Para onde irá The Affair?

 Não importa o que você faça, não fique todo sensitivo e conte para Helen. Isso não irá ajudar ninguém”

– Max 

A pergunta que não conseguia calar dentro meu cérebro ao assistir esse sétimo episódio (de uma temporada com dez) de The Affair era: e agora? Para mim permanece uma incógnita qual caminho a série irá tomar. Não, me corrijo. Permanece uma incógnita qual caminho interessante a série irá tomar. O caso entre Noah e Alison acabou, e tendo em vista que ela tem um filho no futuro não me parece que eles irão reatar. O assassinato de Scotty se aproxima, é claro, mas como isso será entrelaçado com os pontos de vista dos dois personagens é outra dúvida. Ao fim do episódio não há nenhuma certeza sobre o futuro da série, e estamos na reta final. Isso é um pouco assustador e instigante, mas também desanimador.

O episódio em si se dedicou inteiramente às descobertas de Cole e Helen sobre a pulada de cerca de seus cônjuges. Ao posicionar ambas as revelações no mesmo episódio, a série nos proporcionou a experiência de identificar as diferenças comportamentais de cada “culpado”. Interessante é como os sentimentos de Noah e Alison pareciam tão discrepantes, mas mesmo assim ambos reataram o casamento no final das contas.

Noah é o que parece mais conectado com sua família, e em nenhum momento esboça a vontade de trocar Helen por Alison. Seu sentimento é de pura exaustão do ambiente familiar, da pressão e das esnobadas do sogro. O caso é uma válvula de escape, uma aventura louca de verão que é estilhaçada pela descoberta dos negócios escondidos da família Lockhart. Tudo isso brota da boca do personagem, pois ele é extremamente sincero. Max lhe diz para não fazer o que sabe que o amigo sempre faz, mas da mesma forma que conseguimos ler as mentiras na cara de Noah com extrema facilidade ele não consegue manter as verdades escondidas. É tudo cristalino e fácil de se entender.

Já com Alison a escuridão é frequente. Sua parte do episódio é sempre mais sombria, pesada, imbuída de uma dor latente que flui do buraco deixado em sua vida pela morte do filho. É visível, entretanto, que para ela o caso com Noah tem um significado muito mais profundo. A prisão interna que seu amante sente dentro de sua família não se compara com a sua: a muralha entre ela e o marido causada pela morte de Gabriel e o envolvimento da família com o tráfico de drogas não lhe proporcionam um simples desejo de escape rápido, mas sim de uma fuga completa e permanente. E quando Alison reata com o marido não temos a completa impressão de que ela realmente queria aquilo. Parece que ela simplesmente se deixou levar pelo que Cole disse sem realmente pensar no assunto. O que se passa na mente dela?

É inquietante que a cada episódio The Affair crie uma plot, uma razão para existir. Alguma ideia do que acontecerá a seguir? Nenhuma. Entretanto, nessa sétima parte confesso que me senti um tanto impaciente. A não ser que a série dê um pulo, inove ou introduza um elemento novo vai tudo ficar um tanto chato. No começo da série soaram o aviso de que a dinâmica e a história poderiam cansar a longo prazo, e esse perigo parece realmente iminente. De qualquer forma, por enquanto ainda estamos flutuando.

Outras observações importantes: 

– Tive a mórbida sensação, apenas por alguns instantes, de que Noah contou sobre seu caso para Helen não por remorso, e sim para não ter que pedir dinheiro emprestado de seu amigo Max. Já basta o sogro, não?

– Oscar é esperto sim, mas seu personagem parece meio deslocado na trama. Ele é quase um vilão de novela mexicana, esperando para dar o bote. Não parece coerente em meio à história realista que The Affair impõe, e sua presença ao redor de um caso de assassinato é bem inoportuna, pois joga todas as suspeitas para cima dele.

– Um tanto deslocado também ficou o Sr. Investigador nesse episódio. O que ele fez? Absolutamente nada, apenas deixou um lembrete de que Scotty irá morrer e que temos sim uma plot a caminho (mas quando?).

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