Once Upon a Time sabe concluir suas tramas.
Infelizmente a série peca muito quando decide criá-las. De uma coisa, porém, eu tenho certeza, esta quinta temporada está estruturalmente melhor do que todas as anteriores da série, com exceção do ano de estreia, onde tudo era muito melhor conduzido e executado. Broken Heart tem como proposta desenvolver a trama que irá concluir o meio ano da série, antes do hiato e da já habitual renovação de arco para a temporada. Com Hook completamente tomado pelo lado Dark e assombrado pela presença de seu pior inimigo, o Crocodilo, a série tenta com um pouco de esforço e talvez pela última vez, expandir a mitologia do famigerado Dark One.
Já estou praticamente um disco furado, mas pela última vez irei mencionar a respeito da fatídica temporada da Dark Swan. Quando vejo o Dark Hook, a forma com que Colin O’Donoghue pareceu se divertir ao incorporar os trejeitos de Rumpelstiltskin, eu fico dividido entre a extrema felicidade a mais profunda tristeza. Aquele era para ser o momento da Laganja Estranja Emma, era para ser a Jennifer Morrison lá, se divertindo, nos divertindo. Foi a chance que a série pegou e escolheu desprezar totalmente, apenas para criar a imagem de um anti-herói para sua Salvadora, mantendo-a “imaculada”. Nada do que prometeram foi feito. Por isso, mesmo feliz pelo Hook finalmente agindo de forma independente e não apenas como uma extensão da Emma, a felicidade não parece completa. Nada disso ofusca a qualidade de um ótimo episódio, apenas ressalta que não dá para confiar em nada do que é prometido, não foi com o trio maligno de bruxas inaptas, tão pouco com a Pata Preta da magia negra com adorno branco.
Por outro lado, ter o Hook com mais peso na trama, além da dinâmica do casal, é algo ótimo. Sempre fui partidário de Captain Swan, gosto da química dos atores e vejo a trajetória de ambos dentro da série como algo complementar. Porém, já estava cansado de ter apenas uma faceta do Hook. Eu entendo bem que Once Upon a Time é uma série sobre suas mulheres, é só observar o destaque massivo em cada temporada para suas protagonistas e antagonistas. Neste quinto ano, mesmo com Arthur agindo nos bastidores como vilão, é Nimue quem rouba a cena. Logo, fica fácil entender o motivo pelo qual são elas as donas de tudo, enquanto eles agem pelas rebarbas. Porém, até mesmo estes homens falhos e pequenos precisam de um pouco de sabor, caso contrário o mel do amor pode terminar causando diabete.
Ver o Hook mergulhando nas trevas é completamente compreensível. Kilian foi um homem que viveu por centenas de anos com um objetivo único, vingança. Ele conseguiu ver o erro de suas atitudes, mas apenas depois de muito sacrifício. Encontrar a Emma e apaixonar-se, reencontrar-se com Neal e perdê-lo, a trajetória não foi fácil. Só que, diferente da Emma, ele manchou seu coração com atitudes perversas. Antes de tornar-se o galã que é hoje, Hook foi um homem extremamente odioso e desprezível. Seu lado Dark exacerba exatamente todos os traços ruins de sua personalidade, ao passo que apenas deixa Emma um pouco mais suscetível a comportamentos questionáveis. Portanto, este lado mais agressivo, manipulador e canalha, é apenas um aspecto que ele escolheu suprimir para ser feliz, uma felicidade que banhada pelas trevas termina como algo facilmente desprezado, pelo menos por enquanto.

Enquanto tudo de importante acontecia, os coadjuvantes permaneceram agindo como extras de luxo. Snow e Charming retornaram ao modus operandi de sempre, existindo apenas para soltar frases de efeito que passam da reprovação para a aceitação em menos de dez segundos. A volta do Henry também deixa bem clara a situação atual da série, em que os roteiristas não têm a mínima noção do que fazer com os personagens que colocam na geladeira. Fazer de Emma e Henry um time novamente foi legal, mas além de ser uma repetição, nem se deram ao trabalho de pensar em um nome diferente para a missão secreta dos dois. Operação Cobra II mira na nostalgia, mas acerta na falta de esforço. E nem pretendo comentar sobre todos os outros personagens que aparecem, somem, voltam. Na verdade, nem seria um problema, se não fosse a tentativa de fazer com que esses “avulsos” demonstrassem importância de protagonistas. Ou vocês acham que eu me esqueci do episódio passado?
