Afinal, vale a pena assistir Eye Candy?
Tendo ultrapassado a metade de sua temporada de estreia, Eye Candy ocupa seu tempo em tela (e agora podemos falar com convicção) explorando todo seu potencial e nos mostrando o alcance da série em seu desenvolvimento; apresentando suas qualidades e defeitos de modo que já a conhecemos o suficiente para dar um veredicto pessoal. Sabemos se a série é recomendável, se é um guilty pleasure, se é boa o bastante para figurar na nossa lista de favoritas ou, mais além, se podemos sonhar com seu futuro na tevê a cabo americana. Por enquanto, sinto dizer, o saldo não é positivo. A produção da MTV explora muito bem seus pontos positivos, mas são os defeitos que compõem o seu maior tempo. Não se trata, nesse caso, de buscar a perfeição da série, mas se decepcionar por saber que toda sua capacidade não é lapidada como deveria, jogando fora a chance de fazê-la memorável. Temo pelo futuro da série se usarmos esse episódio como parâmetro, pois, aqui, todas as qualidades estiveram presentes, mas os erros foram tão pontuais e prejudiciais que é impossível relevar toda sua problemática.
Algo que o roteiro da série sempre faz bem é contextualizar bem a trama do episódio e nossos hábitos modernos com a possibilidade de algo muito errado acontecer. A estrutura fragmentada não incomoda, uma vez que já nos acostumamos com esses casos da semana, por mais bizarro que eles possam surgir para a protagonista. A forma como são bem elaborados e críveis (no limite do possível) diminui o impacto negativo que teria a entrega de uma história de graça para nós. Como é muito difícil nos importarmos com personagens que se limitaram ao episódio, é raro que sintamos qualquer empatia por eles — algo que outras séries conseguem fazer muito bem, mas esse não é o caso, infelizmente. Para compensar, a aposta é no texto inteligente, nas mirabolantes reviravoltas e nos finais bem elaborados. Esses objetivos conseguem ser cumpridos há semanas, e fico satisfeito por esperar por boas histórias quando me proponho a assistir a mais um episódio da série. Eu sei, já que estamos fazendo as contas, que há grandes possibilidades de ser um roteiro bem elaborado. Não foi diferente dessa vez, e o desenrolar satisfatório foi tão surpreendente para mim quanto os outros. Talvez minha inocência para thrillers não me permite mergulhar na história desde o primeiro minuto e investigar com olhos desconfiados todos os envolvidos. Ainda sou pego de surpreso, confesso.
O enredo sobre alugar o apartamento de outra pessoa nos apresenta muitos fatos curiosos sobre os quais talvez não saibamos da existência. Eu, pelo menos, não tinha ideia de que faziam isso. Fazem isso no Brasil, também? Além de interessante, é muito bom saber que a série não só se propõe a ser moderna, mas consegue seguir, semana após semana, sendo tão dois mil e quinze quanto o resto de nós. A menção aos aplicativos, o visual que remete a esse aspecto ou os processos envolvendo hackers e sistemas fazem um bom trabalho tornando a série atual.
Lindy conhece os casos da forma menos verossímil possível, mas já nos acostumamos tanto a sua personalidade que não nos importamos muito com suas decisões. Ela é vendida como alguém que gosta de ajudar os outros, então não perdi muito tempo questionando seus motivos para se colocar à disposição tão rapidamente. Seu relacionamento com Jake, colocado em modo de espera, não faz muita diferença, assim como a personagem dele não contribui nem prejudica muito o andamento da série, mesmo quando ele era um suspeito. Uma coisa que é tão criativa quanto bem feita, e ainda não comentei, por mais que já tivesse sido usada outra vezes, é como a série faz a transposição visual de um diálogo em rede social. Colocar as pessoas de frente para fazer a representação da conversa é bem pensado e um recurso singular, assinando as cenas com um estilo autoral da série. É uma forma de dar um descanso aos efeitos visuais para não nos sobrecarregar de imagens.
Ressaltado todos esses pontos positivos, fico receoso da difícil tarefa de entrar nos aspectos negativos, que dessa vez me incomodaram bastante. Para ser o mais sucinto possível, não tentarei arrastar argumentos gigantes e explorar o delírio prolixo da minha prosa, limitando-me a apontar os defeitos e comentar brevemente — até porque isso ajuda a não tornar o texto desgastante tanto para vocês, quanto para mim.
Para começar, sinto que essa é a semana que tanto as personagens da trama do episódio, quanto os atores convidados, foram os mais desinteressantes até aqui. Quando eles eram necessários para o desenrolar de toda a ação nem sequer conseguiram despertar um vestígio da nossa empatia. Os outros (aqui eu também encaixo alguns recorrentes que estão mais afundando que alavancando a produção) não chegaram perto de brincar com nosso humor ou despertar nossa empatia, o que é perigoso em longo prazo. Se a série insistir nisso, não serão mais detalhes irrelevantes, mas momentos vergonhosamente usados para chegar aos quarenta minutos — artifício não utilizado outra vezes, provando sua capacidade de não precisar deles.
Seja em livro, série ou filme, nada pode sobrar, nada pode estar de graça, nada pode ser nos trazido que não tenha uma importância, um motivo de existir. Subtramas são utilizadas para ajudar a contar a história, a desenvolver suas personagens, a fazer um paralelo entre a história do outro e a da pessoa em foco. Quando não percebemos nada disso, infelizmente, questionamos o motivo de sua existência. Aqui, isso foi um caso grave e entediante disso. Sophie, Connor e sua amiga estavam lá para estar lá. A melhor amiga de Lindy está mais preocupada em fazer escolhas estúpidas do que qualquer outra coisa, e isso se tornou cansativo demais para que a série continue tentando lhe dar espaço. O problema é que toda a história envolvendo o hotel se resolveu muito fácil. Acabaram escolhendo esse recurso preguiçoso para preencher as lacunas. O serial killer se tornou patético. Seu interesse pela garota Sampson é tão mal explorado quanto forçado. O abuso das câmeras de segurança entra nessa fila, assim como Tommy mais uma vez sendo da mesma utilidade para ajudar as pessoas quanto o assassino em mantê-las vivas.
A vingança bem elaborada e o desespero que nos desperta imaginar a existência de um site voeyer com nossas imagens privadas em hotéis que julgamos confiáveis são bons pontos, mas a ideia de tentar fazer o criminoso trabalhar para o assediador é tão boba que nem precisava existir. Contratar alguém para elaborar tudo aquilo só para ensinar uma lição a Lindy é sem pé nem cabeça — de uma sofrência para Pablo nenhum colocar defeito.
Saindo insatisfeito dessa semana, só posso torcer para que boas surpresas aguardem o final da temporada, porque, por enquanto, o saldo se mantém negativo e isso se deve, basicamente, ao esforço do seriado em investir em ferramentas desnecessárias para elaborar sua narrativa. O que funciona, funciona, mas o que não funciona é de uma condução desajeitada e descaradamente preguiçosa. Não sou a pessoa mais otimista do mundo, mas prometo que faço um esforço com Eye Candy. Esperemos.













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