CSI com um toque especial de Criminal Minds e Lie to Me.

CSI Cyber é o terceiro spin off da série CSI Las Vegas. O seu nome já indica uma das principais diferenças deste spin off em relação aos outros. Pela primeira vez não veremos a série focada em apenas uma cidade, como vimos em Miami, Nova York e Las Vegas. Em CSI Cyber a dinâmica presente segue mais na direção de Criminal Minds. E aqui chegamos a mais uma das diferenças fundamentais de Cyber: seus detetives não são CSI’s e sim membros de uma equipe do FBI. E assim como a equipe da BAU em Criminal Minds, o trabalho da divisão Cyber pode ser em qualquer parte dos Estados Unidos. No entanto, apesar dessas diferenças fundamentais da concepção de CSI Cyber, outros elementos presentes permitem que o espectador tenha certeza de que está assistindo a um spin off de CSI.

E foi exatamente neste ponto que residiu o problema do primeiro episódio. A tentativa de nos mostrar mais características de CSI acabou tornando o episódio um tanto quanto exagerado. A trama principal foi interessante e envolvente e os personagens foram bem introduzidos e conseguiram passar uma boa primeira impressão. Mas, esses bons elementos acabaram por ser perder no meio do exagero das cenas, as caras e bocas dos atores (que de forma alguma refletem sua experiência, mas sim uma direção do seriado que segue nesse caminho) e as frases de impacto. Todas características presentes nos outros spin-offs de CSI e características que são desnecessárias para todos eles. Entendo o objetivo de aproximar CSI Cyber das outras séries da franquia, mas o exagero realmente incomodou e ofuscou os bons momentos dessa estréia. Então, vamos a eles.

A ideia de trazer um seriado que investiga crimes cibernéticos é muito interessante e traz uma discussão relevantes para a nossa sociedade, na qual a internet é uma parte extremamente importante e interessante, que pode trazer uma série de tramas diferentes daquelas que estamos acostumados. CSI Cyber vai introduzir essa noção aos poucos ao espectador, então essa primeira fase  vamos ver uma série de explicações sobre esse novo universo que está sendo explorado. E um ótimo exemplo disso foi o episódio de CSI Las Vegas que nos apresentou a Agente Ryan. (Para quem não viu, acho que vale a pena: CSI 14×21 – Kitty), que teve ótimas explicações sobre o trabalho da divisão Cyber.

Em Kidnapping 2.0 vimos uma trama sobre sequestro de bebês levada a outros níveis. O que começou com um sequestro aparentemente comum, apesar das vozes estrangeiras, acabou se tornando em um leilão internacional para venda de crianças. O caminho seguido pela investigação foi interessante e a narrativa teve um ritmo acelerado que mostrava a urgência de um caso como esse. A trilha sonora veio para ajudar a criar esse clima de urgência mas, assim como já mencionei, acredito que em determinados momentos foi outro elemento responsável pelo exagero que permeou os quarenta minutos do episódio.

Mas, vamos aos personagens. Se teve um elemento em que o roteiro de CSI Cyber acertou em cheio foi na apresentação de seus personagens. CSI é essencialmente um seriado que nos mostra a evolução de uma investigação policial e seus personagens, apesar de importantes, acabam ficando, na maioria dos episódios, em segundo plano. Com o tempo vamos conhecendo melhor esses personagens e nos apegamos à eles. No entanto, em um primeiro episódio ainda não estamos familiarizados com esses novos personagens, o que torna difícil para o espectador criar empatia.

Porém, CSI Cyber conseguiu fazer um ótimo trabalho ao apresentar os seus personagens. Em apenas quarenta minutos e com a investigação policial sendo o foco principal dessa estreia não imaginei que o roteiro conseguiria mostrar bem cada um dos personagens, focando mais na agente Ryan, que quem assiste CSI Las Vegas já conhecia melhor. Mas, fui surpreendida por um episódio que conseguiu trabalhar bem o personagem de James Van der Beek, o eterno Dawson de Dawson’s Creek, e também Bow Wow, além de nos mostrar mais da personagem de Patricia Arquette. Outros personagens ficaram um pouco mais apagados, mas ainda sim conseguiram exibir os traços fortes de suas personalidades.

Kidnapping 2.0 foi, portanto, um bom episódio para mostrar o objetivo da divisão Cyber e também nos apresentar melhor cada personagem. Agora nos resta esperar para saber como a trama vai começar a ser desenvolvida daqui para frente. Mas, uma coisa é certa, ainda veremos mais sobre o hacker que destruiu a carreira anterior da agente Ryan e espero que essa seja uma história que vale a pena de assistir!

P.S. – O título fala sobre Lie to Me, em função do jogo de câmera utilizado para mostrar que a mãe do bebê estava escondendo alguma informação importante para a investigação do FBI.

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