
“Eu fiz o que tive de fazer e concretizei tudo, sem exceção. Eu planejei cada caminho no mapa, cada passo em seu rumo, cuidadosamente. E mais, muito mais que tudo isso, eu fiz do meu jeito”.
Antes de começar a falar sobre a temporada e sua conclusão, quero pedir a você, meu caro leitor, que ignore os textos da Dulce Rosell e da Simone “Scully”, veiculados no UOL e no blog ScullyBBB, respectivamente.
No dia 15 de abril de 2010, começamos uma jornada de dúvidas e expectativas junto ao Aprendiz Universitário. Foi uma quinta-feira e, durante o episódio, Fortaleza esteve sob forte temporal. Com as janelas semicerradas e um bloco de notas, acompanhei a atração na esperança de ver grandes talentos, edição impecável e, principalmente, o desempenho de um novo empresário e de novos conselheiros no comando do programa. Aquele dia fatídico se encerrou com bastante decepção. Minha e de muitos telespectadores.
O decorrer das oito semanas foi marcado por uma penca de erros e incoerências, algumas delas elencadas no post anterior. Acadêmicos de 18 a 27 anos mostraram duas coisas ao Brasil: em primeiro lugar, a falha do casting da Record. Em segundo, a necessidade premente de provar ao mundo que nós somos melhores que isso. Que gerenciar uma equipe com dedicação e foco, que apresentar qualquer conteúdo com oratória excelente, que falar ao menos inglês e espanhol fluentemente, que se comunicar sem o uso constante e irritante de expressões como “tipo assim” e “acho válido”… Tudo isso é normal. É natural. Não é pedir demais do alunato brasileiro. Mas se você fosse estrangeiro e visse a temporada com legendas, não sentiria que “mediocridade” (para citar João Dória Jr.) é palavra de ordem para os jovens empreendedores no Brasil?
Me frustra profundamente quando eu vejo o pessoal chamando a Aimée de “vilã” do programa. Se essa era a intenção da Record, péssima idéia: o melhor vilão no Aprendiz é aquele cujo desempenho é estelar no programa, embora ele pise em todo mundo pra chegar lá. Da mesma maneira, fico encolerizado ao ver as moças do fã-clube do Caio dizendo que o rapaz deveria estar na final, e não a Samara ou o Rodrigo. NINGUÉM deveria estar nessa final: o melhor encerramento pra temporada seria um bom pedido de desculpas, por tudo o que aconteceu. O fato de o Caio ter essa ou aquela qualidades de vendedor ou líder não dá a ele esse favoritismo que uma ou outra moça querem enfiar goela abaixo. Nem ele, nem a Alessandra, nem a Marília, nem o Aílton, nem as Natálias, nem o Pan, nem o Danny, nem os Rodrigos, nem a Renata, nem o Ramon, nem o Conrado, nem a Aimée, nem a Gabriela. E nem mesmo a dedicada, mas não excepcional… Samara Schuch. Ninguém tinha o necessário para vencer qualquer edição do Aprendiz.
Qual era a tarefa final? Organizar um Rally Universitário junto à Fiat, ressaltando as qualidades de um de seus novos modelos para o público.
SAMARA
Muitas pessoas dizem que a Samara foi privilegiada com candidatos melhores na “seleção” dos times (que consistiu basicamente numa divisão geográfica da sala de reuniões). Eu concordo: alguns dos talentos ali foram essenciais para o sucesso na prova, e com isso ressalto o desempenho da Gabriela e do próprio Caio. O que eu percebi de positivo no evento organizado pela equipe da Samara foi uma padronização, um conjunto coeso de exposições, com destaque para as melhores qualidades do novo carro da Fiat. Esqueçam o relativo estresse da moça… É totalmente normal.
RODRIGO
Com estrelas como Aílton, Pan e Natália Nohra, o Rodrigo Solano tinha muito trabalho nas mãos. Talvez tenham sido instrumentais para o desempenho da prova, mas os “ajudantes” do pernambucano não o ajudaram de verdade. Fizeram o que ele pedia, mas não propunham a ele estratégias mais eficazes. E eu quero acreditar que o rapaz corajoso na Itália não seria capaz de juntar video-game, massagem, show… No melhor estilo “metralhadora-giratória-no-automático”.
É nos momentos finais do programa que eu vejo com cores vibrantes a letra de “My Way”, traduzida no começo do post. O João Dória Jr. conduziu o Aprendiz Universitário e sua final do jeito que quis, para desânimo e desespero do público. Naquele palco imenso, cada frase dos candidatos foi emendada com repetidas lições do mundo corporativo. Mesmo que a votação dos demitidos não fosse parâmetro para a avaliação pessoal do apresentador, custava mencionar isso para a Samara depois? Seria importante. Para além disso, o favoritismo dividido dos conselheiros pode, na mais distante das dimensões, não ter sido combinado – mas sem sombra de dúvida pareceu, e é isso que importa.
A decisão de contratar a Samara já tinha sido tomada desde a sala de reuniões da derrota na tarefa da Magazine Luiza. Não há dúvidas de que o João Dória Jr. apreciou o trabalho do Rodrigo Solano ao longo da competição, mas a Samara se mostrou quase irrepreensível diante do empresário. Mesmo que eu admita que o Solano é bem obstinado, tenho pra mim que a Samara foi mais consistente no decorrer do programa. Dentre os candidatos que tínhamos na temporada, ela foi destaque. E por isso venceu.
Para concluir esse post e esquecer essas oito semanas, quero deixar claro que não tenho absolutamente nada contra nenhum dos universitários dessa edição. Parecem ser pessoas gentis e sorridentes. Dito isso, e com todos os episódios de todos os The Apprentice ao redor do planeta passando como filmes na minha cabeça agora, não posso dizer que essa temporada foi boa. Posso, sim, parabenizar a Samara: parabéns por ter vencido a pior edição do Aprendiz em todo o mundo.
E quem sabe? Talvez as coisas melhorem ano que vem. Torcer é a única coisa que nos resta.
Quero ler seus comentários sobre a temporada e sobre o resultado. O que você achou de tudo? Concorda comigo ou discorda de mim? De qualquer maneira, deixe suas impressões logo abaixo. E me siga no Twitter!












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