Suponho que nós todos temos aqueles momentos na vida em que tudo muda em um segundo
Após um episódio emocionante e decisivo para o futuro da série, “Refraction” sintetiza em seu título a situação em que Norman se encontra. De maneira simplória e resumida, refração é a mudança de direção de uma onda ao mudar de meio. Relacionando com Bates Motel e seus últimos acontecimentos, podemos inferir que Norman seria a onda, o incidente ocorrido na boate seria o meio e a mudança de direção ainda não está totalmente clara.
Por conseguinte à descoberta e aceitação da própria loucura, Norman pode seguir por dois caminhos, totalmente opostos, mas, a princípio, com probabilidades quase idênticas. Discorrendo primeiro sobre a possibilidade otimista, podemos perceber que no início do episódio, o queridinho da mamãe aparenta agir da mesma maneira que agia nas primeiras temporadas, de forma cautelosa, preocupada e disposta a ajudar no que for preciso. Afirmando sua disposição a auxiliar qualquer procedimento desejado por Dr. Edwards e andando pelos corredores de Pineview com um sorriso no rosto e uma expressão de paz, Norman por um momento consegue nos fazer esquecer seus surtos, seu lado violento e que um dia já quis tirar a vida de sua mãe e a própria. Mesmo que dure apenas 1 segundo, é essa capacidade de oscilar da loucura a aparência de “filho perfeito” que o abriu tantas portas e o salvou de tantos momentos críticos. É utilizando a incredibilidade e a dó que Norman conseguiu fugir por tanto tempo das consequências que sofre agora, é por meio de seu rosto angelical que ele consegue transformar a hipótese dele ser louco em algo mais louca do que ele mesmo, e é com a figura materna do seu lado, que ele consegue desviar a atenção e pôr a culpa de tudo na proteção excessiva provinda de uma mãe que ama demais seu filho.
Entretanto, os dois primeiros meios não obtiveram a costumeira antiga eficiência contra Dr. Edwards e o terceiro, não é mais possível de ser utilizado, como observado na cena após o encontro no jardim. Não atingindo o sucesso com suas ações teatrais e sendo incapaz de fugir das perguntas pessoais feitas pelo doutor, Norman contempla a chegada de sua mãe e por mais estranho que aparente ser a amabilidade entre os dois, visto o último encontro, tudo parece tão real e tão vívido que é fácil se deixar enganar e não perceber que essa conversa divertida e bonita entre os dois, não passa de mais uma alucinação. Talvez por estarmos acostumados a ver Norma como uma alucinação quase sempre arrogante e violenta, a doçura e o brilho no olhar se tornaram um indicativo de realidade, porém, ficou claro que não será mais possível utilizar tal parâmetro.
Seguindo a falha do ultimo método tentado por Norman, após reconhecer que o doutor estava dizendo a verdade e a loucura o continuava afetando, uma cena incomum nos foi apresentada e expôs subjetivamente um spoiler de qual será o futuro dele. Naquele consultório pudemos observar desde a primeira resposta, após o grito de socorro, que ali não se encontrava mais o Norman, mas a Norma. Sem a troca de ator/atriz, sem precisar fazer um jogo de câmeras alternando entre Freddie e Vera e sem ao menos necessitar de um avental ou camisola, ficou escancarado que ali se encontrava a mãe nos mínimos detalhes, nos pequenos trejeitos e nas distintas palavras. É possível dizer que uma série e seus atores conseguiram atingir a excelência quando não precisam utilizar de nenhuma ferramenta cinematográfica maior do que a atuação para mostrar algo tão brusco como a alternância de personagens. Durante 3 temporadas e 4 episódios assistimos e reassistimos Vera Farmiga e Freddie Highmore dividirem cenas para deixar claro o que estava acontecendo, mas agora não é mais necessário e nem mesmo possível. Norman em seus surtos inspira e expira a mãe, não se tornando mais um espelho dela, mas ela própria. O filho voltou ao ventre da mãe e em seus momentos vulneráveis, assim como uma leoa, quem enfrenta e toma a direção é a progenitora.
Com essa cena, Bates Motel retira todo o otimismo incentivado pela primeira metade do episódio e incita que o futuro será cada vez mais obscuro. Contudo uma dúvida ainda paira nos corredores de Pineview, Norman conseguirá enganar mais uma vez e receberá alta ou teremos mais tragédias e loucuras por vir?
Enquanto isso, em segundo plano, Norma e Romero seguem suas vidas felizes, encontrando a cada esquina um aviso de que essa alegria durará pouco, seja por meio da Rebecca, consequências do assassinato do Bob Paris ou a volta de Chick Hogan. E o casal Dylemma consagra em mais um episódio como a quebra de toda a tensão da trama principal, exalando amor, fofura e otimismo, divertindo alguns e sendo o pior momento para outros. O plot dos dois nessa temporada está preenchendo a cota teen que a série faz questão de ter desde o piloto e mesmo que particularmente não me incomode essa história paralela, especificamente, com esses personagens, me gera um estranhamento e um pouco de revolta, pois tanto Dylan quanto Emma são capazes de oferecer muito mais do que um amor juvenil.















