O fardo do favoritismo precoce.
2014 foi, definitivamente, o ano em que RuPaul’s Drag Race se firmou como um fenômeno na cultura gay contemporânea. O mundo inteiro se rendeu ao fabuloso universo das drag queens, e, desde maio do ano passado, após a coroação de Bianca Del Rio como a vencedora da sexta temporada, criou-se a expectativa e a espera que parecia interminável até a última segunda-feira, dia da premiere do novo ciclo.
O número de fãs cresceu juntamente à intensidade do fanatismo e, durante esses meses, quem acompanhou as fan pages do reality se viu rodeado de especulações. Quando o cast foi oficialmente anunciado, foi uma questão de horas até termos torcidas ferrenhas declaradas, bibliografias completas de cada uma das participantes, previsões de eliminações e até mesmo os famosos shipp’s! É, definitivamente RPDR se tornou um programa de sucesso estrondoso e inegável!
A parte negativa dessa grande repercussão do programa está sendo o vazamento constante dos conteúdos. Essa season premiere, por exemplo, teve gente que assistiu há duas semanas atrás, ou mais. Para quem foge de spoilers como o diabo foge da cruz (como o reviewer que vos fala), foi difícil somar o desafio de se esquivar deles ao desafio de segurar a ansiedade para ver o episódio só após a estreia. Mas, cá estamos, e vamos logo falar desse primeiro episódio que já trouxe algumas mudanças para o formato que conhecíamos de Drag Race.
Logo de cara somos surpreendidos com o primeiro mini desafio, que, ao contrário das temporadas anteriores, não é um ensaio fotográfico, e sim uma “Fashion Week Extravaganza”, no qual as queens devem desfilar seus melhores looks para o outono e a primavera. Considerando que isso obriga as queens a queimarem logo no começo dois de seus melhores looks, vou ter que concordar com Jaidynn: #TOOMUCH. Porém, para nós espectadores foi ótimo ter uma boa prévia do que podemos esperar das queens nas runways ao longo da temporada. E, claro, ter <3 Alaska <3 sendo maravilhosa interpretando a crítica entediada durante o desfile.

Passado o longo desfile, Ru anuncia o tradicional primeiro desafio de costura… ops, mais uma mudança. Dessa vez, as gatas vão ter que andar pela passarela nuas – claro, tudo de mentirinha. A ideia é caprichar na nude illusion.
Mas certas coisas nunca mudam, e uma delas é o fato da edição de RuPaul’s Drag Race sempre dar umas forçadinhas de barra, como já tentar criar uma suposta rivalidade entre Tempest e Kandy, e também entre Miss Fame e Violet. Espero sinceramente que esse ano a produção não me obrigue a engolir outra historinha tão fake quanto DeLa vs Darienne.
Para avaliá-las, temos a nova bancada fixa: a fiel escudeira de Ru, Michelle Visage; o já velho conhecido do programa Ross Mathews, e o expert em moda Carson Kressley. Pois é, Santino Rice, que fazia parte do time de jurados desde a primeira temporada em 2009, só deve voltar como convidado em algum dos próximos episódios. Temos mudanças também na pit crew: saem Shawn Morales (para desespero de muita gente que eu conheço) e Simon Sherry-Wood. Confesso que o último em especial tinha me deixado com um pequeno buraco no coração, mas nada que não fosse rapidamente reparado com o anúncio da adição de Brice Eilenberg (sério, vale a pena o clique!). Além disso, a sempre ótima comediante Kathy Griffin.
E, claro, a gente também tem os nossos pitacos e, assim como no ano passado, vou comentar o desempenho de cada uma durante toda a temporada através de um ranking. Como a duração do episódio não permitiu conhecer profundamente nenhuma das queens, as posições desse rankeamento tendem a mudar bastante em breve. Por enquanto, é tudo uma questão de primeiras impressões. Vamos lá?
Ladies, start your engines! And may the best woman… WIN!
14) MRS. KASHA DAVIS

