O maior erro desse início de temporada foi tentar repetir fórmulas que deram certo.
Agora sim o ano começou! Passou o carnaval, a Copa, Alemanha campeã, e finalmente o primeiro X Factor dá a largada na busca pelo novo grande nome do cenário musical. Nos três últimos anos, o programa teve êxito em todos os sentidos possíveis. Bons índices de audiência, ótimo nível de qualidade de seus candidatos e um Reece Mastin, uma Samantha Jade, um The Collective, um Taylor Henderson, uma Dami Im, e alguns outros, para chamar de suas crias. Será que esse ano teremos a mesma sorte?
O maior problema nessa primeira parte da maratona de auditions foi uma aparente tentativa de repetir o sucesso de repercussão de algumas audições de temporadas passadas. Tentaram empurrar goela abaixo um novo Jai, uma nova Dami, um novo Taylor, e por aí vai. É claro que, quanto mais longevidade o programa conquista, maiores são as chances de se deparar pensando “Eu já vi isso antes!”, mas o que mais incomodou foi o fato de ter parecido algo proposital, uma jogada de edição para martelar pregos parecidos com os que já se destacaram antes e levaram marteladas de votos do público.
Apesar disso, não sei se seria justo dizer que o nível de competidores está ruim até o momento. Mas não está bom o suficiente para tanta standing ovation dos jurados, isso é uma certeza. Mas, se você é novato em X Factor Australia, já vou avisando: acostume-se. Parece que existe um agrupamento de cupins nessas cadeiras do júri que faz com que eles aproveitem o final de cada audição para se levantarem e darem aquela coçadinha prazerosa no traseiro. Ou eles são realmente exagerados e tudo para eles é “a melhor coisa que eles já viram”. Normalmente eles se controlam mais nas fases seguintes, mas nas audições é assim mesmo, eles parecem viver em uma realidade onde tudo é muito melhor do que realmente é.
Mas chega de papo e vamos logo começar a analisar esses aspirantes a futuros popstars, porque são três episódios e um monte de caras e vozes novas para conhecer.
IT’S TIME… TO FACE… THE MUSIC!
https://www.youtube.com/watch?v=RvEzJP-RtR0
Já começamos com a garotinha de 14 anos que estava sendo pimpadíssima antes mesmo do programa começar, Marlisa Punzalan. A impressão que eu tenho é que escolheram um crossover dos dois acts que viralizaram ano passado, Dami Im e Jai Waetford, para promover a sexta temporada. E aí é que mora o problema, eu não estou com o menor saco para aguentar outro Jai, em uma versão feminina e com essa postura, ou melhor, falta dela. Não me entendam mal; a voz de Marlisa é realmente impressionante, bonita, bem controlada, e a escolha musical dela foi inteligente e muito a favoreceu. Todavia, como dito um pouco acima, esses painel de jurados é peculiarmente bem exagerado e todo ano eles arrumam alguma audição para chamar de “melhor coisa que já vimos na história do X Factor blá blá blá”, e essa audição está beeeeeem longe de ser a melhor coisa que já se viu no XF AU. A questão é que só um milagre vai conseguir transformar essa menina na popstar que o programa procura. Ano passado Dannii conseguiu fazer milagre com a Dami, o que me faz ter alguma esperança de eu estar redondamente enganado. O fato é que Marlisa já carimbou seu passaporte para os live shows, não importa o que aconteça nas próximas fases, então teremos a resposta desse mistério em questão de semanas.
https://www.youtube.com/watch?v=YqrvRXt5Kd4
