressão é mais do que compreensível. E bloqueios criativos são comuns em situações como essa. Nasty Bits está prestes a entregar algo totalmente novo no cenário da Nova Iorque setentista. Por isso as altas expectativas também são justificáveis. Nasty Bits é realmente o que a empresa precisa para se renovar. Por isso gostei muito de ver a banda voltar a ter atenção do roteiro. As cenas no estúdio foram ótimas, assim como o ensaio fotográfico em “Rock and Roll Queen”. O roteiro trabalhou bem a introdução do novo guitarrista, assim como a relação que vem construindo com Kip (e agora também com Jamie).

Falando em “Rock and Roll Queen” , não poderia deixar de falar da própria! Jamie talvez seja a personagem mais cativante entre todos os núcleos da série. Ela cada vez mais se mostra independente, e feroz. Não leva desaforo pra casa, e sabe se impor como ninguém. A série está recheada de mulheres cheias de personalidade, mas Jamie é a que mais se destaca. Vê-la ser chutada de casa (rolando pela escada ainda), doeu em mim. A personagem sofre humilhação atrás de humilhação, simplesmente por seguir seus sonhos. Vê-la morar com Kip será interessante, e certamente causará um impacto na relação dos dois. E espero que a série não caia no clichê do triângulo amoroso, esses personagens não precisam disso.

Outra personagem importante que voltou a dar as caras foi Devon. Após ser completamente ignorada em “The King and I”, a esposa de Richie conseguiu alguns bons momentos. Vivendo com os filhos agora no Chelsea, a Sra. Finestra arrumou alguém para tentar esquecer de seus problemas matrimoniais. Ela tenta seguir em frente enquanto Ingrid a ajuda com as crianças. Esta inclusive está meio sem rumo na série. Não acredito que a personagem esteja ali somente pra ajudar a amiga. Os acontecimentos do passado afastaram essas duas, e acho estranho que o relacionamento se restabeleça de forma tão natural. E eu espero que a reviravolta de Devon seja maior do que apenas enriquecer como paparazzi. E veremos no próximo episódio a atitude que tomará em meio à revelação de Richie, mas que a princípio parece ter mexido com Devon.

No núcleo dos funcionários da American Century, vimos Andrea tentar segurar firme as rédeas na tentativa de salvar a empresa. Ela pode ter parecido durona demais, mas é algo necessário para o sucesso da missão. Primeiro que Hal foi realmente extremamente desrespeitoso com a sua superior. Segundo, que realmente um relacionamento dos funcionários com os artistas podem refletir negativamente (mas não necessariamente). O problema é que ela acabou se queimando, e terá que afrouxar um pouco. Cece apareceu com o plot da gravidez. Já estava óbvio só em observar as caras que ela fazia sempre que o nome de Hannibal era citado. Agora falta saber qual atitude tomará o astro do funky. E por último temos Clark. Eu estou achando bem desnecessário essa trama dele se enturmando com o novo colega. E também não consegui visualizar aonde o roteiro que chegar com as suas idas à boate. Aparentemente uma nova tentativa de divulgar artistas da ACR, mas não entendi se é isso mesmo.

Zak tem surgido como um personagem central nos últimos episódios, e a sua dinâmica com Richie sofreu mudanças após o ocorrido em Vegas. Achei interessantíssimo que ele queira trabalhar com A&R, e disso vimos uma das melhores cenas da temporada, com Gary cantando fenomenalmente no restaurante. Entretanto acho uma bola fora querer transformar o garoto em uma espécie de sósia do Bowie. Zak continua como o braço direito de Richie na tentativa de salvar a empresa e se redimir, e por isso fiquei contente que não enrolaram muito para que o personagem descobrisse toda a verdade sobre o acontecido no hotel-cassino. Essa foi a gota d’água para o sócio, que dificilmente perdoará Richie depois de tamanha canalhice. E adorei vê-lo socar o protagonista no elevador. Me senti devidamente representado, tamanha é a capacidade do protagonista em fazer besteira.

Com a temporada chegando ao fim, o plot criminal voltou com força total, se embaralhando com outro plot que até o momento não se fazia necessário. Esse empréstimo com o Corrado estava claro que seria feito. Maury Gold surge como uma figura ambígua, que ao mesmo tempo em que parece querer ajudar Richie, acaba por prejudicá-lo, e a sua mudança para o escritório da American Century acaba por causar uma dinâmica diferente no cotidiano da empresa. Com a entrada da trama da gang, o assassinato de Buck Rogers acabou por perder um pouco do peso, e ao final, parece que tudo aconteceu apenas para que Richie em algum momento no futuro precisasse desafiar o gângster. E é aí que Vinyl peca. Com tanta coisa boa para falar e abordar, a série acaba caindo num clichê de precisar criar um vilão a ser derrotado. Dez episódios e ainda não vimos nenhuma conquista relevante em relação aos artistas da ACR, o que é uma pena, pois está mais do que provado que a força da série está principalmente em seus momentos musicais. Não é possível sobreviver apenas entregando várias referências e homenagens. Precisamos de algo novo, algo que só a série poderia proporcionar.

Com esses dois episódios, não dá pra dizer que a série já montou o terreno para a próxima temporada. Pelo contrário. São tantas tramas em aberto, que não sei o que esperar do décimo episódio. Vinyl tem a missão agora de entregar uma season finale ágil e dinâmica (mas que não seja tão corrida), e que consiga conduzir bem seus plots sem jogar ainda mais problemas à trama. São tantos momentos de derrota para Finestra, que seria muito bom ver a temporada finalizada após finalmente uma grande conquista para a American Century Record.

Lado A – “E.A.B.”

 

Track 1: O episódio abre com uma das canções mais famosas dos Beatles, “Here Comes the Sun”, lançada no clássico álbum “Abbey Road”, lançado em 1969.

Track 2: A intervenção musical do episódio ficou por conta de Conway Twitty, cantor e compositor surgido na década de 50, que está tanto no hall da fama do Country, como do Rockabilly.

Track 3: Desnecessário falar sobre o lendário John Lennon. Mas a mulher que o acompanhava era May Pang, que foi assistente do beatle e de Yoko Ono, e engatou um namoro com o músico entre 73 e 75, período em que Lennon e Ono estavam separados.

Track 4: Entre diversas referências tivemos, Bob Marley & The Wailers, Creedence Clearwater Revival, Van Morrison, The Royal Teens, entre outras.

Lado B – “Rock and Roll Queen”

Track 5: A intervenção musical ficou a cargo de Eddie Cochran, mais um representante do Rockabilly, com o clássico “C’mon Everybody”.

Track 6: Esse episódio não abriu muito espaço para referências, mas tivemos algumas. Entre elas Lee Moses, Soul Makossa e Bruce Springsteen.

Track 7: “Rock and Roll Queen” é também o nome do clássico lançado pela banda Mott the Hoople, e lançada em 1972.

Track 8: Peço desculpas pela Review dupla. Semana que vem voltamos com a season finale! Até lá!

Artigo anteriorThe Vampire Diaries | Ian Somerhalder volta atrás sobre o fim da série na 8ª temporada
Próximo artigoBanshee 4×02: The Burden of Beauty