Olha, meus parabéns para quem tem a memória boa o suficiente para conseguir lembrar quem era Mrs. Kasha Davis depois de terminar de assistir ao episódio. Em relação ao desempenho propriamente dito, ela não foi a pior, mas quando uma drag queen não consegue entregar uma primeira impressão marcante o suficiente para que eu associe o nome à imagem, eu desconfio que tenha algo errado aí.
13) KANDY HO’
Mais uma que teria passado completamente despercebida, se não fosse o maxilar mais polêmico na história de Drag Race desde a passagem de Willam. Eu tenho uma escala particular de participantes porto-riquenhas que vai de Nina Flowers à Madame LaQueer, e no momento Kandy está bem mais para o lado de Madame, então, bicha, melhore.
12) KENNEDY DAVENPORT

Quando eu vi o Meet the Queens de Kennedy, senti um imenso deja-vu de Mariah Season 3 (isso NÃO é um elogio). Minha impressão se confirmou: Kennedy parece ser bastante fishy, boa maquiagem, mas com uma personalidade totalmente sonífera e unidimensional. E o que ela acertou no desafio principal, errou feio no mini challenge, especialmente nesse look aqui:

Gurincrível + Super Saiyajin + Cortina Verde = Kennedy Davenport de Outono.
Só queria destacar que, quando os juízes estão deliberando, Michelle Visage soltou um comentário do tipo “Por que usar fantasias é algo ruim para uma drag queen?”, o que é bastante contraditório depois de ficar no pé da Ben De La Creme durante a sexta temporada inteira.
11) TEMPEST DUJOUR

Fashion designer? Dá aulas? Com esses looks? Really queen? É melhor você ganhar a bagaça porque senão vai ser difícil arrumar emprego depois, viu? Olha, você só não está mais para baixo no ranking porque sua entrada parindo aquela boneca foi MA-RA-VI-LHO-SA, mas depois daquele look nude que me lembrou de um pesadelo no qual eu encontrava a Monique Evans na praia, ficou difícil te defender.
10) SASHA BELLE

Sasha Belle foi a campeã de comentários do tipo “ela que deveria ter ido ao bottom” nas redes sociais. E com razão. Deixar um sutiã preto aparecendo grotescamente num desafio que requeria uma ilusão nude é um erro inaceitável. Porém, eu devo admitir que, no pouco que o programa mostrou, achei Sasha bem “gostável”, e por isso ela ainda fisgou a última vaguinha no Top 10. Além disso, na premiere do ano passado Ru deu um “passe livre” para Adore no primeiro desafio porque sabia que ela tinha mais para oferecer e não podia ser first boot, então espero que com Sasha tenha sido pelo mesmo motivo.
09) TRIXIE MATTEL

Vou começar aplaudindo essa jogada esperta com o sobrenome relacionando a fabricante da Barbie ao tipo de imagem que é a proposta de Trixie. Confesso que, vendo-a no pré-show, eu sempre me questionava sobre esse estilo de maquiagem bizarra, mas já no primeiro episódio me acostumei e até passei a achar a proposta interessante. Trixie não apresentou nada demais e nada de menos, então fica por aqui com o benefício da dúvida.
08) JASMINE MASTERS

Em primeiro lugar: gata, me passa a sua lista de exercícios abdominais pra já!
Olha, o senso de moda de Jasmine Masters é bem questionável, ao julgar pelo que ela entregou nesses primeiros desafios. Mas eu senti uma vibe meio Joslyn Fox vindo dela, sabe? Aquela que vai sempre vir com figurinos de gosto duvidoso, mas é tão adorável que fica difícil torcer contra. Sério, como lidar com esse sorriso, tão grande, gostoso e marcante que a internet não demorou muito para lembrar de onde era conhecido?

Acho que está explicado de onde vem o tanquinho.
07) PEARL

Pearl foi um dos destaques para mim no quesito figurino. Super me identifiquei com o look DJ Gótica Desanimada, parecia eu na época do carnaval.
Na runway, muita gente reclamou do fato dela estar serving Kristen Stewart realness com aquela (falta de) expressão facial, aparentando querer estar morta. Particularmente, eu curti a proposta, acho que cara de bunda pode ser o novo pretinho básico, sabe? Só não pode ser sempre. De qualquer maneira, Pearl tem que durar ao menos um pouquinho no programa por ser a cota “colírio capricho” quando está out of drag.