Brasil, me ajuda, o que é o nível de pedância desse cidadão chamado Dean? Falar que saiu de casa com 15 anos porque queria “merecer ser chamado de homem”? Que “queria ficar quebrado e passar fome”? Que comeu direto da lata de lixo e tomou água podre? HAHAHAHA PLEASE, BITCH. Isso não é merecer ser chamado de homem, é merecer ser chamado de PORCO. O jeito dele falar também já estava me dando uma preguiça enorme, até ele abrir a boca para efetivamente cantar. Acredito que não tenha sido especificamente a voz o que mais me cativou, mas sim a capacidade dele de imprimir personalidade ao cantar. Dean entrega um bom conjunto de presença, nuances vocais e visual que vende bem o que ele quer passar. Mais uma vez, rolou uma reação all over the place por parte do júri. Não, Redfoo, não foi bom o suficiente para subir na mesa. E, não, Dean não é a personificação de rock n roll. E, de novo, não, Dannii, não foi uma das melhores audições de todos os tempos. Menos, bem menos, galera. Mas foi bom e o suficiente para leva-lo para o Bootcamp. Não o vejo chegando na reta final, mas não o descarto como um possível nome no Top 12.
https://www.youtube.com/watch?v=Uh8kwiELfZk
E eis que entra o grupo que me fez pensar “Agora sim, a bagaça começou pra valer!”. Eu tenho um apego especial pelos grupos, acho o diferencial mais legal do X Factor em relação aos outros programas do gênero, mas na Australia parece haver uma bruxa solta pra essa categoria. O grupo mais bem sucedido saído de lá é o The Collective, formado em 2012, mas o pós-show deles é de qualidade questionável e já passou inclusive pela saída de um dos membros. 2011 e 2013 também tiveram grupos legais, como o Audio Vixen, Three Wishez e o sensacional Third D3gree, porém nenhum deles vingou, e inclusive os dois últimos se separaram.
Talvez essas meninas do BEATZ possam mudar a história. Poucas vezes vi um grupo chegar tão bem ensaiado para uma audição. A coreografia, o figurino, as harmonias bem desenvolvidas, tudo ali se encaixou bem. Elas acertaram em cheio ao mudar a entonação do segundo refrão para evidenciar a harmonização, e também ao adicionar elementos como o rap, as high notes e o duplo twist mortal carpado (?), que enriqueceram a performance. Obviamente o fato de se conhecerem há 12 anos ajuda muito, mas se elas entregam isso já de cara na audição, imagina o que podem fazer com mentoramento e investimento? Fiquei muito empolgado com esse grupo… só falta aniquilar essas botinhas coloridas, né? Mas nada que um bom makeover não resolva.
Olha aí, uma Over com cara de Girl, que já teve contrato assinado com gravadora, lançou umas músicas, achou que estava com a vida ganha, teve seus sonhos destruídos pelo cruel show business, e foi tentar a sorte no X Factor… parece familiar? Semelhanças à parte, não me lembro de ter gostado da audição de Sammy o tanto que gostei da de Reigan Derry, o que eu torço para que seja um sinal, afinal eu não acharia nem um pouco ruim ter uma “nova Sammy” pra amar.
Quando você canta Adele nesse tipo de reality, é preciso fazer algo que te diferencie daqueles zilhões de covers baratos que se acha em qualquer Youtube da vida, e Reigan conseguiu fazer isso. O fato de ser uma versão acústica, clean, porém embalada por essa voz gostosíssima, fez com que essa fosse minha segunda audition favorita do primeiro episódio. Eu só espero que Reigan largue esse discurso frescurento de “minha imagem era muito oversexualized” porque né, duvido muito que alguém estivesse apontando uma faca pra ela e obrigando-a a esfregar a pixirica na coleguinha e nos dançarinos na época que ela fazia parte do Scarlett Bell. E também porque eu espero que ela não ache que, se chegar nos lives, vai ficar subindo no palco de camisetinha e calça jeans, pendurar o violão e cantar Sandy toda semana. NOT GONNA HAPPEN!
PS: Para quem quiser ver a apresentação dela no próprio X Factor, lá em 2010, ainda sendo parte da dupla Scarlett Bell, é só clicar aqui. Mas já aviso: musicalmente, é um verdadeiro estupro aos ouvidos. Thank God que a Reigan saiu dessa.

