How I Met Your Drag Mother. 

Se por um lado RuPaul’s Drag Race é, inegavelmente, um reality show que não precisa ser levado 100% a sério, por outro é impossível fechar os olhos e não dar atenção para os momentos em que ele se coloca como uma atração que transgride os limites do “socialmente normal” e apresenta algo surpreendente. Foi o caso de “Drag My Wedding”, onde o show utilizou uma de suas tradições, que é o desafio do makeover, onde as drags têm que reproduzir uma espécie de versão delas mesmas em homens heterossexuais, para realizar um verdadeiro evento, inédito e fora de qualquer expectativa.

Quem imaginaria, lá em 2009, que veríamos um casamento de verdade acontecendo na passarela de RPDR? Ou melhor, não só um, mas SEIS casamentos simultâneos! E, como se não bastasse tudo isso, os noivos e noivas estando todos montados como sexo oposto! É interessante ver que, da mesma forma que tem gente que se candidata a programas no estilo “Vai Dar Namoro” do Rodrigo Faro em troca de alguns tostões e uma aplicação de tintura grátis no cabelo, casais (provavelmente) se inscreveram para participar dessa experiência, e é aí que eu fiquei imaginando o que (ou quanto) essa galera ganhou para isso. Mais intrigante foi imaginar o quão “cabeças abertas” são esses caras, viu? Casar-se para o mundo inteiro ver, vestidos como mulheres… tem que ter culhões pra isso, parabéns senhores.

O episódio começa em um ritmo acelerado, sem muito tempo para a tricotagem no ateliê. Por isso, o mini challenge é logo anunciado: fazer um quadro de arte abstrata simbolizando o amor. Pra mim tudo isso era balela e era apenas uma oportunidade para promover mais um single de RuPaul que fica tocando enquanto as gatinhas ficam se lambuzando e esfregando seus salientes traseiros nas telas. Tanto que quem ganha o desafio é apenas quem conseguiu ser mais eloquente na hora de inventar uma explicação para aquela hot mess, e quem poderia ser essa pessoa senão a queen mais eficiente em usar a língua como sua arma número um? Exato: condragulations, Bianca Del Rio.

Na hora de revelar o desafio principal, mais um golpe de mestre de Ru, que forçou Bianca a fazer os pareamentos conhecendo apenas as mulheres, e não seus futuros esposos. Quando os homens entram, a twist surpreende, mas não a aparência deles. Usando um pouco de “preconceito” do dia a dia, no sentido mais voltado à questão dedutiva do termo, não deu para se surpreender com os tipos físicos e estilos dos noivos em relação às noivas; assim, Bianca conseguiu seu objetivo de jogar Darienne debaixo do ônibus atribuindo a ela a dama com um estilo mais roqueiro, gótico, emo, seja lá que estilo era aquele (que cairia muito melhor para Adore).

A preparação para o casório segue como todos os outros desafios de makeover: as histórias sobre por que os caras decidiram participar, um ou dois preocupados com a reação da galera do churrasco de domingo quando assistirem ao programa, e por aí vai. Gosto desse desafio por ser uma lembrança anual de que existem, sim, héteros que convivem com gays, lésbicas, drag queens etc com bastante naturalidade, respeito e livres de discriminação, mas não é nisso que vamos focar. Nem no drama de Adore com o seu “eu não sei costurar” porque né, ninguém mais tem paciência pra isso. Se inscreveu, deveria saber no que estava se metendo, gata.

Agora vamos ver o desempenho dela e do restante dessas aspirantes a Next America’s Drag Superstar, julgadas nesse episódio não só pelo trio Ru + Santino + Michelle, mas também pelo casal que é realeza absoluta quando o assunto é foto de Halloween em família, Neil Patrick Harris e David Burtka.

6) DARIENNE LAKE 

O conceito da noiva gótica funcionou, a transformação foi surpreendente, a ideia de pintar o buquê de preto no meio do desfile foi boa, mas eu nunca vi uma mãe de noiva tão mal vestida para uma cerimônia matrimonial. Mesmo assim, Darienne ainda fez o suficiente para merecer ser salva, considerando os dois desastres que virão a seguir.

5) JOSLYN FOX 

Joslyn finalmente decidiu colocar um pouco mais de pano para cobrir seu corpo e, embora o look dela não estivesse high fashion, também não estava horrendo; o mesmo não se pode dizer da maquiagem da drag daughter dela. Brandon passou mal na hora das críticas, e eu não duvido nada que aquilo tenha sido devido ao trauma de ter se olhado no espelho e ver no que Joslyn o transformou. Bianca sabiamente fez uma comparação ótima para o resultado da transformação:

Gêmas.

4) ADORE DELANO 

Bom, depois de passar semanas na vice-liderança desse ranking, talvez até estranhem essa queda direto para fora do Top 3. Mas chega uma hora que a sua empatia pela personalidade já não é mais suficiente e você é obrigado a encarar a verdade: a sua queridinha da temporada não merece chegar na final, e por motivos práticos e bastante óbvios.

