Sem sombra de dúvidas o melhor episódio de The Flash.

O que faz de Welcome to Earth-2 um ótimo episódio é a necessidade que estávamos por ter um contato maior com a trama principal da temporada. Desde a volta da série de sua pausa anual nada realmente interessante andava acontecendo e os episódios flutuavam entre o bom e o regular, uma meta que série nenhuma almeja ao gastar milhões em produção e tempo. Muita coisa aconteceu, mas com certeza o destaque principal ficou para a presença do personagem mais aguardado deste o início do segundo ano de The Flash, a vintage, porém moderna, Terra-2. Lar de Killer Frost, Deathstorm, Reverb e Zoom.

Divertido é pouco para descrever o décimo terceiro episódio de The Flash. Na verdade a série fez exatamente o que eu tanto queria ver. Ela colocou seu elenco para se divertir de verdade e ainda garantiu uma ótima trama para a temporada. A imagem através do espelho é muito mais cruel do que o imaginado. Existem várias semelhanças, mas as diferenças são gritantes. Barry não mantém uma boa relação com o Joe, afinal ele não precisou ser adotado pelo policial e nunca entrou para a polícia como um filho faria ao seguir os passos do pai. Para completar o álbum de figurinhas da Terra-2, fomos apresentados a Barry e Iris em seu casamento, a presença de Nevasca e Deathstorm e coroando tudo, um Cisco Ramon criminoso e chefe de gangue. E sobre o casal de vilões: confesso que eu estava esperando por este momento desde que a série anunciou a presença de Caitlin Snow.

Ter a atriz Danielle Panabaker em um papel diferente e se divertindo foi absolutamente a melhor parte do episódio. Toda a atuação, linguagem corporal, falas, cenas, absolutamente tudo cooperou para que a minha visão se expandisse para todo o potencial que a série está perdendo ao ter Caitlin sempre enclausurada dentro do laboratório, ou correndo atrás de alguma salvação para o Jay Garrick. Seguindo a agenda ocupada do Robbie Amell o Deathstorm terminou não fazendo muito, mas ajudou a impulsionar a presença da nossa Killer Frost. É disso que a série precisa, de momentos que desafiam o já esperado padrão da semana que tanto vinha se repetindo. Encontrem histórias que façam o elenco se divertir, chega de ficar batendo na mesma tecla para personagens que em dois anos não mudaram nada. Não quero ter minha Caitlin sempre chorando por causa de algum par amoroso, mas se for para acontecer, que seja na pele de Killer Frost, alguém que pode balançar o status da série. O mesmo vale para o Cisco, para a Iris… The Flash precisa parar com esse medo de arriscar e mostrar que a coragem não vem apenas quando tudo gira ao redor de uma dimensão paralela.

A trama ao redor da Caitlin e do Jay funcionou também. Acrescentar tais momentos dentro de um episódio alocado em outra dimensão pode parecer uma maldade muito grande, mas é essencial para a nossa compreensão de que o mundo do Flash continua girando, mesmo com sua ausência. Ver o Barry saindo e voltando sem nenhuma consequência para Central City é desprezar totalmente a necessidade de um herói protegendo a cidade. E o caminho usado para reforçar este tema foi ótimo, especialmente por dar um espaço maior para Caitlin e Jay, dois personagens ótimos que andam sendo negligenciados pelo roteiro semanalmente. Mesmo que esta versão do Jay não seja a que eu quero ver, a série balanceou bem seu comportamento com a velocidade 6 e como ele funciona de maneira bem mais madura e condicionada enquanto utiliza seu uniforme de Flash. A cena com o capacete foi simplesmente incrível e só me deu mais vontade de ver o personagem utilizando suas habilidades ao lado do Barry. Cadê o festival de velocistas impedindo o Zoom? Preciso pra ontem.

O importante aqui nem foi Zoom, mas sim todas as interações extremamente valiosas para a produção. Iris como esposa do Barry é um lembrete bem forte dos planos para a personagem. Se levarmos em consideração esta Iris West e a evolução gradual que sua contraparte na Terra-1 vem ganhando semanalmente, faz todo o sentido. Agora quando pensamos nos problemas que a série ainda irá impor para qualquer mulher que tente se relacionar com o protagonista, o melhor seria deixar de lado qualquer história entre os dois e guardar tais momentos para o futuro. Talvez seja essa infusão de Iris West Allen a responsável por reacender a chama da paixão no Barry. Espero que a série trabalhe de uma forma mais orgânica, deixando bem claro que aquela vida pertence a outra realidade e não tem obrigação nenhuma de se repetir na “regular”. Estes roteiristas precisam compreender que se é possível criar um episódio em que o par romântico funciona, nada os impede de continuar por uma temporada inteira. Já estou cansado do amor predestinado que só funciona na reta final da série.