Anotem aí o nome do primeiro integrante da boyband que os jurados vão formar no Bootcamp: Jesse Teinaki. Vocalmente ele é regular, e nessa performance foi muito ajudado pelos backing vocals que entram na faixa na parte do “Ooooohh” do refrão e também pelos gritos da plateia, porque Jesse teve algumas falhas notáveis de respiração e afinação. Mas ele é marrentinho, bonito e cativou a plateia, e está mais do que na cara que aprovaram ele já pensando na possibilidade de encaixá-lo em um grupo. Claramente falta voz ali para se sustentar solo. Ficamos na torcida para a boyband ser melhor que a trainwreck que foi a do ano passado, amém!

Olha Shannel, você é uma fofa, é bonita, super simpática, sua relação com sua avó é belíssima e sua voz é realmente boa. Eu adoraria dizer que você tem chances de ir para os live shows, mas não posso enganar os leitores e nem a mim mesmo. Se você chegar muito longe, será nas judges houses, onde será eliminada por ser concorrência direta com Marlisa. Uma pena, porque te vejo com mais potencial para mostrar versatilidade do que a sua “oponente”. Mas parabéns, você fez uma audição da qual poderá se orgulhar para sempre. Mas esse ano não dá. Quem sabe no ano que vem?

Ai, bem que o “Ave Maria” da Shannel poderia ter exorcizado essa criatura do programa, né? Minha perna até tremeu quando eu vi o rostinho de Tee na tela do meu computador novamente. Não aguento essa expressão de quem está prestes a chorar o tempo inteiro (até quando está sorrindo!). Até que dessa vez ele deu uma leve maneirada na gritaria de costume, mas ainda assim acho as performances dele extremamente desinteressantes. E juro, não tenho ABSOLUTAMENTE NADA CONTRA um cara usar shorts menores que um biscoitinho cream cracker, de fato acho que cada um tem a liberdade poética de vestir o que quiser (#NinguémMereceSerEstuprado). Mas se achar o transgressor por aparecer seminu na frente da Australia inteira não me faz te odiar menos, Tee, sorry.
Pelo menos ele serviu para proporcionar essa cena aqui:

DEAR LUKE \o/
Estou aplaudindo de pé até agora esse cara. Não, não porque ele seja um cantor sensacional, e sim porque esse indivíduo é um gênio do marketing pessoal. Poucas vezes eu vi uma pessoa vender tão bem o seu drama card. Vou ter até que desmembrar a história toda para vocês entenderem o quão esperto Ryan Imlach é, caso alguém não tenha entendido.
O cara sobe ali no palco, conta como nunca tinha cantado em público, e que decidira fazer sua “grande estreia” no dia do seu casamento. Ok. Até aí as moças da plateia já estão ligeiramente derretidas com o marido romântico que está vos falando. Daí *BOOM* na nossa cara quando ele conta que o casamento não aconteceu porque a noiva desistiu meses antes da cerimônia. Daí *BOOOOOM* de novo quando ele revela que eles namoravam há nove anos e meio quando isso aconteceu. Até aí já está todo mundo de coração partido, e você acha que não tem como a historinha ficar mais comovente. Aí *BOOOOOOOOOOOM* o cara vai cantar a música que o pai escreveu, que é a mesma que ele iria cantar na cerimônia. Isso porque no meio do VT ele já tinha soltado uma frase de efeito tão belissimamente construída que me deixou pasmo: “She was the one for me, but I wasn’t the one for her”. Sério, esse cara é a grande revelação do ano… em auto promoção. Se chegar nos lives, é perigoso ir longe só pela eficiência em vender essa história digna da mais fúnebre das duplas sertanejas.
Bom, como eu já estou vacinado contra isso devido à experiência com esses programas, achei todo o drama bem entertaining, mas vai precisar de bem mais para me comover, hein? Até mesmo porque vai saber o que diabos esse cara pode ter feito para a noiva largar dele, né? A letra da música que o pai compôs é realmente muito bonita, mas o timbre de Ryan é bem comum e ele não mostrou nenhum diferencial que me faça acreditar nele como um cantor que se destaque entre os milhares de cantores de barzinho (ou de casamento – dos outros!) que existem. A edição foi espertíssima de usá-lo para fechar o episódio de estreia, mas eu temo que ele não tenha mais nada a oferecer e mesmo assim seja arrastado pela empatia do público.
Depois da première que me deixou consideravelmente animado, veio um segundo episódio bem diferente: arrastado e exageradamente dramatizado, me lembrando os tempos sombrios de XF USA.

