O resumo de tudo aquilo que Once Upon a Time faz de errado, em um episódio.

Ultimamente Once Upon a Time tem sido uma série que mais comete erros do que acertos. Esta quinta temporada estava com todo potencial para reverter a situação e trazer mais uma vez a magia de volta para Storybrooke. Depois de uma sequência de ótimos episódios e indo contra o histórico de conclusões pré hiato excelentes, OUAT errou feio com Swan Song. Não existiu chave de ouro, mas sim a recordação de tudo aquilo que anda sendo feito de forma incorreta pelos roteiristas da série. Ao optar por desenvolver a história de Killian e seu pai e não justificar a motivação do Dark Hook, a conclusão demonstrou ser apressada e um pouco descontrolada. Se antes a série prezava por mid-season finales dignos de series finale, neste ela apresentou quase um première, com mais perguntas do que respostas.

O arco Dark Swan teve seus bons momentos, não podemos negar. Contudo, a história conseguiu ser interessante graças a algumas surpresas e desenvolvimentos durante o árduo caminho. Conseguimos ótimas sequências com Nimue, Birth e Broken Heart. Mas também existiram tropeços, como a posição de Bear King e The Bear and The Bow, além de Arthur e Camelot, que simplesmente desapareceram, ou o Lancelot que foi buscar informações com a mãe e até agora está nadando em algum lago aleatório do mundo encantado. O saldo foi positivo? Absolutamente. Ao olhar o panorama geral a história foi boa sim, as interações entre personagens foram satisfatórias e mesmo não entregando o que prometeu, aprendemos bastante a respeito da mitologia do Dark One. E se tudo foi assim tão bom, qual o motivo da minha revolta com Swan Song? É mais simples ainda de falar sobre.

Nenhum erro cometido até agora consegue ser maior do que o arco do Rumpel, que pela enésima vez foi zerado e começado novamente. Do zero? Um sonho que não será realizado nunca. Afinal, o que aconteceu com o personagem não é diferente do que já havia sido feito antes, várias outras vezes. Isso mostra a incapacidade da série em abrir mão de seus personagens, ou criar histórias novas e interessantes para eles. Do que adiantou o coração branco, puro e novo? Qual a utilidade de toda a sua trama durante essa meia temporada? É praticamente ofensivo a maneira com que a história do personagem foi “desenvolvida”. É até difícil dizer que existiu desenvolvimento, já que tudo ali soou como falta de. Este tipo de padrão me faz desanimar e muito com a série. No final ele sempre será o mesmo covarde de sempre, é isso mesmo? Justo, mas não condizente com seu status heroico proposto.

Once Upon a Time se tornou uma série extremamente covarde. Quando existem possibilidades reais de chacoalhar a vida dos personagens principais ela escolhe a saída mais fácil, ou o caminho menos complicado. A magia se tornou a verdadeira muleta da série e agora que existe a possibilidade de ir para o inferno, com apenas algumas gotas de sangue do Dark One, o que acontecerá com a morte? Entender que OUAT é uma série família, com ambientação fantasiosa, cheia de personagens saídos dos contos de fada não a isenta de lidar com um dos aspectos mais comuns a vida humana, a morte. Indo além, a falta de coragem para riscar personagens é o que anda fazendo da série uma produção tão complexa, até mesmo para os roteiristas. São várias linhas temporais para dar sentido, vários personagens que somem por vários motivos diferentes e que às vezes voltam, trazendo mais bagunça ainda. E quando a chance se apresenta a série decide não dar uma conclusão definitiva. Em um momento todo mundo é importante, no outro personagens que antes poderiam acrescentar muito para a trama simplesmente somem.

Quando mais perguntas são levantadas do que respostas dadas para um arco obviamente encerrado, o problema fica nítido. Ao perder seus poderes Emma também confundiu completamente o que estava sendo trabalhado na temporada com parte da mitologia do Dark One. Excalibur é a conexão com o poder das trevas, feita através do derretimento do próprio Graal. Se é possível dividir através de magia a espada e criar outra adaga, não deveria Emma ter permanecido com seus poderes – Que não foram sugados pela espada e que só desapareceram com a morte do Hook? Quando o Dark One morre, seus poderes são passados para o próximo, então tecnicamente o mais recente possui os poderes de toda a linhagem. O que fez o Rumpel dizer que ele tem o poder combinado daquelas criaturas e por isso é mais poderoso do que nunca? Será que a série irá desenvolver estes temas, ou nós teremos que encontrar justificativas para aquilo que não é explicado, ou comumente desprezado durante a exibição do episódio? Aposto minhas fichas na última opção. Já estamos explicando a cronologia mesmo, o que é a mitologia, né?

