Once Upon a Time atinge a marca de 100 episódios, mas de uma maneira bem medíocre.
Atingir o tão sonhado número cem é praticamente uma festa para todo seriado. Geralmente a produção faz um evento de comemoração. Algumas optam por um bolo, champanhe e muitas fotos. Muito mais do que uma oportunidade para encher a cara e enfiar papel de bala na peruca da Snow, o número mágico indica uma sobrevida maior para a série, que agora atinge o tão almejado syndication e poderá ser vendida para outros canais. Mais dinheiro no bolso dos executivos, mais chances de receber carta verde para mais temporadas. Além de tudo isso, o que a maioria dos produtores e roteiristas prezam, é por fazer deste evento, bom, um evento de verdade. Tem que ser memorável, afinal, os primeiros cem a gente nunca esquece. Infelizmente a festança de Once Upon a Time foi regada com muito plot batido, flashback desnecessário e participações especiais que terminaram mal utilizadas.
O grande foco de ir para o submundo foi o de ter, novamente, a presença de alguns personagens marcantes para a série. De poder mais uma vez interagir com vilões que haviam deixado uma marca especial durante cada arco passado, ou nem ao menos receberam destaque e saber como eles estavam lidando com o pós vida. Infelizmente a entrega não foi satisfatória e o que vimos foi uma grande sucessão de histórias fracas e aparições que poderiam ter sido bem melhores para a trama. Trama essa que está mais uma vez reaproveitando o padrão estabelecido para a série: Maldição, flashbacks já maçantes e cenas que poderiam ser muito mais, mas que terminam medíocres frente a tudo o que já assistimos.
Mais decepcionante ainda é perceber que a série já havia feito episódios melhores antes. Por duas vezes eu já comecei uma review de Once Upon a Time dizendo que o roteiro havia entregado uma montagem digna de series e season finale, antes mesmo da temporada terminar. Era de se esperar que existisse uma carta na manga para fazer do centésimo episódio da série algo pelo menos parecido. Mas não foi o que aconteceu.
A trama ao redor da Regina e de seu pai, Henry, foi sim muito emocionante em sua totalidade. O problema é ter que enfrentar mais uma vez cenas que nós já estamos cansados de assistir em toda temporada. Regina má procurando a Snow White e jurando vingança. Entendo que como episódio de número cem a série tenha prezado por uma homenagem ao seu período “clássico”, nos remetendo a elementos chave dos dois primeiros anos da série, mas isso é o que ela mais tem feito desde o final do arco 3A. Não é novidade. Já passamos por isso antes, depois de Neverland. Já acompanhamos o renascimento da série uma vez e notar que ela tentou fazer de seu grande espetáculo algo que ela já havia feito para recuperar seu ritmo, é frustrante. Apesar de ter gostado bastante da interação com o Henry pai/avô, apenas uma cena bem feita e emocionante não é capaz de segurar aquele que deveria ter sido um momento histórico para Once Upon a Time.
Existem séries que transformam o seu centésimo episódio em um marco, algo para ser lembrado sempre. Protagonistas morrem e vão parar em dimensões angelicais, personagens chave voltam para um último adeus, familiares morrem e casais que se enrolam por anos ficam juntos para depois serem abruptamente separados através de uma viagem no tempo. Em Once Upon a Time um personagem que ninguém mais lembrava apareceu para se despedir. Não é algo que vai ficar na história da série. Não quando me lembro de Heroes and Villains, ou A Curious Thing, dois episódios extremamente divertidos e verdadeiramente emocionantes do começo ao fim. Foi apenas mais uma chance para Lana Parrilla brilhar, o que não é ruim, mas já estamos acostumados com isso.

Vou dizer que achei bacaninha terem trazido o Peter Pan, a Bruxa Cega, o Sidney e até mesmo a Cora. Só que apenas uma foi verdadeiramente utilizada, ganhando até mais uma “morte” dentro do roteiro da série. Não me afeiçoei por nenhum momento em que a Cora apareceu e muito menos por seu “derradeiro fim”, sendo castigada por Hades a viver como a pessoa que ela lutou por tanto tempo para não se tornar. Para criar uma história para a personagem precisaram apagar a morte emocional e crucial criada lá na segunda temporada da série. Tudo bem que nada de realmente interessante e relevante saiu daquele desfecho, mas a morte foi sim um ponto alto daquele ano da série. Fazer com que a personagem apareça mais uma vez repetindo a mesma história de sempre, com as mesmas motivações de sempre e até o mesmo discurso, não foi memorável, foi para esquecer mesmo.