Se tem uma tecla na qual eu bati constantemente nas reviews dessa sexta temporada foi a de que, justamente por serem SEIS ANOS de RuPaul’s Drag Race, eu acho de extrema audácia uma concorrente chegar nessa competição sem saber remendar uns trapos de maneira, no mínimo, decente. Por isso, me dói admitir, mas Adore fez por merecer a catástrofe que foi seu desempenho nessa semana. Quando não só Bianca, mas até a filha drag de Darienne, que foi montada pela primeira vez naquele dia, está te dando lições no Untucked! sobre estar preparada para o que está se submetendo, é porque algo está errado com sua atitude e maneira de lidar com a competição.

Tudo estava errado, Brasil, e ficou parecendo que Adore mirou em algo semelhante ao que Darienne fez, mas acertou muito longe, quase na D’mon de Glitter. A combinação entre mãe e filha era nula na aparência, as perucas e vestidos de ambas estavam de doer na alma, a maquiagem colocada na filha ficou igualmente sofrível e eu não via um laço ser tão mal aplicado em um look desde:

Aliás, RPDR todo trabalhado nas referências à segunda temporada do X Factor USA, né? Semana passada tivemos Bianca Del Rio servindo CeCe Frey Realness e agora Honey Bun Delano entregando Camila Cabello do Fifth Harmony na performance trash mais superestimada da (curta) história daquele programa… mas enfim, não vamos entrar nesse assunto.

3) COURTNEY ACT 

O conceito de Courtney para a makeover de sua drag daughter estava toda certa, porém a execução saiu quase totalmente errada. O rapaz ficou lindo como drag, isso é fato, mas o vestido parecia uma toalha de mesa em cima de um pano azul e chamava bem menos atenção que a peça nude color com detalhes de borboletas muito mais aparentes que Courtney estava usando.

2) BEN DE LA CREME 

Ben me lembrou bastante do primeiro look que ela usou, quando teve que fazer um vestido temático com referência à série Golden Girls. Não que isso seja uma crítica, afinal acho que o modelo vendeu bem a imagem de mãe da noiva. Por falar nela, certamente esse foi o vestido mais bonito entre os seis. E as duas foram as que incorporaram melhor o personagem na hora da entrada, com aqueles passinhos ensaiados e o choro à la Maria do Bairro ao entregar a filha.

1)   BIANCA DEL RIO 

Bianca segue imbatível e só torna sua vantagem mais larga a cada semana que passa. É incrível como ela consegue rebater qualquer pedra que venha em sua direção de maneira muito bem humorada, arrancando risos até de quem estava a criticando. Juro que chorei com o “Não me chame de mamãe em público” e aquele lenço sendo arrancado da peruca. A transformação ficou incrível, Bianca estava linda e a aparência de mãe/filha funcionou perfeitamente.

Deliberações feitas e Ru comanda o restante da cerimônia, dessa vez servindo como um balde de água fria na festa de algumas. Bianca vence o desafio, e torna-se a primeira a vencer três vezes, tornando a sua dianteira não só teórica, mas também numérica.

O bottom era bastante óbvio: Adore e Joslyn, ambas dublando pela vida pela segunda vez. Nada mais merecido, considerando que esse deveria ter sido o bottom da semana passada. As duas fizeram o que podiam, mas vamos combinar que esse lipsync já estava condenado por vários motivos antes mesmo de começar, né? A música “Think”, de Aretha Franklin, não favorecia nenhuma das duas; foi uma maravilhosa oportunidade de usar a clássica – e totalmente adequada para o momento – “Like a Virgin”, jogada no lixo; e, por último, mas não menos importante, fica complicado dublar Aretha depois de Latrice Royale já ter o feito nesse programa.

A disputa foi até acirrada, mas Adore permaneceu e Joslyn sasheou away. Assim como aconteceu com Trinity, fico feliz que Joslyn, que entrou totalmente desacreditada (inclusive por mim), conseguiu crescer no programa, mostrou sim certa evolução e pode dizer que foi eliminada de cabeça erguida. Afeiçoei-me a ela e, embora não consiga dizer que sua eliminação não foi merecida, também não consigo afirmar que não foi sofrida e que eu preferia ver Darienne indo embora no seu lugar.

Curiosamente, o Top 5 está formado apenas pelas vencedoras dos challenges anteriores (tirando Laganja, mas levando em conta que ela ganhou o desafio carregada nas costas por Adore, vamos ignorar esse fato). Bianca tem três; Adore, DeLa e Courtney, dois cada uma; e Darienne, um. Só me resta torcer pela tendência de quem tem menos títulos acumulados ser eliminada para o Top 4 ser formado como deve.

Falta só aproximadamente um mês para o final dessa sexta temporada. Quem será a próxima a rodar? Será que Adore terá a chance de chegar ao desafio dos três looks e conseguir cagar em todos eles? Darinne Lake conseguiu suportar todo o recalque que tem dentro de si sem ter um infarto antes da gravação do episódio da semana que vem? Vamos acompanhar e nos vemos na semana que vem!

Artigo anteriorFargo 1×02: The Rooster Prince
Próximo artigoPerson of Interest 3×20: Death Benefit
Aleph Macaullay
Goiano que foi viver no caos de São Paulo mas não esconde as origens caipiras e chora quando ouve "Evidências". Radialista por formação e redator publicitário por profissão.