O episódio passou rápido pelo timing que teve, mas foi até chato em alguns momentos. Vamos falar sobre “The Born” e desculpe as repetições, mas as peculiaridades da produção do canal FX nos levam a falar nos mesmos elementos vez por outra.
Focar o episódio em um casinho de ciúme foi uma escolha pra lá de discutível. Primeiro porque nenhum dos personagens envolvidos neste – agora triângulo amoroso – possuem um perfil que nos desse a chance de achar que este tipo de situação pudesse se vislumbrar. Fet e Dutch são durões (a blondie mais ainda) e ficar com joguinhos durante quase 15 minutos foi decepcionante.
Tínhamos Quinlan para falarmos… Por que não explorar o passado do strigoi “do bem”, que segundo quem já leu o livro, é um verdadeiro craque na hora de eliminar vampiros, como já vimos um pouco neste episódio.
Além das crises de ciúme entre a dupla, ainda tivemos um momento de conquista e affair entre Coco e Palmer e que já vinha se desenhando praticamente desde que eles se conheceram. Não que eu não ache natural que as pessoas vivam suas vidas independente das crises que o estado de Nova Iorque possa estar vivendo, mas, como espectador, eu realmente esperava que o foco fosse o combate ao inimigo, a saber, os planos do Palmer em conjunto com o Mestre.
Achar Nikki dentro do apartamento – todo arrumadinho e decente – deve ser muito importante para história, assim como a “junção carnal” do dono da Stoneheart com sua secretária de luxo. Porque são plots tão fracos e insossos, que deixa a gente pensando se é só isso que eles tem a nos oferecer. Um episódio fraco, com algumas questões em aberto (pra variar) e que com certeza fez muita gente desanimar.
Eph volta para Nova Iorque, do nada? O cara está sendo procurado pela morte de três pessoas – mesmo que seja responsável direto apenas de uma. Onde está o governo, a prefeitura, a polícia ou qualquer autoridade para segurar Goodweather? Eles não se preocuparam em mostrar – em nenhuma instância – como o pai do Zach chegou ao seu refúgio em Nova Iorque. Quando ele se dirigiu ao bar, eu tinha certeza que ele ainda estava na capital federal! Nada. O boteco ficava no Red Hook, tanto que logo depois ele encontrou com Fet curtindo uma dor de cotovelo no mesmo local… Desanimador, amiguinhos.
Aí o Quinlan faz uma apresentação daquelas para Setrakian e o próprio Fet… Parecia até uma entrada destes lutadores de MMA. Uma coreografia para deixar claro quem era o cara no combate ao Mestre e seus “ardilosos esquemas e planos”. Curioso que Setrakian chega até aquele local por pura intuição. Estes detalhezinhos é que matam. Tipo: “vou usar uma informação do Fritzwilliams e a minha capacidade de dedução”. Não, assim não dá. Ou você investiga e trabalha suas pistas e deixa claro para quem está assistindo o quanto deu trabalho chegar até ali ou abre o jogo: estamos brincando de fazer uma série de terror.
Veja bem: eu tenho defendido que a gente precisa assistir entretenimento com leveza, sem críticas pesadas ao timing da história… Mas assim fica díficil defender este ou aquele padrão de produção. Voltemos…
Vem o Fet com dinamites na mão e a impressão que eu tive foi de estar assistindo o Coyote com suas armadilhas para pegar o Papa-Léguas. Sendo que eles não tem ACME. O cara entra pelo terreno da obra (que está a pleno vapor), diz que está com explosivos na mão e ao invés de ser contido, não vê nada acontecer.
E por falar em “nada acontecer”, ele, em um plano-sequência que causaria alguma expectativa de destruição, arma sob três colunas, o que deveria fazer um estrago capaz de colocar em risco todo mundo que estivesse sob aquele ambiente.
Nada, nada e nada.
Cai um monte de escombros de isopor sobre o Mestre, ele consegue escapar, Setrakian se machuca e Quinlan fica p. da vida porque “ele estava em suas mãos”. Tava nada. Todos nós sabemos que esta bagaça ainda tem mais seis episódios apenas para segunda temporada! Então porque brincar com a audiência? Sabemos que o Mestre está mais fortalecido e rejuvenescido no corpo do Bolivar e que uma nova fase do plano (foi pra isso que Palmer estava sobrevoando a cidade) está para ser engatilhada.
E por falar em Palmer…
Que danado é aquele prédio que vive sob chamas? Já repararam que parece que o incêndio ali é permanente? Alguém que já leu os livros sabe o motivo? Aliás, este foi um outro objetivo do voo com o helicóptero: mostrar que o fogo ainda consumia aquele andar… Mas por que?
Muito aquém da diversão, “The Born” foi insuficiente para manter o tesão de quem tá curtindo a série ainda. Mesmo contando um pouco da história de Quinlan, que ele não é nada “novinho”, que tem uma história com o Mestre, especialmente pelo que fez com sua mãe, mas pecando em protelar um pouco mais de ação para uma série com esta proposta.