Do lado dos mocinhos e agregado a procura por Hook começou com o personagem surrado, mas sem revelar seu paradeiro. Todo mundo correu de um lado para o outro, mas ninguém realmente fez nada. Snow e Charming até começaram a criar algo bacana com a presença do irmão gêmeo morto, mas parou exatamente ali. Gold até começou um diálogo bacana com o pai, mas também não foi para frente. Depois do Henry pai, o único personagem que serviu para alguma coisa nessa onda de trazer mortos para interagir com os vivos foi – pausa dramática – Neal. Baelfire cumpriu exatamente a proposta de poder ressuscitar alguém e fazer dele útil. Por muito tempo existiu um mistério muito grande ao redor do personagem misterioso, o filho perdido de Rumpelstiltskin. Uma última conversa sentimental com a Emma valeu a volta.
O caminho de Once Upon a Time está cada vez mais torturante. Prova é a audiência da série que não para de cair. Existe uma diferença bem grande entre uma produção começar com força e perder fôlego até se estabilizar quando ela estreia, mas ver uma temporada começando com 1.8 na demo e já estar em 1.3, é perceber que ela está perdendo fãs. O limite para suportar furos no roteiro, reaproveitamento de histórias e personagens mal utilizados já está se esgotando. Teria sido muito mais inteligente colocar Sidney, Bruxa Cega, Cora, Peter Pan e cia para confrontar diretamente aqueles personagens. Mas optaram por separar núcleos e ter muita gente ocupando espaço sem necessidade. Pelo menos algo ficou mais do óbvio, Regina é quem realmente importa na série, afinal, o aniversário da personagem caiu magicamente no dia em que a produção comemorou cem episódios. É uma mensagem bem clara. Fique por seu amor a Regina. Sofra com todo o resto.
PS. Cora terminou fazendo um crossover com Narcos. Perdida por aí vendendo pó direto da carriola.
PS². “Você viu um cara de…”. Snow perguntando para a Bruxa Cega se ela viu alguém com as características do Hook. Como ela conseguiu libertar o reino e ser coroada? Como ela virou professora?
PS³. Depois de se aventurar pelos contos Disney, lenda do Rei Arthur e agora através da mitologia grega (Hércules), Once Upon a Time irá mergulhar de cabeça na trama de ‘A Usurpadora’. Ou seria ‘Mulheres de Areia’? Ruth e Raquel do mundo mágico, ambas disputando o amor de Tonho D’Lua a.k.a. Snow White.
PS4. Que o orçamento da série é baixo tudo mundo está careca de saber. Agora fazer aquele efeito de fogo azul na cabeça do Hades? Gente, alguém liga para o meu advogado na Alemanha. Eu tô passando mal.
PS5. Inferno sem orgia? Sem rock pesado? Ceia de natal na minha família é mais fogo e enxofre que aquele submundo.
PS6. Regina enfiando o dedo em uma torta quentinha. É material para duzentos anos de fanfic.
PS7. Grilo Falante andando dentro do sutiã da Snow White pode, mas orgia não. Desisto dessa série.
PS8. Belle ainda existe e até apareceu no episódio. Quando você pensa que inferno é onde eles estão e não de onde vieram, a bonita ganha uma fala.
PS9. Você acha que o Hook está preso em algum lugar levando uma surra, mas na verdade ele está em alguma masmorra sadomasoquista e deve ter ficado decepcionadíssimo por ter percebido que precisaria voltar para Storybrooke. E foi exatamente por isso que ele preferiu manter o silêncio.
PS10. Pessoal de Camelot ainda está lá na floresta de Storybrooke, fazendo suas necessidades no meio do mato? Verdadeiro inferno.
PS11. Malévola e Lily é o nome de alguma dupla de sertanejo universitário? Lembrei delas, mas não sei quem são.
PS12. Filtro vermelho para simbolizar o submundo. Storybrooke deu origem ao submundo. Orçamento jamais verá o paraíso. R.I.P.
PS13. Regina protegendo o Henry quando o Hook surrado apareceu. Eu ri, mas ri tanto, que até o gato da vizinha parou de fazer amor em cima do telhado e desceu para ver se eu estava bem.
PS14. Queria fazer 100 comentários jocosos para o centésimo episódio da série, mas não sei se conseguirei lidar com os inúmeros comentários de: “Não tá gostando, passa para outro fazer”. Já tentei, até subornei alguns membros do QG, mandei nudes, pavê, torta de maçã… não funcionou. Vocês estão presos a esse debochado reviewer até o final da temporada.















