Uma combinação explosiva.

Em sua eterna busca por relevância, a mulher mais poderosa do mundo ataca não só na política interna, como também precisa se dedicar à política externa [uma importante atribuição diferencial de seu atual cargo, que esta temporada enfatiza acertadamente]. Assim, em uma histórica peace tour pelo Oriente Médio, Selina se torna a primeira presidente a visitar o Irã desde 1977 (antes da Revolução Iraniana, quando o país deixou de ser aliado dos EUA) em visita ao Oriente Médio chega ao Irã (primeira presidente desde 1977).

É preciso registrar que Tehran me decepcionou. Eu havia ficado muito empolgado com este plot, quando lera a sinopse antes da exibição. Óbvio que as relações com o Irã e o toque mágico de Selina que transforma everything in shit era algo fodasticamente promissor. Mas não foi isto o que se viu. Toda a interação com os iranianos, envolvendo a negociação da libertação do jornalista mala-sem-alça Leon West, há duas semanas sob “cativeiro”, não funcionou. Tivemos excessivas piadas sobre a proibição muçulmana de consumo de álcool e sobre bombas nucleares, por parte de Mike e Gary (assim como a corrida de ambos pelo Aeroporto Internacional de Teerã #ArgoFeelings), as quais careceram de organicidade. Todo esse plot ficou meio blé…

Com Selina a bordo do icônico Air Force One (#HarrisonFordFeelings =P), pudemos contemplá-los na magnífica sala de reuniões do avião presidencial. Enquanto isto, em terra, o VP Doyle é obrigado a substituí-la no cumprimento de sua agenda de eventos, como o Rainbow Jersey, em apoio à diversidade sexual nos esportes – um momento impagável no qual ele lê o discurso previamente preparado para Selina, no qual ele/ela reconhece a importância dos seus amigos gays na juventude para que ele/ela “se libertasse”.

Outro verdadeiro vexame são as tentativas de Dan em seu novo emprego de lobista com Sidney Purcell (ainda que este lhe tenha prometido que o faria tão rico que ele “poderia pagar a Bill Gates para fazer-lhe uma dança no colo” =P). Dan não consegue se estabelecer nem com alguém que supostamente tem acesso à agenda política e aos interesses da presidenta.

Nesse mundo, ninguém consegue manter a boca calada! Assim, Jonah vaza para Doyle que Selina está pesquisando opções de Vice-Presidente para a campanha da reeleição – o que gera uma pseudocrise entre os gabinetes e fomenta na equipe de Doyle o desejo de “mandar um recado” via imprensa (sempre ela!) de que o VP estaria insatisfeito. Imbróglios como esse, criados de forma absolutamente louca, funcionam muito vem em Veep seja no seu sentido cômico quanto em certo sentido informativo dos meandros da política que a série possui. O desabafo de Selina – “Eu deveria controlar isto aqui” – é perfeito em dar o tom. Selina, Doyle, os políticos em geral, todos eles possuem suas ações despersonalizadas por suas equipes, restando à opinião pública alimentar a ilusão de existência no político de algo razoavelmente espontâneo ou decorrente de algum ato de vontade pessoal.

4×05: Convention 

Selina e seu staff se encontram fora de D.C., na Convenção do Partido Democrata. A este team¸foi agregada Karen, amiga de juventude de Selina, a qual irrita Amy, porque ela não fala nada além de frases de efeito vazias e platitudes inconclusivas. A irritação de Amy se dirige para a própria Selina, sempre dispersa com bobagens e pouco concentrada naquilo que é importante para sua campanha – como o discurso que a presidenta fará na Convenção do partido.

O calvário de Dan never ends. Sua suposta influência na West Wing se mostra vazia. Justamente quando precisa fechar negócio com um cliente, todos seus ex-companheiros de trabalho estão fora da cidade e ele necessita recorrer a Jonah mais uma vez. Fala sério! Uma pessoa que depende de Jonah para qualquer coisa que seja não pode merecer outra coisa que o escárnio e o infortúnio.

Informada de que o senador O’Brien anunciara a senadora Laura Montez como sua vice, Selina fica furiosa: enquanto Laura é brilhante, bela, uma verdadeira “sexy-mexy”, Selina possui como vice “o boring irmão mais velho de Steve Martin”.  Mas tudo se encaixa nas intenções de Selina, pois o próprio Doyle vem a ela apresentar sua desistência (por discordância com o vazamento de informações do programa I Care).  Até mesmo os intentos de Doyle de criar uma saída honrosa são frustrados, pois para manter o vazamento secreto ao público, Selina e Bem o forçam a alegar “problemas de saúde”, admitindo um falso problema de próstata. Para tanto, ele é chantageado com a acusação de que Jonah foi abusado, ao ser apalpado nos testículos, por Teddy. Como poderia Doyle, um homem de princípios, ser conivente com assédio sexual ocorrendo dentro de seu escritório? “Quem você pensa que é? O Papa?”, pergunta Ben.

Juntando a fome com a vontade de comer, Doyle está fora e começa a corrida desenfreada por um novo vice a ser anunciado em poucas horas no discurso de Selina ao partido. A primeira escolha da presidenta é por Danny Chung, tentando surfar na onda das minorias étnicas e faturar com a “Chungmania”, vista na temporada anterior. Chung, entretanto, pede tempo para consultar sua esposa – e sua Bíblia – sobre o convite! Ainda que Selina praticamente implore, a Bíblia de Chung foi irredutível em apontá-lo que ele deveria ficar fora dessa! Sábia Bíblia!

Com a urgência de levantar possíveis nomes para VP, a sugestão de Amy é por Tom James; sugestão aceita por todos, exceto Selina e a acéfala Karen.  É então que Amy enfim consegue o seu momento de destaque nesta temporada, ao ser acometida de um verdadeiro surto de sincericídio e exasperação diante de Selina. Amy se demite e solta tudo que estava entalado, como o fato de que Selina era uma tragédia para as mulheres daquele país, pois após dela nenhuma outra mulher seria presidenta. “Você é a pior coisa que aconteceu a este país desde comer em baldes… e talvez, escravidão!”.

Somente assim, Selina decide se encontrar com Tom James (Hugh Laurie), que demonstra um astral diferente dos outros vice-presidenciáveis sondados. James é um cara querido, que cumprimenta todos no corredor e espirituoso (inclusive sua personalidade carismática tem o risco potencial de ofuscar a própria inépcia de Selina). Até mesmo sua aceitação veio acompanhada daquela velha piada “Infelizmente, eu terei que… aceitar este convite” que tanto fez Selina gargalhar. Um agitado dia na rotina do staff presidencial, que termina com a apressada nomeação de Kent como novo gerente de campanha.

Convention foi um excelente episódio desta ótima temporada de Veep, ágil, afiada e ácida como nunca. Além do humor usual, foi um episódio que deu uma guinada na trama, com a promissora adição de Hugh Laurie para fazer dobradinha com Julia e com o plot twist de Amy – que pode se aliar a Dan agora em outro emprego em Washington.

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