Há um elefante na sala de House of Cards e é necessário falar sobre ele. A série está preparando oficialmente o terreno para o seu final. Antes, havia a suspeita de que o caminho perseguido por Frank definiria a série em quatro anos: um para a ascensão a Vice, outra para ascensão a Presidente, uma para exercício da presidência e outra para a derrocada do protagonista. No entanto, a quarta temporada chegou para incendiar o embate entre Claire e o marido, o que poderia levar a uma ascensão da Primeira Dama sobre o parceiro. Chapter 45 derrubou essa ideia, ao reconciliar o casal em prol do objetivo comum. Então pode se questionar: como assim está terminando? Fácil: tem que prestar a atenção nos elementos que foram retomados até esse nono episódio.
Ao longo dos nove capítulos desse quarto ciclo, Russo, Zoe, Tusk, Petrov Lucas, Yates e, até mesmo, Walker foram resgatados. No caso de Russo e Zoe foi para relembrar as mortes geradas diretamente por Francis e fazê-lo entender que Claire é seu porto seguro. Com Petrov, Lucas e Tusk foi feito o esforço de encerrar a participação deles na história, afinal tinham sido deixados em suspenso. O ex-chefe de Goodwin está, aos poucos, juntando as peças e dando continuidade ao esforço de exposição das atrocidades dos Underwood e a forma pausada que isso está sendo desenvolvendo aponta para uma investida forte contra o casal. Ademais, não só de resgates de personagens está vivendo esse ciclo: o roteiro e a direção estão regularmente fazendo rimas narrativas com momentos anteriores da história, em alguns casos criando paralelos com episódios completos.
Chapter 48 resgatou Claire e Frank trabalhando juntos com ligações, reuniões e barganhas para conseguir votos. A energia exalada por esses momentos foi de uma nostalgia inesperada, chegando ao ponto de o próprio protagonista pronunciar que estava se sentindo como Congressista novamente e isso o empolgava. Um destaque louvável dessa corrida por votos foi a forma gradual que a centelha da candidatura da Primeira Dama foi levantada, sem ser preciso fazer isso oficialmente. Como bem pronunciado, várias vezes, ao longo da série, história boa vende e não necessariamente a melhor. E tem notícia melhor que a esposa do Presidente sendo votada inesperadamente, no auge de sua popularidade e num momento em que todas as atenções estavam sobre os democratas?
Melhor que isso foi o jogo para tentar esconder as intenções reais do povo americano e de Durant perante jornalistas e a mídia. Assim, é válido bater palmas para Claire por ter driblado esse caminho com bastante elegância e sem abrir margem para desconfiança. Frank, por outro lado, tropeçou em não suspeitar da conversa com Durant. Como afirmado na review anterior, a Secretária de Estado não seria alguém fácil de dobrar e ela não quebrou as expectativas. Que belíssimo momento de Jayne Atkinson na série e, agora, que ela está usando Conway para tentar derrubar Francis, que vejamos um lado mais incisivo da chanceler no próximo episódio. As prévias para Vice encerrarão em breve e resta saber o dano que ela conseguirá causar. A Primeira Dama, novamente, corre o risco de ser o sacrifício necessário para a plataforma do marido. Será que Frank deixará isso acontecer novamente ou lutará ferozmente pela esposa?
E, calma, que a conversa de Conway e Underwood não será esquecida. Que momento de brilhantismo de roteiro e atuações. House of Cards é tão cretina que não esconde que ironiza a importância das campanhas eleitorais. Enquanto o público da série fica numa dialética de alívio/tensão com o jogo entre Frank e Will perante os temas políticos e sociais, é criada uma cena icônica em que ambos os candidatos deixam as carapuças sérias de lado. No lugar da política como prioridade que ambos tinham requerido para reunião, eles vão jogar no celular e soltar indiretas um contra o outro. A acidez do roteiro dessa cena foi emblemático e ainda escondeu a jogatina de Conway que promete incendiar os próximos passos a serem tomados rumo ao final a temporada.
House of Cards está criando o terreno para seu encerramento em seu quinto ciclo e as bases para isso não poderiam estar melhores. A segunda metade da temporada até o momento não conseguiu atingir o patamar dos seis capítulos iniciais (mas que fique claro que está ótimo), no entanto, com o cerco acirrando sobre a disputa entre o democrata e o republicano, a reta final promete. Fica a expectativa de que a promessa seja cumprida.
P.S.: “O político é alguém que afogaria um ninho de gatinhos por dez minutos no horário nobre”.
P.S.: “Não é isso que é a política? As pessoas que você coleta?”.
P.S.: “Mas se eu estiver certo, ela vai precisar do discurso para destruir todos os discursos. E seria bom eu saber disso” – Preciso desse discurso acontecendo.
P.S.: Seth abrindo o jogo da desconfiança de Doug para Leann pode não ter sido a melhor das coisas a fazer nessa situação…
P.S.: Foi confortante ver Blythe falando com o jornalista sobre o protagonismo de Claire nas negociações em Brandeburgo, porque, em seu caso, o sentimento de admiração pela Primeira Dama é real.














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