Até que não começamos mal. Jason Heerah fez tudo direitinho: acertou na música para cantar na audição, que deixou plateia e jurados bem empolgados; não tem nenhuma historinha pra se fazer de coitado, seu VT foi basicamente sobre cuidar de seus filhos sem trabalhar fora; tem a seu favor o fato de tocar um instrumento diferenciado e, por fim, uma boa voz. Foi uma audição até divertida, um bom começo de programa, mas que não mostrou muita capacidade de ser um grande destaque lá na frente.
Em seguida, tivemos a apresentação da melhor candidata do episódio. Codi não foi perfeita; o vocal dela é muito bom, mas não é extraordinário, e a postura e a gesticulação dela não foram muito coerentes com uma letra que fala sobre arrebentar o carro de um cafajeste. Mas eu acredito que isso pode ser resolvido com um apoio de um bom mentor, até mesmo porque ela tem apenas 17 anos. O que fez com que Codi ganhasse todo o meu respeito foi ela ter escolhido cantar “Before He Cheats”, da Carrie Underwood – uma canção dificílima de se executar, vale ressaltar – quando ela tinha na manga “You’re Not Innocent”, original que fala sobre uma garota que comete suicídio depois de não aguentar o bullying sofrido (um trecho do vídeo é até mostrado no VT antes da audition). Imagina a força desse drama card? Mesmo que Codi use esse trunfo futuramente, ganha pontos também pela estratégia de não queimá-lo logo de cara. Anyway, a garota é uma candidata interessante também porque nunca tivemos uma cantora country nos lives do XF AU. Quem sabe não seja esse o ano?
James Johnston, o segundo WGWG da competição, chegou sendo sutilmente sabotado pela edição por essa comparação direta com o vice-campeão do ano passado, Taylor Henderson. Infelizmente o timbre de James não está nem perto de ser tão único como o de Taylor, mas os comentários negativos param por aí. A experiência nos palcos surte um grande efeito positivo na postura e na atitude dele como performer, fazendo com que o público embarque com ele. James tem uma boa voz, preenche a cota obrigatória do XF AU de braços para se admirar, e, depois das versões acústicas/countryficadas de “Roar” que tivemos ano passado (Restless Road do XF US e Olivia Henken do TV US), a de James é um sopro de ar fresco, de longe a melhor.
Só uma dica para o James: eu não sei como funciona lá na Australia, mas aqui no Brasil os sogros não tem esse “carinho” todo com as noras:

Abre o olho, James!
Infelizmente os candidatos realmente empolgantes do segundo episódio pararam por aí.

Serenity é uma personagem interessante. É engraçado como qualquer pessoa que chegue com um pouco mais de confiança e não transpareça timidez alguma já é julgada como arrogante pela audiência, e é exatamente isso que acontece com Serenity. A atitude dela é perfeitamente condizente com a de uma rapper consagrada. O problema é que a garota de 18 anos ainda não é uma rapper consagrada e precisa passar pela aprovação do público, aprovação que engloba também a personalidade e a capacidade de gerar empatia nas pessoas. Quando ela faz exatamente o caminho contrário e causa um verdadeiro climão no ambiente, perde logo a conexão que precisava com a audiência e sua audição perde o brilho. Não sei se o rap dela passa de aceitável/regular, e o canto então nem se fala, está ainda abaixo disso. Mesmo assim ela consegue 3 “Yes!” e já é previamente apontada como futuro membro de um grupo assim que sai do palco.

E esse Soul Cutz? Are you fucking kidding me?

Não sei se eu ainda estava traumatizado pelo Soul Cutz, só sei que Adrien Nookadu não me pareceu tudo isso que algumas pessoas acharam. Na verdade, o cara canta bem, tem um timbre bonito, falsetes certinhos e tudo o mais, mas tem uma áurea Bruno Mars emanando dele que me dá calafrios.

