A um passo do apocalipse.

É simplesmente terrível perceber que sua vida se tornou exatamente aquilo que você temia. É isso que acontece com Carrie em Real Life is the Nightmare. Cansada de viver uma vida medíocre e sem grandes emoções, vimos através do episódio a personagem caminhando por diversos estados de espírito, passando pela exaustão mental, para a euforia carregada pela bebida, chegando ao ápice da imprudência ao roubar uma moto e dirigir caoticamente por aí. Nota-se em Carrie o famoso vício por adrenalina e perigo que tantos personagens de Banshee carregam consigo em seus DNAs. Mas em Carrie, vemos uma personagem que há alguns episódios colocava sua família à frente de sua própria felicidade (e se era aparentemente feliz em algum momento, não passava de uma máscara), mas que agora não faz mais isso. Culpa de Gordon e seu comportamento deplorável, ou Deva e atitudes infantis, mas Carrie está muito mais “divertida” nessa sua nova corrida desenfreada por sentir algo novamente, a personagem que quase instintivamente busca sair de uma inércia de sentimentos tem muito mais a cara de Banshee. Pena que no fim do dia, a personagem precisa voltar à pra casa, afinal, todos têm suas vidas falsas para viver de mentirinha.

Se por parte de Carrie vimos um desenvolvimento interessante (ainda que muito dosado) das novas motivações da personagem, no arco que envolve Siobhan e a verdade sobre o passado de Hood, Banshee não consegue entregar ao espectador um perigo verdadeiro de que a personagem traria à tona toda a verdade, simplesmente porque Hood não pode deixar de ser o xerife durão que enfrenta tudo e todos, muito menos abandonar a cidade. Banshee é uma série ousada, sim, mas mudar sua principal configuração é um grande passo, que traz grandes riscos para a espinha dorsal da série. É o velho dito de que não se mexe em time que está ganhando.

Por fim, caminhando por toda a temporada, temos o conflito que Chayton vem trazendo à cidade, e os problemas que isso acarretará. Chayton, que parece um ser espiritualizado, pensa que sua missão será cumprida de qualquer forma. A crença leva à coragem, mas coragem demais acaba se tornando estupidez. Atacar a delegacia é ótimo para a série, pois traz à tela mais uma cena incrível, e a direção ajuda nesse quesito. Mas e agora, qual o próximo passo? Banshee é uma cidade pequena, a autoria do ataque é clara, nem se Chayton quisesse (e provavelmente essa não é sua intenção) conseguiria esconder que ele está por trás disso. Chayton é um exibicionista, como um animal ameaçado que mostra suas presas para dizer que ainda está disposto a lutar. E isso não faltará nos próximos episódios, o clima de guerra só cresce, aliado a um roteiro que explora gentilmente a psique de seus personagens.

Outras observações:

A ex-esposa de Brock é a enfermeira de Proctor? Mais conflito.

A policial da reserva indígena não passa de figurante até agora. Esperava um espaço maior para a personagem.

Job e Sugar: daria um bom spinoff cômico.

Gordon voltando ao normal. Ainda assim, segue entediante.

As cenas de Burton e Rebecca foram tão clichês que me dei o direito de não comentar muito. Rolou duelo de carros e arremesso de isqueiro no combustível.

Luta de Proctor e Hood: Será que o xerife esperava a retaliação de Chayton pela queima do corpo de seu irmão e prendeu Proctor para protege-lo? Ainda que tenha sido planejado, deu errado, porque Proctor está na delegacia. Será que Chayton soube disso, e então atacou o lugar certo?

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