My pussy is on fire, now kiss the flame!
06) MISS FAME

Já consigo sentir o gosto dos tomates arremessados em mim com esse sexto lugar para a famigerada Miss Fame, mas vamos lá.
Acredito que todos que acompanharam minimamente o “aquecimento” dos fãs para essa estreia da sétima temporada criaram altas expectativas para ver o desempenho de Miss Fame, uma presença incessantemente clamada pelos fãs desde, sei lá, o lançamento de “Supermodel Of the World”.
Pois bem, a gata já chegou serving Vivacious realness (só faltou a Ornacia) e falando da sua tal “marca”. E ela entregou o que essa marca promete: looks ótimos e maquiagem impecável, tudo que qualquer fã que tenha visto seu trabalho pré-show esperava. E é aí que pode morar o problema com Miss Fame, a expectativa maior do que com qualquer outra participante. É muito óbvio que ela tenha sido, no mínimo, a segunda melhor nesses primeiros desafios, mas o fato de isso não ter sido surpresa pode ser a primeira amostra do que será seu maior obstáculo durante sua trajetória na corrida. A única coisa que poderia ser o diferencial que ainda não tinha chegado ao conhecimento do público é a personalidade, e nesse aspecto Miss Fame não entregou o suficiente, ou não tanto quanto as próximas queens. Eu não tenho a menor dúvida de que Miss Fame será um grande destaque na passarela enquanto estiver na disputa, mas o carisma faz parte dos requisitos para ser a next drag superstar, e esse requisito Miss Fame ainda não fez.
05) GINGER MINJ

Quando eu falo de carisma, é disso que eu estou falando. Agarrei simpatia nessa Ginger Minj com o vídeo dela no Meet the Queens e, por isso, mesmo os looks não tendo sequer 10% do apelo visual dos de Miss Fame, não consigo colocá-la atrás nesse ranking.
04) MAX

Ao contrário de Ginger, eu estava achando Max muito superestimada pelos fãs, já que o Meet the Queens dela quase me colocou pra dormir. Mas, após o episódio, qualquer má impressão se desfez. Max se destacou muito com as escolhas dos looks, todos muito bem trabalhados e inseridos em sua drag persona. Andaram falando um bocado sobre o excesso de uso de perucas da cor cinza por parte dela, mas é outra coisa que não me incomoda e acredito que se ela conseguir continuar se destacando positivamente dentro desse estilo diferenciado, pode acabar sendo uma grande concorrente à final.
03) VIOLET CHACHKI

Brasil, o que foram esses looks de outono e primavera dessa gata? AMAZING! Só pra completar, Violet já se mostrou uma completa bitch jogando shade em Miss Fame. Ainda acho cedo para tomar partido caso isso vire uma rivalidade pra valer, mas tudo indica que isso seria um duelo de gigantes, afinal elas foram claramente as duas melhores no primeiro episódio. O que coloca Violet na frente, é bom ressaltar, é que no caso de Violet existe o fator surpresa.
02) JAIDYNN DIORE FIERCE

Mais uma que agarrei amor já no pré-show. Com Jaidynn e Ginger, acho que as big girls nunca foram tão bem representadas em Drag Race desde <3 Latrice Mother*ucker Royale <3. O senso de humor apuradíssimo dessa gata compensou o senso fashion não tão apurado assim. Eu estou apostando todas as minhas fichas em Jaidynn nos desafios de atuação e comédia, então por isso tenho fé que, mesmo que ela mude de posição nesse ranking, não será muito para baixo.
01) KATYA