Rochelle Pitt tem uma voz monstruosa, ataca as high notes com vontade e eficiência, e, por incrível que pareça, já tem um domínio de palco ótimo para quem não canta como profissão. Mas já é bom avisar os novos espectadores dessa versão: nem o público votante e nem os jurados australianos costumam ter muita dó de candidatos com historinhas sofridas, ou mesmo dos underdogs. Um programa que já mandou pra casa sem dó Emmanuel Kelly e Justin Standley manda uma Rochelle também em dois tempos, então é melhor ela se cuidar e, caso alguém a leve para os lives, dar um upgrade nela como um todo e montar um repertório menos datado. Meu coração não aguenta outra Sam Bailey tão cedo.
Ah, e por falar em drama cards fortíssimos, vamos ao desfecho do segundo episódio.
Às vezes eu tenho muito medo de soar como se estivesse diminuindo o sofrimento dos outros, por isso calculo muito minhas palavras para falar desse tipo de candidato. Mas é impossível negar a sensação fortíssima de estar vendo um trecho daqueles programas da Igreja Universal que eu tive ao ver Sina & Soni. E não foi “só” o drama da doença do irmão, mas tudo neles grita “DUPLA GOSPEL!”, e falo isso porque cresci na igreja. Eles cantam bonitinho, mas não são e nunca serão popstars. Por isso já fica a minha torcida para que sigam a mesma trilha de Emmanuel Kelly e já vazem logo na próxima fase. E tenho dito, sem remorsos.
O terceiro episódio foi menos dramático e menos difícil de assistir sem fazer 696969 pausas no seu decorrer, mesmo que ninguém tenha me deixado de queixo caído.

Começamos com Jaymie de Boucherville, que apesar do nome que me traz lembranças ma-ra-vi-lho-sas de outras temporadas de outros X Factor’s, não me deixou tão ouriçado como ele deixou as moçoilas da plateia e da banca de jurados. A voz do rapaz é gostosinha, ele ganha pontos pela veia criativa em mudar o arranjo de “Wonderwall” – embora eu não tenha sido o maior fã da versão -, mas para por aí. No restante – extensão vocal, carisma, presença -, não há nada “WOW” nele, ou mesmo que não possa ser superado por algum dos outros WGWGs que já apareceram nas primeiras audições.
Em seguida veio a audição de Nada-Leigh Nasser, que não me impressionou com sua tentativa de reencarnar a Mariah Carey magra de outrora, mas me trouxe quatro conclusões à mente:
– os pais dela são muito criativos. Acharam “Natalie” muito clichê e decidiram incrementar. Nada-Leigh. Gênios.
– é uma pena ver que o Element, grupo do qual Nada-Leigh fazia parte, foi eliminado ano passado em prol da aprovação daqueles grupos horríveis formados no bootcamp (os dois que não eram o Third D3gree, claro).
– Nada-Leigh nasceu para ser integrante de um grupo mesmo. Solo a coisa parece não funcionar tão bem. Ela é boa, mas precisa de uma espécie de complemento, suporte.
– dá para entender porque achei Redfoo uma porcaria de mentor ano passado. Ele disse que a garota foi esperta por jogar seu maior diferencial logo de cara, e eu penso exatamente o contrário. Depois que Nada-Leigh abriu mão desse trunfo, não conseguiu manter o nível da performance, que ficou decrescente, e isso nunca é bom. Se Foo e eu discordamos assim, será que é melhor eu me preparar para outro show de horrores vindo dele como mentor?

NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO OUTRO JAI WAETFORD NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!!!! Eu não chegava a odiar o Jai, mas não tenho paciência pra outro assim tão rápido.
Mas será que esse será o ano dos grupos femininos? Vamos inverter a situação de 2012 e, ao invés de 3 boybands, teremos três grupos de moças nos lives? Eu tenho um pouco de aversão a gente que já entra no palco gritando “HEEELLOOOO *insira aqui o nome da cidade da audição* MAKE SOME NOISE HOW YOU FEELING LET’S GET THIS PARTY STARTED BLA BLA BLA”, mas até que as gurias do Majikhoney compensaram um pouco essa birra com sua apresentação. Elas são bem mais atitude e swag do que voz, isso é fato, o que me faz acreditar que, se caírem em competição direta com o Beatz, por exemplo, elas levam uma surra. A inexperiência também pode ser um fator contra elas, afinal uma tem 14, e a outra 15 anos. Dá para evoluir muito em alguns anos, principalmente trabalhar essas harmonias que em alguns momentos não soam tão afiadas. Às vezes a afobação de entrar logo no programa pode ser um tiro no pé, quando se podia esperar um pouco mais para chegar mais preparado para competir por um lugar ao sol.
Chloe Papandrea pode não ter sido a candidata que teve a performance mais tecnicamente acertada, o que foi apontado pelo próprio Ronan Keating. Principalmente na segunda metade da canção podem-se notar algumas pequenas falhas de afinação e um ou outro momento em que as mudanças de tom soam um pouco abruptas demais. Mas foi Chloe certamente a candidata que melhor se conectou emocionalmente com a letra da música que estava interpretando. A fragilidade característica da voz dela deu uma força ainda maior ao grande sentimentalismo que existe em “Clown”, de Emeli Sandé, e por isso Chloe ficou com certeza entre as minhas favoritas desses três episódios.

