Olá representantes das emissoras brasileiras que leem o Série Maníacos: comprem os direitos de The Strain, a série para competir com The Walking Dead no coração dos brasileiros. Estou falando sério!

Este foi o episódio mais representativo desde o seu episódio piloto, pela concentração nos núcleos familiares de cada personagem, pela iminência do óbvio (não para os federais) e pelas boas cenas.  “Occultation” teve didática vampiresca, desespero médico, planos da StoneHeart funcionando com perfeição e até uma conversa nada a ver entre a ex-esposa de Eph e uma figura que chamou de “cantada barata” o plano de fuga de Goodweather.

The Strain tem ritmo de série dos anos 80 e pode agradar até os mais rigorosos críticos de atrações para TV. (Guillermo) Del Toro e (Chuck) Hogan acharam junto com a produção da série o tom do realismo fantástico com a discussão sobre a célula mater, o casamento. Você, assim como eu, pode achar bem chata as indecisões da Sra. Goodweather com seu namorado super protetor e o sem sal do Z, mas para que a TV tenha um cheirinho de livro é bom que os  plots literários (e mesmo sem ler o livro sei que há maior destaque para os enlaces) não fiquem muito distantes da adaptação televisiva. Não dá para manter um episódio de 40 minutos com Setrakian decapitando zumbis-vampiros.

Ainda falando nele, me impressiona como o ator inglês David Bradley leva a sério seu personagem sem em momento algum caricaturar seu desempenho; me parece que só agora, Corey Stoll acha o bom tom do ceticismo científico com a pasmaceira da situação surreal. Quando dois paspalhões federais fazem perguntas sem muita profundidade, “Occultation” cai no clichê: interrogatório, algema, sala de vidro. Perde o ritmo para depois levar ao clímax e depois ficar gelada novamente. Desta vez, o epidemiologista não é a maior estrela.

Kevin Durand e seu Vasily Fet fez tudo certo. O olhar impiedoso e cheio de desesperança do agente de saúde (ou caça-ratos, se você preferir) está bem equilibrado com as cenas. Mesmo que a pintura de cabelo não saia da minha cabeça como um exagero estético. Durand vem participando com economia, mas preciosismo, mesmo quando é alvejado por mais de 10 zumbis dentro do sistema de esgoto de Nova Iorque.

O eclipse como anúncio de um julgamento final ou mesmo devastação da humanidade foi usada como uma figura de linguagem sem arroubos de profetas de rua ou telejornais nova-iorquinos anunciando, de hora a hora, o que a população deveria fazer. Pelo contrário, o evento solar/lunático serviu como moldura para a evasão dos zumbis, em boa parte malocados nos porões escuros de suas casas. A metáfora fora utilizada de uma maneira que o público médio não precise recorrer aos livros para entender porque o clima está esquentando.

Nora precisou ver com os próprios olhos e tomar uma medida ao invés de ficar recorrendo aos juramentos que fez quando se formou. Isso poderia ser diferente se ela tivesse colocado a mão no peito antes de receber o canudo e dito: “Prometo que uma vez no desempenho das minhas funções humanitárias jamais serei capaz de me defender de homens, mulheres e crianças que tenham serpentes nas suas bocas capazes de sugar o máximo de sangue das suas vítimas”. Foi perfeitamente plausível vê-la correndo sem direção com a mãe, com a mente mais perdida do que português em reunião do sindicato dos padeiros. O encontro com Eph teve até sua dose de emoção.

Essa mescla de histórias do cotidiano com uma dura e dolorosa guerra contra um inimigo que se conhece pouco, faz o público observar as evoluções de ambos de acordo com suas possibilidades. Não é uma série de terror, ele contem medo e suspense, mas o desenvolvimento do plot principal deixa espaço para discussões interessantes, inclusive, sobre a utilização de Nova Iorque como fonte de todas as desgraças políticas, sociais e econômicas, exportando sofrimento para o mundo.

As cenas de Jim com os latinos se livrando do corpo de dentro do hospital estão no nível do talento de ambos: muito fraca, mas podendo esconder um plano diabólico; na minha cabeça, contaminar a água em volta da ilha de Manhattan.

Por enquanto Setrakian e Vasily são os melhores personagens, com características muito próprias e com atuações seguras. Talvez eles estejam salvando a série de ser mais uma sobre vampiros. Só que não. The Strain assume plots interessantes e que podem ainda conquistar muitos fãs no mundo, inclusive brasileiros. Daqui pra frente a tendência é que cada episódio seja banhado de sangue de gente mais importante… Ei, alguém falou em Jim?

Artigo anteriorUtopia – Season 2
Próximo artigoThe Leftovers 1×08: Cairo