The Last Man on Earth sempre gostou de brincar com os limites das clássicas sitcoms norteamericanas. Às vezes não dá certo, mas alguns episódios reforçam o porquê de a série ser tão diferente de tudo que está no ar atualmente nos EUA: sua criatividade e sua originalidade são seu maior trunfo, como ficou provado de maneira incrível essa semana.
Em “Pitch Black”, os roteiristas decidiram ousar mais uma vez ao não colocar o protagonista da série no primeiro episódio depois de quase três meses em hiato. O último episódio terminou com a vida de dois personagens em jogo: o Outro Phil tentava sobreviver à cirurgia de apendicite feita por Gail enquanto Mike Miller, o irmão astronauta de Phil, tentava chegar à Terra depois de três anos vivendo numa estação espacial.
Pra saber se o Outro Phil morreu ou não vai ser necessário esperar mais uma semana, porque Mike – um personagem que, apesar de já termos uma ideia de como é, não conhecemos a fundo ainda – é o protagonista da vez. Deixar de lado a turma já estabelecida em Malibu e seus arcos cada vez mais sitcomnescos é uma escolha arriscada, mas que se prova uma ótima jogada para dar um novo ar ao programa. E não há do que reclamar, uma vez que Jason Sudeikis dá um show como Mike e o episódio faz algo que muitos de nós sempre pediram: expandir o mundo da série.
Antes de chegar às revelações sobre o fim do mundo, nós (e Mike) conhecemos Pat Brown, um cara meio sinistro que acredita ter sobrevivido ao apocalipse por ter se isolado do vírus em alto mar. É interessante ver o contraste de ideias entre o astronauta, que não perde a esperança de reencontrar alguém de sua família, e Pat, que abraçou a ideia do apocalipse um pouco rápido demais, deixando pra trás sua vida em família sem pensar duas vezes.
Também, pudera. Mike chegou ao planeta acreditando que seria a única alma viva e deu de cara com alguém antes mesmo de ter pisado em terra firme. É de se entender a alegria do irmão de Phil. A insistência do astronauta em ver as coisas com seus próprios olhos (otimismo e ceticismo devem correr no sangue da família) acaba levando os dois a Miami, a contragosto de Pat.
Lá, descobrimos mais sobre as circunstâncias que levaram ao desaparecimento de quase todas as pessoas no mundo – não que isso seja importante para o andamento da série, mas é interessante ver como foram os primeiros passos depois do surgimento do vírus que dizimou a Terra.
Ver as centenas de sacos de cadáveres organizados em locais específicos e saber os sintomas do vírus (sangue e outros fluidos vazando por todos os orifícios do corpo humano. Sério, todos mesmo. Narinas, olhos, orelhas… ânus… buraquinho do pênis…) causa impacto até em que está só assistindo. Por mais que alguns tenham encontrado no humor uma maneira de lidar com as consequências, o que a humanidade passou antes de desaparecer quase que por completo não foi brincadeira.
Mas isso de nada importa para nós e perde a importância para Mike logo que ele vê um dos alertas de “Alive in Tucson” deixados por alguém. Quais são as chances de alguém da sua família ter sobrevivido, não é mesmo? O otimismo do astronauta entra em cena mais uma vez e ele decide partir para sua cidade natal.
O que é uma pena, porque, apesar de excêntrico e “distante”, Pat se mostra um sobrevivente como vários dos que já conhecemos, necessitado de contato humano para não enlouquecer na nova vida. Pois é, os roteiristas conseguiram introduzir o personagem e desenvolvê-lo em menos de vinte minutos.
Essa semana é fácil até perdoar o ritmo meio descontrolado do episódio, já que foi uma maneira encontrada para escapar das situações clássicas de sitcom que andam aparecendo ultimamente e arrastando o desenvolvimento da série. Com seu humor característico afinadíssimo e colocando Mike em rota para encontrar a turma de Malibu (provavelmente na season finale), The Last Man on Earth volta com tudo.
Outras observações:
- Apesar de meio avulsas no episódio, as aparições do Jacob Tremblay como mini Phil foram sensacionais. E que me desculpem os fãs do DiCaprio, mas quem merecia o Oscar de melhor ator esse ano era esse moleque.
- Como eu gosto de colocar o carro na frente dos bois, já tô aqui pensando se o Jason Sudeikis vai acabar virando ator regular em TLMOE. Quero. Aliás, será que as aparições dele serão mais raras a partir de agora?
- A fotografia do programa sempre foi linda, mas essa semana estava fora de série, principalmente nos primeiros minutos do episódio, ainda com o Mike lá no mar.
- “There’s a very good chance he’s gonna kill and eat me.”
- “Yeah, I’m more of a skin guy myself.”