Depois do susto que eu tomei ao achar que os meninos do 3-NO passariam para o Bootcamp em um momento de completa insanidade dos jurados – o que, para o bem da nossa sanidade mental, não aconteceu -, tivemos Daniel Kelaart, que é “brow” do Nathaniel da season 4. Sério, preciso escrever uma cartinha para o Luciano Huck Kings Of Leon pra pedir pra que eles lancem mais hits mundiais, porque eu não aguento mais ouvir “Sex On Fire” e “Use Somebody” nesses programas, já está chegando ao nível Whitney Houston de tão batido. Além disso, foi a segunda mudança de arranjo que não me agradou nesse episódio; “Use Somebody” já tem um forte apelo emocional, e essa versão ficou melodramática demais. Como se não bastasse, não é como se Daniel fosse uma Judith Hill. Seu timbre é bem comum e não há nada que o destaque da multidão de milhares de outros backing vocals, embora ele seja realmente afinado. E por falar nessa profissão, achei de muito bom gosto Ronan dizer que “não há porque se envergonhar em ser backing vocal”. Muitas vezes o termo acaba sendo interpretado como uma ofensa, quando na verdade às vezes apenas quer dizer que a pessoa não tem star quality para estar à frente, sob os holofotes. E é como vejo Daniel: nasceu para ser cantor de apoio, e não há mal nenhum nisso.
https://www.youtube.com/watch?v=AcgTLW10V9w
Lembra do que eu falei sobre o XF AU parecer estar tentando emular várias audições populares de outros anos do programa? Pois bem, olha aí a tentativa descarada de repetir Dami Im. Natural de outro país, com um jeito meio desengonçado ao falar… mas as semelhanças se esgotam aí. Afinal, Mary Ann pode não ter o mesmo alcance vocal de Dami – ou pelo menos não tê-lo mostrado na audição -, mas tem 10 vezes mais presença de palco, 10 vezes mais bom gosto na escolha de repertório e 10 vezes mais cara de estrela do que a coreana tinha quando se apresentou pela primeira vez para os jurados. Mary Ann é um tipo de candidata que o AU parece amar: não se esconde por trás de nenhuma historinha sofrida, canta bem, tem grande potencial para ser uma ótima performer pop, tanto visualmente quanto na voz e na expressão corporal, e pertence à categoria dos Over 25’s, que venceu as duas últimas temporadas. Se eu fosse a concorrência, ficaria de olho.
E assim fechamos a primeira semana de audições. Como dito lá em cima, o nível da competição não parece estar o mesmo dos três anos anteriores, mas eu me mantenho otimista, afinal Taylor Henderson só foi aparecer no último episódio de auditions de 2014.
Para os novatos na versão australiana, desejo as boas vindas e quero saber o que acharam da dinâmica, do ritmo acelerado de exibição dessa primeira fase, dos jurados e do apresentador (lembrando que opiniões negativas sobre esse último serão consideradas suspeitas, hein?). E, para os veteranos, fica a pergunta: essa primeira sequência de episódios deixou um pouco a desejar em relação ao que conhecemos do XF AU ou estou sendo severo demais?
Semana que vem tem a segunda e última maratona antes do Bootcamp. Aguardo vocês lá!














