O trio que criou Baskets é de peso. Louie CK, comediante veterano, atingiu reconhecimento internacional nos últimos anos com seus especiais de stand-up, e mais recentemente com a aclamada série semibiográfica Louie, também pela FX; Galifianakis estrelou a série de filmes The Hangover (Se Beber Não Case) e ganhou espaço para trabalhar em projetos menos grandiosos, como o premiado talk show Between Two Ferns with Zach Galifianakis; e Jonathan Krisel, trabalhando mais fora dos holofotes, foi parte integral do sucesso de Portlandia, colaborador do SNL e diretor de diversos episódios cômicos ao longo dos últimos anos, como em Man Seeking Woman. O piloto da semana passada, ‘Renoir’, foi escrito por esse trio, e era aparente: estavam lá o humor filosófico de CK, a criação de personagem potente de Galifianakis e o tato com a comédia não convencional de Krisel. Não é o caso de ‘Trainee’, escrito por Rebecca Drysdale, um episódio decente, mas sem o impacto e a elegância do episódio passado.

O maior problema de ‘Trainee’ é justamente do roteiro. Há muita exposição e desenvolvimento da história, mas pouca atenção aos personagens. O piloto foi um poético estudo de personagem, e se beneficiou ao focar da solidão de Baskets, mas nesse segundo capítulo as coisas perdem parte da força, em especial na história do Juggalo que Chip decide treinar. Parece ser uma escolha de roteiro precipitada, e a reflexão quanto aos sonhos de Chip e sua visão do que é ser um artista provavelmente funcionaria mais tarde na temporada, quando as coisas já estivessem mais encaminhadas.

Ainda há, claro, muito do trio criador em ‘Trainee’, mais notavelmente no humor, que consigo dividir em dois “tipos”. Existe, primeiro, um humor mais reflexivo, menos imediato, que foi responsável por aquela “poesia” do piloto. Não é o tipo de comédia que incentiva gargalhadas, e às vezes provoca um riso dolorido, por ter uma natureza mais trágica, sentimental. É a mão de Louie CK pesando bastante aqui, já que esse tipo de humor não falta em sua série homônima.

Em segundo, há um humor “bobo”, quase infantil, primitivo, e nesse sentido funciona como uma grande homenagem das mentes por trás de Baskets à comédia pura: a porta do carro que se abre e derruba quem passa, o touro que atropela o palhaço dançarino…’Trainee’ tem uma cena muito bonita que põe em imagens essa homenagem, quando Chip encontra a caixa com seus velhos brinquedos de palhaço, e Galifianakis acerta em cheio ao sintetizar em alegria e nostalgia o breve momento do episódio. No tópico “atuações”, aliás, Baskets é impecável. Tanto Galifianakis como Chip quanto Martha Kelly como Martha e Louie Anderson como a mamãe Baskets estão excelentes, e a cena mais engraçada da semana, quando a Sra. Baskets arromba a porta do banheiro, é um esforço conjunto do elenco, que trabalha com muita naturalidade.

Resumidamente, ‘Trainee’ é um episódio competente, com momentos engraçados e atuações convincentes, mas falha em ser tão diferente, interessante e único quanto seu antecessor. Baskets tem tudo para ser uma série grandiosa, que ultrapassa os limites tanto da comédia quanto do drama, mas precisa se arriscar um pouco mais.

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