Podemos apagar esta temporada da vida de Annie Walker?
O que dizer de Covert Affairs, a não ser o fato de que termino esta Season Summer completamente decepcionada. Em uma sequência de dez episódios, CA não me entregou nada de bom. Aliás, comecei a considerar que eu deva ser uma grande “pé frio”, porque exatamente quando estava super empolgada com a série, acabo levando este banho de água fria (ao estilo Ice Bucket).
Se pudesse considerar o fato de que fui enganada, sem dúvidas, válido muito bem o argumento. Afinal, a première da temporada foi muito boa e abriu o cenário para contextos atuais e interessantes. Não vou negar o quanto me empolguei, principalmente por acreditar que seria o momento de explorar o lado dark de Annie Walker. A espiã que acabava de se “graduar” ao assassinar Henry Wilcox, adentrava em um perfil moldado às premissas da Agência e, gradativamente, perdia a própria personalidade. Associado à essa “nova” agente, surgia um atentando contra a própria CIA que poderia ter sido orquestrado por “aliados”.
Tudo seguia para o perfil bem articulado e envolvente da série, bastava administrar o que fora apresentado. E até o terceiro episódio da temporada, tudo seguia bem, até que a série empacou de tal forma, que nada seguia em frente.
O fiasco, de mais uma vez, insistir em inimigos estrangeiros, ao invés de explorar o próprio território e a própria organização, iniciou o conflito de episódios caros e desnecessários. As viagens à Europa, que sempre casa muito bem ao tema da espionagem, acabou sendo estragada pela insistência em explorar a sexualidade de forma exagerada. Para piorar, surgiu o maior fiasco da temporada, a doença de Annie Walker.
Quando a personagem apareceu, “renascida” do submundo, trazer consigo uma doença era bem criativo e filosófico. Porém, a partir do momento que qualquer corrida ou fuga transformou-se em crise e desespero, o roteiro da série removeu a essência ativa da personagem, e quem perdeu fomos nós, pois Walker não tinha uma vida mais ativa, (ao contrário). Uma espiã admirada pelo contraste entre a doçura da feminilidade e a independência de sua astúcia e força, era moldada para ser dependente pela necessidade física, e ao invés de aprender a administrar seus limites, Annie espelhava a estupidez humana em repetir os mesmos erros, incalculáveis vezes.
E neste cenário onde nada evoluía, episódio após episódio, a única coisa que mudava era a proximidade de Ryan em Walker. O que seria bacana se fosse uma história secundária, e não o centro dos roteiros. Ao mesmo tempo em que o culpado por trás do atentado era tão obvio, que desgastava o plot da temporada antes da sua metade. O maior problema ainda estava por vir, era a falta de informações acrescentadas em nove episódios que acabou sendo jogada ao aleatório, durante a Summer Finale.
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A primeira impressão que se tem ao assistir Sensitive Euro Man é de que o mesmo foi um grande episódio, dinâmico, romântico e com uma trama interessante. Mas esta sensação se desfaz quando nos atentamos aos detalhes do episódio, muita informação em pouco tempo e pouca coerência nos elementos.
Óbvio que seguindo a premissa de não pensar em nada, durante os 42 minutos. Não há do que reclamar, o décimo episódio da temporada foi o melhor de todos. Mas então, temos um pequeno detalhe… Não há como assistir a Sensitive Euro Man e ENTENDER alguma coisa, mesmo se somarmos os outros nove episódios anteriores, muito do roteiro está sem explicação.
Para começar a esclarecer todo este panorama, vamos começar por Ryan Macquaid. O personagem criado como um ex-militar, “educado” por Arthur e consequentemente, alguém que se destoa por avaliar as situações em que está inserido, além do óbvio. Desde o começo da temporada, Ryan tenta explicar para Annie de que ninguém pode ser sozinho, de que é necessário confiar nas pessoas. E isto é bacana, acabou se tornando em um novo aprendizado para Walker. Porém, você concorda comigo que tudo isso é jogado “água abaixo” quando o professor é traído pelo próprio conceito? Se a ideia era ensinar a jovem espiã a confiar nas pessoas e trabalhar em equipe, Ryan falhou miseravelmente, quando torna-se vítima de Caitlyn.