Este último episódio do arco 5A não é bom por vários motivos. O principal é utilizar uma conexão entre Regina e Hook que nenhum dos dois jamais esboçou existir. Então a Regina sabia que o Hook tinha matado seu pai, como parte de sua prova para verificar se ele era digno de cumprir a missão de arrancar o coração da Cora. Ok, aceito. Só que não parece um pouco estranho que o assunto nunca tenha surgido, especialmente quando ele apareceu pela primeira vez na série? Tudo bem, Regina também teve um passado de crimes, mas imaginar que ela escolheria esquecer de tudo e só lembrar quando a hora fosse conveniente não desce muito bem. Este tipo de comportamento do roteiro mostra que a qualquer momento um segredo poderá emergir para encaixar a trama no que produtores e roteiristas estão criando. Não é bom, é mais uma saída fácil.

Aliás, todo o arco da Regina nesta meia temporada foi extremamente falho. O momento em que a personagem comenta que agora pode utilizar a varinha do aprendiz por confiar em si mesma foi a parte em que eu me lembrei de tudo o que tinha acontecido em Camelot. Até então eu estava quase não dando muita atenção para esta parte da história em especifico. Sim, Regina foi adorada, amada e ganhou uma alavancada na confiança e autoestima, mas todo o resto de sua trajetória foi bem blasé. Primeiro porque Robin não oferece apoio suficiente para que a personagem cresça. Segundo porque toda a trama com a Zelena foi de extremo mau gosto. Em determinado momento a série escolheu passar a ideia de que um filho é a salvação de qualquer vilão – Se esquecendo completamente da Cora. Já em outro decidem tirar a filha dos braços da mãe ao mudar completamente o discurso da verdinha. Antes ela queria alguém para não continuar sozinha, agora, convenientemente e para justificar uma atitude mais extrema, ela confessa querer criar a bebê Pistache como vilã e exibe até um tom de desprezo ao mencionar a criança. Não é assim que a trama precisa ser conduzida, através de ferramentas covardes que mudam tudo para que o final seja coerente. E não foi.

Swan Song tinha tudo para concluir um arco interessante, mas optou por jogar tudo no lixo ao tratar com desprezo toda a história que propôs. Dark Hook não chegou a ser Dark, só no flashback mesmo. Dark Swan então, nem vou comentar porque eu prometi que não faria, mas vocês já devem ter uma ideia clara do que senti com todo o arco. Regina e Robin deram segmento aos momentos mais sem noção que a série já iniciou, desde sua primeira temporada. Fatores como o deste décimo episódio me fazem repensar seriamente se volto para outra temporada. Ainda temos mais um arco até o final derradeiro da quinta temporada, mas toda a esperança que eu tinha com OUAT começou a esgotar. Resta torcer para que a trama do inferno consiga nos levar ao céu.

PS. Levar o Henry para o inferno com qual finalidade? Espero que o padrão de tratamento desferido para as crianças da série se repita e o esqueçam lá.

PS2. Já organizei a manifestação, comprei todo o estoque de cartolina verde da papelaria e quero todo mundo na porta da ABC pedindo o retorno da Zelena.

PS3. Pistache, o nome da bebê Hood. Melhor nome EVER! – Tá, não é oficial, mas para mim é.

PS4. A maior cicatriz na vida da Emma depois de seu período como Pata Preta é o cabelo detonado. Vaquinha online pro combo de balaiagem e hidratação com escova marroquina para a Salvadora, agora.

PS5. Belle voltou só para terminar na cama com o Dark One, de novo. Já pode pedir música no Fantástico.

PS6. Regina jogando uma saliência para o Hook no passado. Pensei que ia rolar trama do filho secreto entre os dois. Eu e Christina Rocha do Casos de Família estamos decepcionados.

PS7. Os anões não servem nem para ir para o inferno. Um novo nível de inutilidade.

PS8. Em um mundo paralelo e feliz Robin morreu junto com o Hook, permitindo que Regina e Emma criassem Henry e Pistache juntas.

PS9. Todo mundo sabe que o Rumpel é novamente o Dark One, menos a Belle. Nada de novo debaixo do sol.

PS10. Rei Arthur vai dominar Storybrooke na ausência da turma do barulho? Camelot ainda está sendo controlada pelo pó mágico? Onde está a namoradinha do Henry? Aquele povo está fazendo suas necessidades no meio da floresta? Tantas perguntas para respostas que eu não dou a mínima.

PS11. Merida vai ficar cavalgando e esperando outra fumaça roxa a mandar de volta para casa? Manda carta para o Gugu, boba.

PS12. Malévola e Lily? Alguém sabe? Montaram na lomba de um dragão e sumiram, só pode.

PS13. O anão ainda é uma árvore no meio da estrada, ou o departamento de transito do Maine já cortou aquela ameaça a segurança pública?

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