Eu te amo e tenho medo de você, e isso é uma péssima combinação

Após uma season premiere excelente, Bates Motel tomou um rumo em seu segundo episódio um tanto quanto inesperado e que mudará a série completamente. Tratando de maneira mais afinca sobre a doença mental de Norman, escolhas tomadas em “Goodnight, Mother” guiaram a família Bates para um caminho sem volta, com muita instabilidade e perigos a frente.

Embora nem todas as pessoas tenham passado por situações que envolvem parentes ou entes queridos com problemas mentais, é de conhecimento comum que há uma grande dificuldade em lidar com aqueles que não conseguem aceitar que estão doentes. Uma pequena palavra ou ação impensada no momento pode gerar consequências graves. O sofrimento da pessoa gera naquele que cuida dela um desgaste grande, podendo até mesmo levá-lo a um questionamento sobre sua possível culpabilidade e responsabilidade em tudo que está acontecendo. Porém, pode acontecer com qualquer um, independente da vontade. E, por essas e outras, atitudes extremas do portador da doença tendem a ser relevadas e protegidas pelos entes, sendo substituída por amor e esperança.

Norma já se culpou e se sentiu responsabilizada. Norma já protegeu e encobriu diversas ações do filho. Norma já se humilhou e moveu o mundo para ajudá-lo. Contudo, chegamos ao momento em que é necessário aceitar e procurar ajuda, mesmo que Norman responda com ódio e isso machuque profundamente seu coração. Nesse episódio não vimos apenas o que a psicopatia pode ser capaz de fazer, assistimos a dor de uma mãe ao perceber que não é mais capaz de cuidar do filho e o vê sendo arrancado de seus braços.

Bates Motel antes de quaisquer psicopatias, assassinatos e loucuras, é uma história sobre um amor extremo, descomedido e quase incestuoso entre mãe e filho. Para entender o porquê de Norman Bates ser do jeito que é em “Psicose”, é necessário entender sua relação materna e como ela foi a base inicial de tudo isso.

Dando prosseguimento ao surto de Norman que culminou na morte mais importante da série até o momento, como de costume, na manhã seguinte, tudo aparentava ter sido uma noite tranquila. Porém, ao longo de 3 temporadas, sabemos que tranquilidade é uma palavra que não existe no dicionário da família Bates. Acreditei por um segundo que a série daria dois passos para trás e voltaria ao famigerado plot “briga de casal”, emburrados um com o outro, trocando indiretas, não querendo terminar, mas não sabendo mais como continuar. Contudo, felizmente, a série deu um giro completo e utilizou dos flashbacks de uma forma um pouquinho diferente.

Tendo lapsos de memória da noite passada, em que aparenta ter sido um mero espectador de momentos suspeitos de sua mãe, Norman começa a acreditar que quem está louco é Norma e decide protegê-la dos próprios atos. Exatamente o que aconteceu no episódio passado, porém com os papéis trocados. Norman é tão semelhante a sua mãe que age exatamente da mesma maneira ao acreditar que a pessoa que tanto ama, está matando outros por aí e fingindo no dia seguinte que está tudo bem. Para ela, é necessário protegê-lo, pois ele não tem culpa de ser doente e no fundo é o menino mais doce do mundo. Para ele, é preciso ajudá-la, pois ela não está mais em seu juízo perfeito e ele a ama profundamente. Estando a sete palmos o pai de Norman, o antigo dono do hotel, o pai de Bradley, Shelby, Blaire Watson, Bradley e Ms. Decody, a única coisa que importa para os dois é ficarem juntos.

Com uma ótima direção, trilha sonora e impecáveis atuações de Freddie Highmore e Vera Farmiga, a série teve o seu momento mais aterrorizante e imprevisível, afinal, quem não pensou por um momento que poderia acontecer algo com Norma? O olhar de Norman e seus discursos repletos de amor e raiva ao mesmo tempo geraram uma tensão durante os últimos 10 minutos e trouxeram para Bates Motel um pouco do terror que acredito, todos esperavam.

Enquanto isso, Romero, como previ na última review (Yes!), decidiu casar com Norma para ajudá-la. Porém, sua maior importância foi a de aparecer na hora certa. Se ele não tivesse escutado a mensagem no celular ou não se importasse com o que poderia estar acontecendo, possivelmente Norman teria cortado os dois da equação. Já sabíamos que isso não iria acontecer, mas é interessante pensar como que se isolar do mundo e não permitir que ninguém conheça muito sobre o que acontece no Motel, quase fez com que Norma morresse. E com esse maior envolvimento de Romero no plot principal, podemos já começar a fazer hipóteses em relação a ele ser o “boyfriend” da “Mother” comentado em Psicose.

Além disso, Emma e Dylan caminharam mais um pouco na recuperação do transplante e protagonizaram cenas fofas, contrapondo o momento de loucura instaurado no motel. Espero que a recuperação aconteça rápida e eles voltem para White Pine Bay o mais rápido possível, pois mamãe Decody já se foi, Norman está a caminho de Pineview e quero ver os dois saindo do romance e participando ativamente do plot principal.

Bates Motel começa sua 4ª temporada de maneira sólida, sabendo usar a relação entre Norma e Norman e a química entre Vera e Freddie de maneira impecável, e mostra finalmente todo seu potencial, focando em surtos cada vez mais frequentes e personagens queridos cada vez mais ameaçados. Pineview nos espera e estou ansioso para por esse momento, pois “we all go a little mad sometimes”.

Comentários:

– Adoro essa parte cômica da Norma que continua tendo espaço na série. No meio de tudo e da discussão com Norman, consegui rir um pouco dela suja e correndo para trocar de roupa.

– Agradeço a Deus, Zeus, Alá, Odin, Jahbulon, Oxalá, Tupã, todos os santos e até darei 3 pulos para São Longuinho, por terem colocado o pai da Emma falando pro Dylan parar de vender maconha. É isso mesmo produção? Acabou plot maconha? Posso comemorar? Pois como disse uma famosa sábia do século XVI, “errar é humano, permanecer no erro, fica errado.”.

– Norma pegando a tesoura. A mão chega até a tremer com a referência.

– Uma foto só para lembrarmos o quão fantástica Norminha é:

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