Clarke está fazendo o melhor que pode.

Já vi muitas pessoas comparando The 100 com Lost. E as duas realmente tem semelhanças. Mas a terra prometida alcançada por Jaha e Murphy fez lembrar mais ainda da grande série de Lindelof. O discurso é semelhante: podemos comparar Jaha com Locke. Guiados pela fé. A esperança e a emotividade fazem de Jaha um personagem que age por impulsos gerados pelos batimentos de seu coração que se alegra até pelos menores sinais de que o caminho percorrido é o caminho certo. Por outro lado, a obstinação do personagem o transforma em alguém sombrio e sem limites, determinado a cumprir sua missão, ainda que isso signifique sacrificar seus seguidores. Há algumas reviews, comentei que apenas Jaha e Murphy chegariam ao destino final de suas jornadas, mas nunca acreditei em uma separação tão abrupta assim que o fim da linha chegasse. Murphy encontra um lugar que me lembrou na hora da escotilha de Lost, e todos os enigmas presentes no vídeo de um suicídio que o personagem assiste, ou na inteligência artificial encontrada por Jaha em uma mansão lembram os grandes mistérios que envolviam o espectador ao universo de Lost. E o mundo de The 100 é tão grande geograficamente, que a série tende apenas a crescer. Não houveram grandes respostas no arco de Jaha e Murphy, mas sem dúvidas a importância dos dois personagens será enorme na próxima temporada.

Quando Clarke ficou sozinha, desamparada e sem reação no final do episódio passado, pensei que Lexa teria uma crise de consciência e voltaria para ajudar. Engano dos grandes. Clarke, que nunca precisou de ajuda externa para resolver seus problemas, mais uma vez triunfou através de seu pensamento estratégico e da tomada de decisões não muito populares e aceitáveis. Inundar Mount Weather com radiação nuclear era a única opção viável no momento (e para mim, sempre foi a melhor alternativa). Deixar sobreviventes apenas cultivaria um ódio mútuo que resultaria em mais guerra no futuro. A falta da presença de Lexa também diz que sua relação com Clarke não prejudicou sua habilidade de tomar decisões que beneficiam seu povo. Lexa voltar atrás seria ótimo para o espectador que gosta de sua dinâmica com Clarke, mas péssimo para a construção coesa da personagem.

Pouco a pouco, o season finale foi encerrando pequenos arcos e amarrando pontas soltas que percorreram a temporada. Como no caso de Maya, onde não houve motivo para inventar algo para manter a personagem viva. Houve uma reaproximação entre Clarke e Abby.  E também um fato muito comentado em reviews passadas, sobre uma possível doação de medula, proposta por Kane. O fato de a série ter tantos personagens dificulta que todos tenham grandes conclusões e arcos. É preciso priorizar personagens que foram mais importantes para a narrativa. E importância maior que a de Bellamy e Clarke não existiu. Depois de todos os problemas, conflitos, mortes e momentos de tensão, a conversa dos dois no portão do Camp Jaha é de partir o coração. Envergonhada de sua decisão de inundar Mount Weather, Clarke passará por uma crise de identidade longe de todos que não consegue encarar nos olhos no momento. Qual o destino de Clarke? Quais são as próximas ameaças? O mundo claramente não está tão vazio quanto se imaginava. A tecnologia já é avistada no horizonte. Enquanto grounders caçam com lanças, já existe inteligência artificial e hologramas por aí. Um season finale precisa de encerramento, e The 100 conseguiu cumprir tudo que prometeu na temporada. Um finale precisa também de novos rumos, precisa instigar o espectador a voltar para a próxima temporada, e de novo, a série acertou em cheio. Não vejo a hora de reencontrar Clarke, Bellamy, Kane, Jaha e todos os personagens responsáveis por fazer de The 100 uma das melhores séries da atualidade.

Outras Observações:

Muito obrigado por todos os comentários postados no decorrer da temporada. Todos me ajudaram muito a entender melhor a série e, consequentemente, a escrever textos melhores. Nos vemos na terceira temporada!

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