“My name is Katerine PetraeuhKWea791#$&&shova but you can call me Katya!” \o/ Quando eu vi o Meet the Queens dessa gostosa, a primeira ex participante da qual eu me lembrei foi Willam (isso, SIM, é um elogio). Senso de humor debochado, perucão loiro, tom de voz esnobe… nem preciso dizer que foi amor imediato, né? E Katya foi uma das maiores injustiças desse primeiro desafio, pois a média de seu desempenho foi muito superior a de Kennedy, principalmente no que diz respeito ao mini challenge (o que é aquele vestido preto, amarelo e branco, produção???). Assim como Jaidynn, acredito que conforme as eliminações forem acontecendo e sobrar mais airtime para as personalidades de cada uma ganharem destaque, a tendência é que Katya cresça ainda mais.
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Imediatamente após o desfile, Ru salva metade das queens. Sem muitas surpresas nessa parte, exceto pela escolha de Kennedy como uma das melhores quando Max e Katya mereciam mais.
Depois dos comentários, Ru tenta acender a primeira fagulha de tensão perguntando às melhores e piores do desafio quem tinha as impressionado menos até então. Apenas três delas citam garotas que estão no palco. Jasmine e Violet escolhem Sasha e, no momento mais WTF do episódio, Kandy aponta Tempest e elas começam uma pequena discussão tão madura quanto aquelas que nós tínhamos na pré-escola, já que Tempest achou ofensivíssimo Kandy ter perguntado a idade dela logo quando se conheceram.
Violet é escolhida a vencedora da semana. Entre as piores, a simpatia de Jasmine a tira do bottom 2, e Sasha Belle também se safa, mesmo cometendo o erro mais gritante e usando uma justificativa completamente inadmissível. Curiosamente, as duas que bateram uma boquinha vão para a berlinda ajudar Mama Ru a divulgar sua música “Geronimo” (available on iTunes).
Bom, o caso é que essa música tem toda aquela pegada que pede um twerk, e aí a coisa não ficou tão justa. Se me permitem uma comparação bem chula, foi como colocar Madonna e Nicki Minaj para dançarem uma música assim: mesmo que Madonna seja mais talentosa, a idade de Nicki dá a ela uma vantagem no que diz respeito à mobilidade corporal. O resultado: Kandy, de 28 anos, rebola muito, vai até o chão, arrasa no melhor estilo Bonde das Maravilhas, enquanto Tempest, de 46, se esforça, mas se limita a movimentos quase robóticos. Assim, a participante mais velha da sétima temporada é a primeira eliminada (o que foi uma surpresa para quem, como eu, não se dedicou a analisar detalhadamente cada frame dos trailers e, assim, não tinha deduzido essa eliminação com meses de antecedência).
Vale abrirmos um parágrafo aqui para o Untucked!, que, embora não tenha tido nada de muito interessante no que se refere à interação entre as competidoras, gerou falatório devido ao novo formato. O Interior Illusions Lounge acabou, e deu espaço a um novo ambiente mais cru, sem todo aquele glamour. Ao invés disso, o público tem acesso a uma espécie de backstage, vendo o que realmente há por trás da passarela principal, incluindo os produtores, os retoques na maquiagem e na peruca antes de subir ao palco, os ensaios de lipsync e a partida da concorrente eliminada no episódio. Essa nova ambientação dividiu a opinião dos fãs. Particularmente, considero válida a mudança depois de 5 temporadas (a primeira não tinha o Untucked!), até mesmo porque essa nova estrutura aproxima mais o espectador do reality, e, especialmente no final, gera uma empatia maior para com a queen que deixa o programa.
E assim termina a premiere da tão aguardada Season 7. E o que vem por aí promete, hein? Além do elenco bastante promissor, a lista de jurados convidados indica que o budget do programa aumentou e teremos nomes ainda mais conhecidos na bancada: Ariana Grande, Jessica Alba, Mel B, Tamar Braxton, Olivia Newton-John, Demi Lovato, Kat Dennings (2 Broke Girls) e <3 Michael Urie <3 (Ugly Betty e Partners) entre os inéditos, e o retorno de Santino, Merle Ginsberg e o sonho de consumo de 69 entre cada 10 fãs de RPDR, Lucian Piane.
E vocês, ansiosos? Valeu a pena a longa espera até essa estreia? Já dá pra declarar favoritas? O bottom two e a eliminação foram justos? Contem pra mim nos comentários e nos vemos na semana que vem!
OBS 1: As reviews da sétima temporada devem sair sempre aos fins de semana, salvo algum imprevisto. Portanto, aguardem posts novos aos sábados ou domingos!
OBS 2: Depois de Jujubee, Manila, Ongina, Laganja, Yara, Shangela, Raja, Alaska, Latrice, Milk, Willam e Miss Fame, três outras ex participantes têm suas vindas ao Brasil confirmadas pela festa Priscilla. Adore Delano (S6) se apresenta em Curitiba no dia 20 de abril, no Rio de Janeiro no dia 23, e no dia 24 em São Paulo. Já nas edições de junho, as (ex?) arqui-rivais Alyssa Edwards e Coco Montrese dividirão o palco no dia 19 em São Paulo e 20 no Rio. Tá tudo muito lindo, mas ainda vamos ficar no aguardo do anúncio da Bianca, ok?















