Tower Prep foi vendida pelo canal Cartoon Network como a versão teen de The Prisoner, a série cult britânica, com doses cavalares de elementos de Heroes. Tenho que dizer que quando as principais inspirações de uma série são duas outras que foram canceladas, sendo que uma se tornou adorada décadas após ter sido exibida e a outra se mostrou um enorme fiasco, é sinal de que se está fazendo uma mistura, no mínimo, arriscada.

Bem, já se passaram três episódios e a série pôde sair do campo da promessa para o da realidade. E a verdade é…

Spoilers Abaixo:

… que não ficou tão feio assim. De fato, até que ela é bem divertida. Os elementos de The Prisoner e Heroes estão lá sem tirar pó: da série britânica, temos a idéia de um local desconhecido controlado por uma organização misteriosa, onde os indivíduos não sabem como vieram parar ali e nem como sair; da série americana, temos os poderes inatos que algumas pessoas especiais no mundo possuem.

Há ainda outras características que fazem parte do “batidão” que é Tower Prep, como as cenas de luta que lembram em muito as toscas batalhas da franquia Power Rangers (1º episódio), a idéia de que os indivíduos especiais devem ser treinados lembra X-Men, temos também o aspecto medieval da escola incluindo os uniformes que remetem a Harry Potter, além de questões ligadas ao universo infanto-juvenil (todos os episódios até aqui). Lembrem-se de que estamos falando de uma série de um canal cujo público é, em sua maioria, crianças e pré-adolescentes.

A história da série começa apresentando Ian Archer (interpretado pelo modelo/ator Drew Van Acker), que é um garoto inteligente, forte, lutador (de verdade), mas que é incompreendido por seus pais e colegas. Num dia enquanto jogava um bom RPG no PC em seu quarto, ele escuta uma voz de uma garota que se apresenta como Suspiro 119, que abandona o jogo de repente. Nisso um zunido alto paralisa o rapaz e faz com que ele acabe dormindo, acordando somente no dia seguinte no meio de uma escola que ele nunca tinha visto antes.

Enquanto tenta descobrir como veio parar ali, Ian conhece algumas pessoas incluindo o diretor da escola, cujo nome é simplesmente Diretor. Essa é até uma característica que também teve inspiração em The Prisoner, só que na série britânica as pessoas eram chamadas por números e elas tem os nomes de suas funções/áreas na escola (a professora de matemática se chama “Matemática; o de esportes tem o nome de “Treinador” etc.).

Após uma tentativa de fuga inicialmente mal sucedida do local, Ian conhece mais três outros alunos que também pretendem escapar do colégio. Obviamente eles resolvem reunir suas forças e poderes para bolar um plano que os tire daquele local. Falando nos poderes (entra aqui os elementos de Heroes), até que tivemos certa originalidade quanto aos dos quatro integrantes da equipe: Ian tem o poder de se antecipar a certos eventos, o que lhe confere vantagem em lutas corporais; Gabe (Ryan Pinkston) tem a faculdade de conversar com qualquer ser, independente da linguagem, sabendo ainda influenciá-los; Suki (Dyana Liu) tem a capacidade de reproduzir qualquer som, escrita ou visão que ela tenha tido contanto; e C.J. (Elise Gatien, de Smallville) é praticamente uma Cal Lightman da série Lie to Me, ou seja, ela consegue analisar a leitura corporal e micro-expressões das pessoas sabendo assim tanto se o que dizem é verdade ou mentira e o que elas estão sentindo de fato.

Enquanto eles descobrem cada vez mais sobre o local, o grupo também vai resolvendo outros mistérios e problemas que eles acabam tendo que enfrentar. São várias as questões que Tower Prep levanta: Eles estão no mundo real ou em algo próximo a uma Matrix? Quem sabe da existência daquele local? Por qual motivo tudo é mantido em segredo total? Perguntas e mais perguntas para instigar a curiosidade do espectador.

No mais, Tower Prep sabe realmente entreter com uma boa dose de mistérios, mas sem deixar de lado aquilo que agrada o seu público-alvo. Enfim, um passatempo bem interessante para quem procura uma diversão sem muito compromisso.

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