Este episódio também serviu para riscar alguns nomes da lista de suspeitos para a identidade secreta do Zoom. Como o Jay estava na Terra-1 sendo constantemente vigiado pela Caitlin e passando vergonha na frente do Geomancer, já o podemos tirar da equação, mas não o seu doppelganger, Hunter Zolomon. O mesmo vale para o Joe e para o Barry da Terra-2. Quem não deu as caras, até o momento, foi Henry Allen, mas segundo o telefonema da mãe do Barry ela e o marido estavam curtindo Atlantis. Não sobra mais ninguém para acrescentar na lista, que vem ficando cada vez mais complexa. Tudo pode dar uma volta de 180º a qualquer momento, já que por ser um velocista Zoom pode aparentar estar em dois lugares ao mesmo tempo. Quem não apareceu ainda para dar um oi foi Wally e bom, pense o que quiser a respeito da ausência do personagem e a constante reafirmação de pai e filho neste ano da série.

Welcome to Earth-2 é tudo o que eu esperava que The Flash fizesse desde o anuncio de uma realidade alternativa. Um episódio bem estruturado, com ótimas interações e histórias válidas para ambos os lados da moeda e não apenas para o núcleo ao redor do Barry. São momentos assim que Flash precisa criar semanalmente. Utilizar a fórmula do vilão da semana não é algo ruim, mas só se utilizado com parcimônia, com um propósito. Jogar episódios esparsos o tempo todo é um desserviço para o potencial da trama apresentada e eu não quero ver se repetindo tão cedo. É uma pena saber que o próximo ‘Escape from Earth-2’ marca, talvez, a última incursão do Barry na outra dimensão. O lado bom é que logo mais ele irá acabar indo parar na Terra-3 (?), lar da Supergirl.

Easter eggs e outras informações

Começando pelas imagens que vimos durante a viagem para a Terra-2: É possível ver um arqueiro verde negro. Supergirl aparece voando (lágrimas escorrendo). Também temos o anel Legião – Que já deu as caras em Smallville, no episódio Legion, o décimo primeiro da oitava temporada. Uma cena da série The Flash dos anos 90 com John Wesley Shipp usando o uniforme do Corredor Escarlate. Jonah Hex que aparecerá em Legends of Tomorrow e por último o Gorila Grodd.

– No telefone do Barry é possível ler: Eddie, Bruce, Hal e Diana. Bruce Wayne é o Batman, Hal Jordan é o Lanterna Verde e Diana a Mulher Maravilha. Nenhum sinal de Clark, ou menções ao Superman. Imagino que por enquanto só existem duas realidades com os herdeiros de Krypton, a Terra-3 (vou chamar assim até ter o número exato) lar da Supergirl/Superman e a Terra-Filme com o Homem de Aço. Como o Barry da Terra-2 não tem poderes, sou levado a acreditar que nenhum destes heróis citados são vigilantes fantasiados, mas sim pessoas comuns.

– Pela segunda vez a série fez uma menção a cidade de Atlantis, lar do Aquaman, presente apenas na Terra-2, por enquanto.

– A imagem do Barry com uma gravata borboleta é a ilustração perfeita de seu lado civil nos quadrinhos, sempre com o adereço. A importância da gravata é tão grande que ela ganhou uma história de origem em Flash: Rebirth.

– Capitão ‘Snart’ Frio é o prefeito de Central City na Terra-2. Já o Capitão Singh é um bandido pequeno nesta Terra de opostos. Deadshot que morreu em Arrow é o capitão da força policial de Central City e tem a habilidade de tiro de um Stormtrooper.

– A Iris como detetive nem é algo tão difícil de imaginar. Na Terra 1 ela já havia vociferado o desejo de ir para a academia, mas foi impedida pelo Joe.

– Deathstorm teve sua primeira aparição em Brightest Day #10, de 2010. Neste evento do Lanterna Verde o personagem que estava morto foi trazido de volta a vida e passou a integrar a tropa dos Lanternas Negros. Foi durante esta sequência que Ronnie ressuscitou e passou a se fundir com Jason Rusch, para depois descobrir que existia uma terceira “pessoa” na matriz Firestorm.

– Killer Frost nos quadrinhos ganhou seus poderes após ser aprisionada por membros da H.I.V.E. dentro de um motor fabricado para ser uma nova fonte de energia sustentável e termodinâmica. Em um momento de desespero ela termina retirando os cabos do sistema de refrigeração e assim se torna a Killer Frost. Sua primeira aparição na prime earth foi em 2013, Fury of Firestorm: The Nuclear Men #19.

– Existem duas versões do personagem Geomancer, mas a utilizada para a série foi a de número 1, de JSA #5 em 1999. O vilão fez parte da Injustice Society of America.

– Reverb na nona arte é a alcunha adotada pelo irmão de Cisco, Armando. Seu debut no mundo dos quadrinhos foi em Justice League of America #233, de 1984.

– Com o Joe cantando neste episódio estamos cada vez mais próximos de um episódio musical em The Flash. Certo?

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