As expectativas para uma season finales são sempre altas. É normal os roteiros guardarem resoluções, reviravoltas e acrescentar novos desdobramentos para o último episódio das séries. Porém Vinyl optou por manter a narrativa lenta, e praticamente não avança em nenhum de seus plots. Não que o episódio tenha sido ruim. Provavelmente foi um dos melhores da série. Porém sem o impacto que um encerramento de temporada pede. Parecia mais um episódio comum, como se a série ainda fosse continuar no próximo domingo.

Pra começar, preciso falar do que achei pior em “Alibi”. A season finale simplesmente ignorou completamente Devon Finestra, uma das personagens mais importantes da série. Aliás, ela não foi ignorada apenas neste episódio, mas a trama da personagem praticamente não evoluiu nessa primeira temporada. Foram necessários dez episódios pra ela perceber o desgaste do casamento e sair de casa pra ir morar no Chelsea com os filhos. Voltou a se relacionar com a amiga Ingrid e chegou a engatar um affair com o fotógrafo no hotel. Ela foi sendo deixada de lado a partir da segunda metade da temporada, e acho um desperdício para uma personagem com tanto potencial, e ainda interpretada por uma excelente Olivia Wilde, que brilhou sempre que teve a oportunidade.

Outro problema da temporada foi o plot criminal/gângster. Desde o piloto Vinyl foi introduzindo essas tramas, tanto no assassinato de Buck, quanto mostrando o cretino e perigoso que é Galasso. Desde então eu fiquei receoso imaginando o quanto isso seria mais para enxugar o roteiro, abafando dessa forma a parte musical da série. E foi basicamente o que aconteceu. A investigação nos apresentou a dupla de detetives (forçadamente divertidos), que seguiu firme no encalço de Richie a ponto de conseguir prendê-lo. Prisão que no final apenas serviu para jogar o protagonista contra o vilão Galasso. Não vou dizer que não gerou um clima de tensão. Fiquei realmente preocupado com o sequestro de Zak e com a ótima sequência que desencadeou no assassinato de Joe Corso. Mas continuo me perguntando a necessidade disso para a trama, e o quanto se arrastará pela segunda temporada.

Agora falando sobre os acontecimentos de “Alibi”, fiquei muito satisfeito com o foco dado à apresentação de abertura da Nasty Bits. A série melhora muito quando foca nos artistas (sejam reais ou fictícios). Sim, achei o triângulo amoroso extremamente forçado, clichê e desnecessário entre Kip, Jamie e Alex. Introduzido no episódio anterior, logo após um sermão de Andrea sobre o como se relacionar com um artista poderia ser prejudicial para a empresa, estava óbvio o que se seguiria disso. Kip que já não é dos mais equilibrados se afunda nas drogas, pondo em risco toda a esperança de salvação da American Century Records.

Felizmente Richie e Lester conseguiram reverter a situação nos brindando com um dos melhores momentos da temporada. O show da Nasty Bits foi um deleite de se assistir. Produção impecável, e uma química excelente entre os atores que compõem a banda. Ver aquele som sujo e distorcido surpreender o público foi ótimo. E a cereja do bolo foi a tacada genial de Finestra em chamar policiais para prendê-los em plena apresentação. Richie conseguiu chamar bastante atenção para a sua banda, e aproveita para fortalecer a mensagem que guia o mundo fonográfico até hoje: uma boa publicidade muitas vezes vale mais do que o talento em si.

A festa de lançamento do selo Alibi também foi um dos ápices do episódio. É interessante ver Richie em um de seus momentos sóbrios (sabe-se lá até quando), e com uma personalidade mais animada e mais confiante. Facetas que ele praticamente não demonstrou ao longo da temporada. Depois de tantas derrotas, é bom ver Richie e seus subordinados encerrarem o primeiro ano de Vinyl, finalmente experimentando o doce gosto da vitória, com direito a bebidas, drogas, pichações e destruição de patrimônio, claro. Mas óbvio que esse gosto se tornará amargo logo, e a expressão final de Zak deixou isso bem claro.

Resumindo a temporada, tivemos muita coisa boa apesar de tudo. A série começou focando apenas no protagonista, mas foi abrindo espaço para os demais personagens poderem brilhar. Devon e Jamie se apresentaram como as principais figuras femininas. Personagens de personalidade forte e marcante, donas de si e à frente de sua época. Espero ver a volta por cima de Devon ainda na segunda temporada, assim como a ascensão de Jamie, agora oficializada como membro da A&R. Lester Gtimes também tem muito material pra queimar, e espero vê-lo recuperar a sua carreira, não sendo apenas o empresário da Nasty Bits. A banda inclusive me deixa com uma das maiores expectativas para o próximo ano, visto que aparentemente irão conquistar os charts e que certamente, muita confusão sairá disso. Algumas tramas menores ainda precisarão crescer, como as do Clark, Cece, Gary, Andrea e os executivos da American Century. E por fim, Richie e Zak, que se agigantou na segunda metade da temporada. Ray Romano deu um show, tornando o personagem uma das melhores coisas da série. Sua relação com Richie está cada ve mais estremecida, e temo com o que pode acontecer por conta da trama dos gângsteres. Acredito que a relação entre esses dois personagens continuará a ser fortemente trabalhada pelo roteiro no começo do segundo ano do drama.

Vinyl encerra a seu primeiro ano de forma satisfatória. Não foi uma temporada perfeita. Tivemos problemas com o roteiro, se arrastando em diversos momentos, plots que aparentaram estar ali apenas para fazer volume e o mal aproveitamento de alguns ótimos personagens. Porém nos presenteou com algumas coisas muito positivas. Produção impecável, visual espetacular, elenco de primeira, trilha sonora sublime, e riquíssimas referências musicais, que fizeram cada um desses dez episódios valerem a pena. E que venha a segunda temporada, torcendo muito para que melhore o seu já bom (mas longe de perfeito) ano de estreia.

Track 1: Não tive a oportunidade ainda, mas preciso elogiar a obra de arte que é a abertura de Vinyl. Embalada pela música “Suggar Daddy” (feita para a série e tocada por Sturgill Simpsom), as imagens simplesmente me deixam hipnotizado.

Track 2: A intervenção musical ficou por conta do lendário Tony Bennet, renomado cantor de pop standart e jazz, também conhecido por ser um talentoso pintor. A música apresentada foi o clássico “Boulevard of Broken Dreams”, regravada por Bennet em 1950.

Track 3: Entre as referências musicais do episódio tivemos MC 5, Queen, Iggy Pop, Mandrill, Santana, The Jackson 5, entre outras.

Track 4: O single da Nasty Bits, “Woman Like You”, faz parte da trilha sonora espetacular de Vinyl, e pode ser conferida abaixo:

Então é isso galera, nos vemos na segunda temporada de Vinyl! Obrigado por acompanharem as reviews! Até lá!!!

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