Enquanto todo mundo trabalhava para competir pelo espaço de coadjuvante menos desprezado, Belle e Rumpel atingiam um ponto do relacionamento dos dois que pela primeira vez eu achei bem executado e coerente com o que já foi exibido durante toda a história da série. Belle sempre aparentou estar mais apaixonada pela imagem idealizada da sua Fera, do que pelo que os dois realmente poderiam ter. Quando olho para a segunda temporada e me lembro do episódio Lacey, algo me chama a atenção. Enquanto dominada por suas memórias falsas, criadas pela maldição, Belle/Lacey age com puro desdém para as tentativas de Gold em provar-se bondoso. É quando o vê completamente sombrio que ela sorri. De uma maneira bem insana OUAT estava destacando a verdadeira aparência daquele amor. Sem ter alguém para salvar, o relacionamento perdeu alguma coisa. Resta saber se o Rumpel conseguirá manter seu mais novo coração puro, intacto.
Eu já havia mencionado antes que a série precisava definir o que realmente irá fazer com Gold. Eles até estão trabalhando em prol de uma mudança para o personagem, mesmo que ainda exista uma resistência muito grande em deixar o Crocodilo ir embora. A luta entre Gold e Hook foi uma excelente forma de mostrar a tal mudança, mas sem realmente afirmar algo definitivo. Nós sabemos que ninguém ali vai morrer, então o embate entre Hook e Gold cai como um desfecho anticlimático para uma cena que tinha tudo para ter um pouco mais de emoção. Afinal, Hook passou centenas de anos maquinando sua vingança, para se satisfizer com um corte no braço e uma conduta de honra que ainda descolou uma perna nova para o Gold.
Broken Heart segue o padrão de Once Upon a Time, sempre muito ágil em entregar episódios bons quando a (meia) temporada chega perto de seu fim. Ter um vilão de verdade conta pontos, mas ao mesmo tempo deixa tudo bem mais complicado, já que no final do dia, ainda temos o Arthur. A surpresa de que um personagem querido havia se transformado em seu pior pesadelo é extremamente válida e eu estou ansioso por mais do Dark Hook, mesmo já imaginando uma resolução rápida e mágica para o próximo episódio, o último antes do hiato. Olhando o panorama geral da temporada, todas as tramas foram incrivelmente interessantes e válidas. O desafio para a série permanece, mas a tranquilidade aumenta consideravelmente, especialmente quando me lembro da qualidade dos episódios que antecedem o intervalo entre uma meia temporada e outra. No final fica apenas o desejo de que existam mudanças palpáveis dentro da série, que desde a morte do Neal não conseguiu chacoalhar o mundo “perfeito” de seus personagens, pelo menos não com audácia e coragem.
PS. Merida, sequestrada pela fumaça roxa só porque estava no meio do caminho. Utilidade zero.
PS². Se eu fosse a Zelena eu pegava a bebê Hood e SUMIA de Storybrooke, antes que o velho do saco que levou o bebê Neal AND Rolland apareça para coletar mais uma.
PS³. Bebê Hood! Depois cresce e fica verde e ainda vão se perguntar “onde eu errei?”.
PS4. Unidos da Barca do Dark One – NOTA 6,5. Nimue foi uma ótima abre alas, mas o conjunto de bonecos de cera lá no fundo não foi assim tão ameaçador.
PS5. Já usamos o coração, lágrima e sangue de uma pessoa para um feitiço/maldição. Estou temeroso quanto ao fluido corporal que será utilizado durante este arco no inferno. De verdade.
PS6. Eu costumava ser uma Dark One como você, então eu levei uma flecha no joelho – Apenas fãs de Skyrim irão entender a referência.
PS7. “Once you go green, you’ll never go Queen”. Zelena 1 x 0 Regina.
PS8. Já sacrifiquei seis patas pretas depois do final do episódio passado, não sobreviverei se trouxerem o Neal do inferno. Sim, inferno, céu é que ele não está, porque o tanto que me fez sofrer e ter desejos ruins, coisa boa nunca foi.
PS9. Belle gosta de um amor bandido, ela é aquela sua amiga que você pode colocar vendada em uma sala e entre todas as opções, ela vai escolher o ex-presidiário, traficante, que bate na família e guarda feijão no pote de sorvete.
PS10. Ultimo pensamento do Merlin: “Era melhor ter ficado na árvore”.
PS11. Procura-se – Seis anões, dois dragões fêmea e a habilidade de uma série em não se esquecer dos seus personagens.
PS12. Os roteiristas de Once Upon a Time me dão medo. São aquelas pessoas que aconselham as outras a terem filhos para salvar o casamento/vida.
PS13. Impressão minha ou neste episódio ninguém falou a data certa das coisas? Ficaram em muitos anos atrás, centenas de anos, milhares de anos… Não sei se comemoro, ou se queimo os calendários de casa em forma de protesto.















