Satisfeitos, moçada? Under The Dome se resume a uns alienígenas que se acharam no direito de julgar um pequeno grupo social (Chesters Mill) e, de maneira mandatória, decidiram o destino da cidade, sem se explicar, sob o argumento de que a população tornara-se egoísta e que a melhor forma de resolver este problema de etnocentrismo era isolá-la. Agora a grande questão que fica – por mais esdrúxulo que seja este grande plot – por que escolher três temporadas para contar uma galhofa desta? A resposta talvez nenhum de nós saibamos, mas talvez um dos motivos é que mesmo de baixa qualidade, a audiência da série da CBS nunca decepcionou. Teve quedas – como qualquer outra atração – mas não colocou em risco os planos que o canal tinha para a continuidade da história. Parece que a cumplicidade foi samba de uma nota só entre elenco e produção, já que ninguém veio a público reclamar dos furos da série já que o salário estava pingando normalmente na conta das estrelas do canal.

Por isso mesmo que a enxeção de lingüiça entre Big Jim e o cientista maluco que conseguiu separar em um simples exame de sangue o mal que habita em Christine, foi mais um (entre tantos) desperdício. O “grande” Jim nunca teve escrúpulos. O personagem de Dean Norris jamais demonstrou qualquer tipo de confiabilidade e sua maneira de encarar seus desafios é típico de quando egoísmo é pouco para o caldeirão de problemas que o patrono da cidade possui.

Peço até desculpas porque absurdos não são poucos para comentarmos ao assistirmos esta terceira temporada. Em um paradoxo inexplicável, segundo Christine, se for comprovada a paralisia dos membros inferiores de Hunter, o destino do ex-funcionário de Aktaion é a morte, uma tremenda bola fora onde o ideal de viver em comunidade – segundo eles mesmos – é ajudando uns aos outros nos momentos mais difíceis e não os eliminando, mas nenhum personagem vai levantar a voz da razão em meio a estes zumbis, que mais se parecem ovelhas sem pastor e que vivem com um chato discurso de “pedido de ajuda”.

Se Joe e Norrie conseguem se safar dos walking deads numa dissimulação que não enganaria meu sobrinho de 8 anos, Julia ainda tem problemas com Barbie, este que merece linhas muito particulares neste frio e repetitivo review, eu admito. O ator perdeu completamente o tom entre se colocar em uma desconfiança sobre tudo o que está acontecendo e uma paixonite com Eva, que se for colocar na ponta do papel, até durou (em termos de tempo) mais que o próprio romance com Julia, já que eles não param de falar que tudo não passou de 3 semanas. Desafio ao leitor seriemaníaco ao fazer uma conta maluca e nos dizer quanto tempo se passou desde o primeiro episódio da primeira temporada. Qual é o tempo real em Chesters Mill?

Mesmo com todos os erros que nós aqui – juntamente com vocês – temos acompanhado corajosamente, os problemas também tem relação com o planejamento em relação à exibição dos episódios. Bastava uma melhor divisão das temporadas e uma coerência textual com a proposta do canal. Por mais esdrúxulo que seja (existem outras tosqueiras por aí) a grande questão é por que esperar quase três anos para revelar uma conspiração alienígena com tons de misticismo e religiosidade?

Assim como temos vistos nos comentários, UtD ainda tem como característica, esta loucura que é tentar imaginar o quanto de criatividade existem com os roteiristas para encerrarem esta bagaça, agora mais clara para todos nós.

Nada do que ocorreu em “Caged” agregou ao que já foi contado ou mesmo ao que nos espera, já que o trailer promo divulgado na semana anterior foi bastante enganador. Tirando a parte em que Sam poderia ter dado cabo de Christine e deu um “furinho” na abelha-rainha, dando-lhe possibilidade de se regenerar, tudo seguiu o modus operandi da ingrata condição de assistir a uma série onde nem os planos sequências são respeitados, deixando a gente pensando: “como chegaram tão rápido ali?” ou “o que Julia faz tarde da noite no meio da floresta?”e para não ficar em cima do muro: SE OS CASULOS TEM PODERES REGENERADORES QUAL O MOTIVO DE NÃO COLOCAR HUNTER DENTRO DE UM DELES PARA QUE POSSA SER CURADO?

No momento acho que nada podemos fazer senão torcermos para que a emenda não seja pior que o soneto e o resultado desta grande confusão que se tornou UtD não fique pior do que está. Ao menos algumas questões vieram à tona, mesmo que outras tenham sido completamente menosprezadas pelo pessoal responsável pela série.

Por último, mais um questionamento: a personagem de Eva está completamente avulsa na história, forçando um pseudo-amor pra cima de Barbie, mas além de “algo mais” que não possui, também não convence em seu próprio papel, portanto não me surpreenderia se belíssima morena morresse nas mãos do seu alvo amoroso e Julia fosse a vencedora desta luta inglória pelo coração do ex-combatente.

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