A última lição.    

Perception chegou ao seu derradeiro episódio dando mostras de que realmente ainda era cedo para acabar: esses personagens ainda tinham muito fôlego e força para algum tempo. No entanto, mesmo quando Run deixou aquela sensação de “quero e preciso de mais”, fechou as pontas da história. Foi ótimo enquanto durou!   

Run nos trouxe a continuação do gancho deixado em Romeo e, como imaginávamos Kate não tinha fugido do casamento, mas havia sido sequestrada. Usada como barganha por Rosenthal (a parte surpreendente para mim), ela acabou virando a dama a ser resgatada, contrariando o papel exercido durante toda a série.    

Na verdade, essa inversão de papeis serviu mais para ver o trabalho em conjunto de Daniel e Donnie. Essa foi uma relação que teve um crescimento interessante desde a temporada anterior e encantou grandemente nesta. Então foi muito importante ver a dinâmica deles sem a presença de Kate, muito embora a salvação dela fosse a grande motivação dos dois, deixando-os no limite quase o tempo todo.    

O que mais me chamou a atenção foi a pontuação da confiança que Daniel possui em Donnie. Na cena em que Rosenthal provoca os dois, dando a entender os sentimentos do neurocientista por Kate, era de se esperar que houvesse um rompimento entre os dois, ou pelo menos um conflito. No entanto, tudo acabou guiando para a cena final, onde Daniel confessa seus sentimentos e, ao mesmo tempo, fica feliz por saber que Kate estará com ele.    

Isso me lembra da primeira review feita de Perception, onde eu apontava a solidificação das amizades ao redor de Daniel. Ele se importa com o casal, e esse sentimento se equipara a ao amor alimentado por Kate. Mas ele se encontrou disposto a abrir mão de si mesmo em nome da felicidade deles.    

Sei que isso machuca aos shippers da Daniel e Kate, especialmente pelo desenvolvimento feito nesses últimos cinco episódios e pela grande interrogação em torno da confissão ou não de Daniel (e o questionamento constante que ele fazia sobre seus sentimentos). Mas considero isso um grande passo para o personagem, considerando que ele teve lucidez para perceber que o mais certo em seu ponto de vista seria permitir que os dois se casassem.   

Mesmo assim, ainda senti a falta de um fechamento mais definitivo para nosso protagonista. Ele teve vários questionamentos sobre seus sentimentos, momentos de recaída em suas alucinações (com direito a reencontro com Natalie e com o agente da CIA que apareceu na premiere) e a sensação de ter participado da mentira em torno da morte de Rosenthal e Tasha. Como apontei na review anterior, gostaria de me sentir confortável em deixar o personagem nesse series finale, mas não consigo fazer isso sem pensar que ele não teve um final definido, assim como aconteceu com Kate e Donnie. Considero isso uma falha de Run, mas consigo entender pelo cancelamento repentino da TNT. Talvez o encerramento da storyline do neurocientista tivesse se tornado mais sólido se os roteiristas tivessem mais tempo de fazê-lo.    

Em suma, Run trouxe uma digna despedida para os fãs. Pudemos ver nossos personagens queridos em boa forma, com uma história bem montada e fechada, no melhor estilo que Perception  consegue nos entregar.    

Foi uma ótima jornada até aqui. E essa terceira temporada foi ainda mais especial para mim, não só por ter a honra de assistir a melhor temporada da série até aqui (podemos nos orgulhar em dizer que Perception se encerrou em seu auge) como pelo prazer de fazer essas reviews para o Série Maníacos. Obrigada a todos que leram, comentando ou não. Vocês fizeram meu trabalho valer a pena!

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