Ainda, pensando neste contraste, temos um sério problema. Pois se desde False Skorpion, o CEO da Macquaid Secutiry agia para descobrir quem estava usando os recursos e autonomias da empresa para traí-lo, como ele nunca desconfiou de sua “sócia”? E de repente, por causa de um notebook “tudo ficou claro!”. Como assim? O homem viajou o mundo inteiro em busca de provas e porque ela devolveu o notebook dele, a mulher se transformou em uma traidora? Eu sei que muitos irão argumentar que ele encontrou o GPS na máquina. Mas ele só procurou o dispositivo porque considerou que ela era a pessoa quem traiu ele. Então…
Ao mesmo tempo, surge o desespero em ver Ryan fracassar terrivelmente em suas estratégias. Se no episódio da semana anterior, ele informa à Annie que está sendo procurado por todos, por que diabos aquele homem decide fugir, exatamente, para a própria empresa? Estou sendo perseguido e vou de encontro ao inimigo? Não havia justificativa para a presença de Ryan vigiando a própria empresa naquele começo de episódio. Assim como tornou-se sem sentido vê-lo ir em busca de passaportes, (com a óbvia intenção de fugir do país), e ele não foge do país! Ele pede para se encontrar com Walker, e em nenhum momento menciona que tem a intenção de fugir. Então pra quê ir atrás daquele passaporte? Acabo encerrando minha avaliação de Ryan, com um total desapego ao personagem. Pois alguém que comete a estupidez de enfrentar Caitlyn da maneira como ele enfrentou. Merecia sangrar até morrer, não era aparecer no hospital no fim do episódio. Totalmente desnecessário…
E neste contexto de histórias que poderiam ter sido descartadas, poderíamos dizer que várias narrativas surgidas durante a temporada deveriam seguir por este caminho para que outros fatores extremamente relevantes viessem à tona bem mais cedo. Como por exemplo, o personagem do diplomata Belenko, que aparece do NADA referindo-se a um tratado que ninguém conhece, e para piorar, ele é o aliado de Caitlyn.
Belenko é um diplomata da Geórgia. Apenas comentando um pouco de geopolítica, alguém sabe aonde fica o país e qual a sua posição política no cenário internacional? Então… A Geórgia se localiza próximo ao Mar Morto, e baseia-se em uma economia centrada no comércio. É um país capitalista, democrata, semipresidencialista. E não é aliado da Rússia. Sabendo disso, alguém pode me explicar o que a Embaixada Russa tem a ver com a história de Chicago? Assim como foi mencionado entre Joan e Calder, alegando de que os documentos que Roger dizia possuir poderiam pertencer à embaixada.
Além disso, por que ninguém comentou sobre este tratado antes? Que tratado é este? E por que um país que não tem os Estados Unidos com rival, atacaria uma de suas instalações de inteligência? Este quebra-cabeça está faltando um monte de peças, e não tem como entender quase nada, muito menos, porque o carro de Arthur fora o alvo, se havia mais dois veículos com outros diplomatas. Quem estava no carro com Campbell?
Conseguem perceber o quanto houve de material “lançado”? Um tornado ausente de diversos detalhes, fazendo o telespectador se esforçar para buscar conexões nesta história. E isto não é bom. Uma coisa é sentir satisfação com uma série que não duvida da inteligência de seu público, outra coisa é transformar este cenário em um sub entendimento de que pode faltar história. Porque não pode! Tempo e episódio foi o que não faltou para isto…
Não dá para aceitar um episódio que transformou Arthur em um inútil que, apenas, viu uma bomba embaixo do carro com o auxílio de Annie. Assim como também Joan, que aparece apenas para conversar com um diplomata Russo, mas não obtém nada como resultado. Ao mesmo tempo, Calder tornou-se útil porque passou a temporada envolvido com uma prostituta? É isso mesmo?
É isso mesmo, Calder Michaels que foi o grande nome e fôlego da quarta temporada, transformou-se em um burocrata apaixonado por uma prostituta de classe. Que por sinal, ao invés de tirarem proveito de Sydney oferecendo aquela reviravolta óbvia, mas bem vinda. A mulher poderia não ser o que parecia, seria bem melhor do que dizer que ela aceitará o trabalho de objeto sexual enquanto investiga a Embaixada Russa.
Mais desnecessário do que isto, apenas gastar dez episódios para dizer o que já sabíamos desde o segundo. Caitlyn havia traído Ryan, e estava envolvida no atentado de Chicago. Porém, mesmo já sabendo, a única coisa que esperávamos era que houvesse uma justificativa. O mais desesperador foi perceber que a temporada acabou e nós não descobrimos.
A única coerência nesta história toda é a revolta de Annie, que reflete a minha revolta. Além de voltar para CIA e deparar-se com um atentado cruel, ela foi a única que lutou durante toda a temporada em busca de provas que trouxesse um “porquê” do acontecimento. E é lógico, que ela irá se desapegar da Agência para encontrar esta resposta, afinal a CIA demonstrou ser a Agência de Inteligência mais estúpida do mundo. Consequentemente, sem emprego e sem laços com o país, Annie tende a buscar novos horizontes e perspectivas, que a façam entender TUDO que está faltando nesta história.
A única maneira de aceitar o que vimos em Sensitive Euro Man é apagar TODO este início de temporada de Covert Affairs, e considerar o episódio como uma nova première. Será com este sentimento que eu voltarei em novembro, e será com esta expectativa que alimentarei a esperança de que a série irá se recuperar, transformando os últimos três meses em um instante de colapso, que deve ser esquecido e não mais mencionado em um futuro próximo.















