I just hope I get it right. I hope I get it right”

Caitlyn Jenner é um fenômeno midiático. Seu processo de transição foi assistido e ovacionado nos últimos meses sob os olhares sedentos do mundo pop. Ultrapassou até mesmo o presidente Obama no Guiness Book, sendo a personalidade a alcançar em menor tempo a marca de 1 milhão de seguidores no Twitter. Foi homenageada e premiada no ESPY Awards, que homenageia atletas americanos (Caitlyn era antes conhecida como Bruce Jenner, medalhista olímpico no atletismo), por sua coragem. Dentro desse contexto, chega ao E! brasileiro no próximo dia 02 de agosto a série “I Am Cait”, que mostrará ao longo de oito episódios alguns detalhes da sua nova vida como mulher transgênero. O Série Maníacos esteve na pré-estreia exclusiva realizada pelo canal no dia 23 e te conta o que esperar da atração.

Em primeiro lugar, esqueça Bruce Jenner. Logo nos primeiros minutos, Caitlyn se apresenta, em seu quarto, na sua verdadeira identidade de gênero. Começa, então, a levantar questões que serão abordadas durante todo o episódio (e, obviamente, nos capítulos seguintes). “Quanta responsabilidade eu tenho com essa comunidade. Será que vou fazer tudo certo? Será que direi todas as coisas certas?”, reflete.

A seriedade e a profundidade desses segundos iniciais servem para desconstruir de cara qualquer possível impressão de que o programa seria alguma espécie de spin-off do famoso “Keeping Up With the Kardasahians”. Pelo contrário; segundo o E!, e posteriormente confirmado após a exibição do episódio, a própria Caitlyn quis que o show se afastasse o quanto possível do reality estrelado por suas filhas. Claro, “I Am Cait” carrega consigo a identidade de um programa do E!, mas de uma maneira menos “pop” e mais carregada de sobriedade, organicidade e, por que não dizer, didática.

A série transcorre de maneira orgânica porque, além de observar os anseios e medos iniciais de Caitlyn, o público pode se identificar com os coadjuvantes da história. No primeiro encontro com familiares, sua mãe e irmãs já cometem erros comuns a tantas pessoas quando se aborda questões de gênero, como referir-se a ela com um pronome masculino, ou chamá-la pelo nome antigo. E, da mesma maneira que ocorre conosco, elas são educadas dentro desse tópico tão delicado a partir da compreensão e da convivência com a nova realidade.

Além disso, não tem como falar de Caitlyn Jenner sem destacar a consequente abordagem dos numerosos casos de depressão, violência e suicídio dentro da comunidade trans. Assim, um dos maiores trunfos de “I Am Cait” é a busca pela exposição de outras histórias que não tiveram um decorrer tão feliz quanto o de Cait. Afinal, como ela própria afirma durante o episódio, ela foi recebida com muito apoio, mas, infelizmente, essa não é uma unanimidade para pessoas transgêneros.

Claro, como apontado anteriormente, apesar do tom mais sério, o reality traz a individualidade do E!, e, sendo assim, a presença dos célebres familiares é bastante aguardada por aqueles que já acompanham a vida dos Kardashian/Jenner. Nesse primeiro episódio, as aparições de sua filha biológica Kylie, a filha adotiva Kim e o marido Kanye, trazem uma leveza que equilibra o programa, e até arranca alguns risos, como no momento em que Kim entra no guarda-roupa de Caitlyn e encontra vestígios dos tempos de Bruce.

Porém, todo o universo advindo do já conhecido “Keeping Up With the Kardasahians” se torna definitivamente coadjuvante dentro de “I Am Cait”. Aqui, a reação e a adaptação familiar, as próprias inseguranças, receios e ambições, e o peso da responsabilidade com a comunidade trans que Caitlyn automaticamente passou a portar ao se tornar uma voz para tal, são as estrelas do show.

Assim como Caitlyn se despiu de seu antigo nome, recomendo que o público se dispa de qualquer preconceito em relação ao programa. Com base nesse primeiro episódio, fica claro que “I Am Cait” não é um relato egocêntrico, e muito menos superficial, sobre a vida de uma celebridade. É um show, inegavelmente; mas um show do qual se pode extrair empatia, admiração e, acima de tudo, informação sobre um tema tão em pauta na atualidade.

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Aleph Macaullay
Goiano que foi viver no caos de São Paulo mas não esconde as origens caipiras e chora quando ouve "Evidências". Radialista por formação e redator publicitário por profissão.